qua, 28 out

192 ou 193: qual chamar em cada emergência e o que dizer na ligação

O 192 é o Samu e o 193 é o Corpo de Bombeiros. Veja qual dos dois chamar em cada caso no DF e os cinco dados que a central pede na ligação.

Por Denver Moura atualizada em 5 min de leitura
Ambulância do Samu 192 na entrada da emergência de hospital público em Brasília
Neste texto7 tópicos
  1. Quando ligar para o 192
  2. Quando ligar para o 193
  3. O que dizer na ligação
  4. Quem decide qual ambulância sai
  5. Nas ocorrências grandes, os dois atuam juntos
  6. E se não for nem Samu nem bombeiros
  7. Na dúvida, ligue

O 192 chama o Samu e o 193 chama o Corpo de Bombeiros. Os dois funcionam 24 horas por dia no Distrito Federal, são gratuitos e atendem de qualquer telefone. A diferença está no tipo de ocorrência.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência responde pelo atendimento pré-hospitalar em casos de urgência e emergência clínica. A equipe presta os primeiros socorros, estabiliza o paciente quando necessário e define, pela Central de Regulação Médica, para qual unidade de saúde a vítima será levada.

Já o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal atende resgate, salvamento, combate a incêndio, acidentes e desastres, além de fazer atendimento pré-hospitalar nas ocorrências operacionais. A Carta de Serviços da corporação, atualizada em 8 de setembro de 2026, registra funcionamento "todos os dias da semana, 24 horas por dia" e prazo de atendimento "imediato".

Quando ligar para o 192

O telefone do Samu é para urgência ou emergência em saúde:

  • dor forte no peito;
  • falta de ar intensa;
  • desmaio ou perda de consciência;
  • convulsão;
  • sinais de acidente vascular cerebral, como boca torta, dificuldade para falar ou perda de força em um lado do corpo;
  • engasgo;
  • parada cardiorrespiratória;
  • acidente com vítimas;
  • queda com suspeita de lesão grave;
  • queimadura importante;
  • afogamento;
  • intoxicação;
  • trabalho de parto em situação de urgência.

Quando ligar para o 193

O telefone dos bombeiros vale para casos como:

  • incêndio em residência, edificação, veículo ou vegetação;
  • acidente de trânsito com vítimas;
  • pessoas presas em ferragens, elevadores ou locais de difícil acesso;
  • afogamento;
  • vazamento de gás ou de produtos perigosos;
  • desabamento;
  • salvamento em altura, mata, caverna ou área alagada;
  • ocorrência que exija resgate e atendimento pré-hospitalar com risco imediato à vida.

O que dizer na ligação

A informação que a pessoa dá no telefone decide quantas viaturas saem e quais. A Carta de Serviços do CBMDF lista o que o atendente vai pedir:

  1. a descrição exata do que está acontecendo;
  2. a quantidade de pessoas envolvidas;
  3. o local exato do fato, com ponto de referência;
  4. nome e telefone para contato;
  5. a magnitude da ocorrência.

O documento dá um exemplo do que "magnitude" significa na prática: em uma ocorrência de incêndio, informar quantas pessoas estão no local, o tamanho da edificação, o ponto exato e até onde o fogo chegou. Segundo o texto, esses dados são o que permite às viaturas chegar "de forma rápida, precisa e com a quantidade de recursos suficientes".

Na ligação para o 192, a lista é parecida: endereço completo, ponto de referência, telefone de contato, tipo de ocorrência, número de vítimas e o estado aparente delas. Com isso, a central envia o recurso adequado e orienta os primeiros cuidados até a equipe chegar.

Quem decide qual ambulância sai

Quem atende o 192 não é o motorista da ambulância, e sim a Central de Regulação Médica. Segundo a página do serviço na Secretaria de Saúde do DF, a central acolhe cerca de 800 mil ligações por ano, que resultam em aproximadamente 270 mil regulações médicas e de 70 mil a 80 mil intervenções primárias na rua ou no domicílio.

A frota que essa central distribui tem 30 Unidades de Suporte Básico, com condutor socorrista e técnico de enfermagem ou enfermeiro, e 8 Unidades de Suporte Avançado, com médico, enfermeiro e condutor. Há ainda duas viaturas especializadas: a USA NEO, para transporte de pacientes recém-nascidos, e a USA Saúde Mental, para ocorrências de crise psíquica. O volume está subindo: o Samu atendeu 83,9 mil ocorrências no primeiro trimestre de 2026, alta de 18% sobre o mesmo período do ano anterior.

Nas ocorrências grandes, os dois atuam juntos

Em acidente de trânsito, afogamento, incêndio e trauma, Samu e bombeiros dividem a cena. Os bombeiros cuidam do resgate e da segurança do local, enquanto o Samu faz a avaliação clínica do paciente, a regulação médica e a definição da unidade de saúde para onde a vítima será encaminhada, quando o encaminhamento for necessário.

As duas instituições mantêm comunicação permanente durante os atendimentos. Se a ocorrência exigir a atuação do outro serviço, a própria central transfere a chamada ou aciona o recurso indicado, sem que a pessoa precise ligar de novo. Na prática, ligar para o número "errado" entre 192 e 193 não deixa ninguém sem socorro: atrasa.

E se não for nem Samu nem bombeiros

Nem toda emergência é clínica ou de resgate. Assalto, briga, violência doméstica em curso e perturbação do sossego vão para a Polícia Militar. Denúncia anônima, desaparecimento e ocorrência ambiental têm canais próprios. A relação completa está no guia com os números de emergência e denúncia do DF, do 190 ao 197.

Na dúvida, ligue

Quando não está claro se o caso é grave, a orientação do GDF é fazer a ligação. As centrais avaliam a situação e definem a resposta. Trote em número de emergência ocupa linha e atrasa atendimento real.

Para o que não é emergência, a rede pública tem outros caminhos: as unidades básicas de saúde resolvem consulta, curativo, vacina e acompanhamento de doença crônica, e parte delas funciona à noite e aos sábados no DF. Procurar a UBS nesses casos libera a ambulância para quem corre risco de vida.

Vale guardar os dois números no celular antes de precisar deles, com o nome de quem atende: 192 para o Samu, 193 para os bombeiros. As orientações sobre a divisão entre os dois serviços foram divulgadas pela Agência Brasília em 6 de setembro de 2026.

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