192 ou 193: qual chamar em cada emergência e o que dizer na ligação
O 192 é o Samu e o 193 é o Corpo de Bombeiros. Veja qual dos dois chamar em cada caso no DF e os cinco dados que a central pede na ligação.

Neste texto7 tópicos
O 192 chama o Samu e o 193 chama o Corpo de Bombeiros. Os dois funcionam 24 horas por dia no Distrito Federal, são gratuitos e atendem de qualquer telefone. A diferença está no tipo de ocorrência.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência responde pelo atendimento pré-hospitalar em casos de urgência e emergência clínica. A equipe presta os primeiros socorros, estabiliza o paciente quando necessário e define, pela Central de Regulação Médica, para qual unidade de saúde a vítima será levada.
Já o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal atende resgate, salvamento, combate a incêndio, acidentes e desastres, além de fazer atendimento pré-hospitalar nas ocorrências operacionais. A Carta de Serviços da corporação, atualizada em 8 de setembro de 2026, registra funcionamento "todos os dias da semana, 24 horas por dia" e prazo de atendimento "imediato".
Quando ligar para o 192
O telefone do Samu é para urgência ou emergência em saúde:
- dor forte no peito;
- falta de ar intensa;
- desmaio ou perda de consciência;
- convulsão;
- sinais de acidente vascular cerebral, como boca torta, dificuldade para falar ou perda de força em um lado do corpo;
- engasgo;
- parada cardiorrespiratória;
- acidente com vítimas;
- queda com suspeita de lesão grave;
- queimadura importante;
- afogamento;
- intoxicação;
- trabalho de parto em situação de urgência.
Quando ligar para o 193
O telefone dos bombeiros vale para casos como:
- incêndio em residência, edificação, veículo ou vegetação;
- acidente de trânsito com vítimas;
- pessoas presas em ferragens, elevadores ou locais de difícil acesso;
- afogamento;
- vazamento de gás ou de produtos perigosos;
- desabamento;
- salvamento em altura, mata, caverna ou área alagada;
- ocorrência que exija resgate e atendimento pré-hospitalar com risco imediato à vida.
O que dizer na ligação
A informação que a pessoa dá no telefone decide quantas viaturas saem e quais. A Carta de Serviços do CBMDF lista o que o atendente vai pedir:
- a descrição exata do que está acontecendo;
- a quantidade de pessoas envolvidas;
- o local exato do fato, com ponto de referência;
- nome e telefone para contato;
- a magnitude da ocorrência.
O documento dá um exemplo do que "magnitude" significa na prática: em uma ocorrência de incêndio, informar quantas pessoas estão no local, o tamanho da edificação, o ponto exato e até onde o fogo chegou. Segundo o texto, esses dados são o que permite às viaturas chegar "de forma rápida, precisa e com a quantidade de recursos suficientes".
Na ligação para o 192, a lista é parecida: endereço completo, ponto de referência, telefone de contato, tipo de ocorrência, número de vítimas e o estado aparente delas. Com isso, a central envia o recurso adequado e orienta os primeiros cuidados até a equipe chegar.
Quem decide qual ambulância sai
Quem atende o 192 não é o motorista da ambulância, e sim a Central de Regulação Médica. Segundo a página do serviço na Secretaria de Saúde do DF, a central acolhe cerca de 800 mil ligações por ano, que resultam em aproximadamente 270 mil regulações médicas e de 70 mil a 80 mil intervenções primárias na rua ou no domicílio.
A frota que essa central distribui tem 30 Unidades de Suporte Básico, com condutor socorrista e técnico de enfermagem ou enfermeiro, e 8 Unidades de Suporte Avançado, com médico, enfermeiro e condutor. Há ainda duas viaturas especializadas: a USA NEO, para transporte de pacientes recém-nascidos, e a USA Saúde Mental, para ocorrências de crise psíquica. O volume está subindo: o Samu atendeu 83,9 mil ocorrências no primeiro trimestre de 2026, alta de 18% sobre o mesmo período do ano anterior.
Nas ocorrências grandes, os dois atuam juntos
Em acidente de trânsito, afogamento, incêndio e trauma, Samu e bombeiros dividem a cena. Os bombeiros cuidam do resgate e da segurança do local, enquanto o Samu faz a avaliação clínica do paciente, a regulação médica e a definição da unidade de saúde para onde a vítima será encaminhada, quando o encaminhamento for necessário.
As duas instituições mantêm comunicação permanente durante os atendimentos. Se a ocorrência exigir a atuação do outro serviço, a própria central transfere a chamada ou aciona o recurso indicado, sem que a pessoa precise ligar de novo. Na prática, ligar para o número "errado" entre 192 e 193 não deixa ninguém sem socorro: atrasa.
E se não for nem Samu nem bombeiros
Nem toda emergência é clínica ou de resgate. Assalto, briga, violência doméstica em curso e perturbação do sossego vão para a Polícia Militar. Denúncia anônima, desaparecimento e ocorrência ambiental têm canais próprios. A relação completa está no guia com os números de emergência e denúncia do DF, do 190 ao 197.
Na dúvida, ligue
Quando não está claro se o caso é grave, a orientação do GDF é fazer a ligação. As centrais avaliam a situação e definem a resposta. Trote em número de emergência ocupa linha e atrasa atendimento real.
Para o que não é emergência, a rede pública tem outros caminhos: as unidades básicas de saúde resolvem consulta, curativo, vacina e acompanhamento de doença crônica, e parte delas funciona à noite e aos sábados no DF. Procurar a UBS nesses casos libera a ambulância para quem corre risco de vida.
Vale guardar os dois números no celular antes de precisar deles, com o nome de quem atende: 192 para o Samu, 193 para os bombeiros. As orientações sobre a divisão entre os dois serviços foram divulgadas pela Agência Brasília em 6 de setembro de 2026.






