Violência doméstica: o que a Secretaria da Mulher do DF manda fazer ao ouvir gritos no vizinho
A Secretaria da Mulher do DF orienta ligar para o 190 em agressão em andamento e usar o Ligue 180 para suspeitas, sem confrontar o agressor. Veja os canais e os números de 2026.

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Ouvir gritos e barulho de briga no apartamento ao lado e não fazer nada pode custar uma vida, alerta a Secretaria da Mulher do Distrito Federal. A orientação é ligar para o 190 quando a agressão está em andamento e usar o Ligue 180 para denunciar suspeitas, sem confrontar o agressor. O tema voltou à pauta depois do duplo homicídio de 11 de outubro em Ceilândia, que a Polícia Civil investiga.
O que fazer ao ouvir uma agressão
A subsecretária de Enfrentamento à Violência Doméstica da Secretaria da Mulher (SMDF), Maíra Castro, disse ao Jornal de Brasília que a regra de "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher" está ultrapassada e é perigosa. Segundo ela, vizinhos e pessoas próximas costumam ouvir gritos e barulhos que indicam agressão, e a omissão pode matar.
O caso de Ceilândia ilustra o risco de quem intervém sozinho. Segundo relatos de testemunhas ouvidos pela imprensa, um dos mortos teria entrado em conflito com o suspeito depois de interferir numa situação de violência doméstica contra a companheira dele, e a intervenção teria gerado ameaças. A PCDF ainda apura as circunstâncias e a motivação do crime.
As recomendações da secretaria, na ordem em que fazem diferença:
- Se a agressão está acontecendo, acione a Polícia Militar pelo 190.
- Se há só sinais, como gritos e barulhos suspeitos, denuncie mesmo assim.
- Não confronte o possível agressor, para não agravar a situação nem expor você.
- Em prédios, avise a portaria ou o síndico, desde que isso não coloque a vítima em risco.
- Uma intervenção indireta, como chamar a atenção com barulho, também vale, sem arriscar a própria segurança.
Canais de denúncia
| Canal | Quando usar | Observação |
|---|---|---|
| 190 (Polícia Militar) | Agressão em andamento ou risco imediato | Atendimento de emergência |
| Ligue 180 | Denúncia de suspeita e orientação sobre a rede de atendimento à mulher | Anonimato garantido nas denúncias feitas por ligação |
| Sinal Vermelho | Mulher que não consegue pedir ajuda abertamente | Um "X" vermelho na palma da mão, mostrado em estabelecimentos participantes |
A campanha Sinal Vermelho foi explicada ao jornal pela diretora administrativa do Instituto Nós por Elas, Thainá Moraes, que a descreve como útil para quem está perto do agressor. Para entender o caminho depois da denúncia, veja o guia de como pedir medida protetiva no DF e a lista de canais de denúncia contra a violência à mulher.
Os números do DF em 2026
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), o primeiro semestre registrou 11.206 ocorrências enquadradas na Lei Maria da Penha. Desse total, 43,1% são crimes de violência física, como lesão corporal, vias de fato e tentativa de feminicídio.
Entre janeiro e setembro, o DF contabilizou 17 feminicídios, contra 22 no mesmo período de 2025, queda de cerca de 23%.
Violência não é só agressão física
Thainá Moraes lembra que a violência também pode ser psicológica, patrimonial, moral, sexual ou vicária, quando o agressor usa familiares ou pessoas próximas para causar sofrimento à vítima. Para ela, acolher a mulher e compartilhar informação ajuda quem vive a situação a reconhecê-la como violência. O instituto faz esse trabalho principalmente em vídeos e campanhas nas redes sociais, que explicam os tipos de violência e as leis de proteção, entre elas a Lei Maria da Penha.
Em caso de emergência, a regra continua a mesma: 190 primeiro. Para as demais situações, o Ligue 180 recebe a denúncia e orienta sobre os serviços de atendimento.
Fontes: Jornal de Brasília e Brasil em Folhas.





