dom, 18 out
Segurança

Violência doméstica: o que a Secretaria da Mulher do DF manda fazer ao ouvir gritos no vizinho

A Secretaria da Mulher do DF orienta ligar para o 190 em agressão em andamento e usar o Ligue 180 para suspeitas, sem confrontar o agressor. Veja os canais e os números de 2026.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Mulher de suéter cinza, sem o rosto visível, mostra a palma da mão em gesto de pare; foto ilustrativa
Foto: Monstera Production/Pexels (ilustrativa)
Neste texto4 tópicos
  1. O que fazer ao ouvir uma agressão
  2. Canais de denúncia
  3. Os números do DF em 2026
  4. Violência não é só agressão física

Ouvir gritos e barulho de briga no apartamento ao lado e não fazer nada pode custar uma vida, alerta a Secretaria da Mulher do Distrito Federal. A orientação é ligar para o 190 quando a agressão está em andamento e usar o Ligue 180 para denunciar suspeitas, sem confrontar o agressor. O tema voltou à pauta depois do duplo homicídio de 11 de outubro em Ceilândia, que a Polícia Civil investiga.

O que fazer ao ouvir uma agressão

A subsecretária de Enfrentamento à Violência Doméstica da Secretaria da Mulher (SMDF), Maíra Castro, disse ao Jornal de Brasília que a regra de "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher" está ultrapassada e é perigosa. Segundo ela, vizinhos e pessoas próximas costumam ouvir gritos e barulhos que indicam agressão, e a omissão pode matar.

O caso de Ceilândia ilustra o risco de quem intervém sozinho. Segundo relatos de testemunhas ouvidos pela imprensa, um dos mortos teria entrado em conflito com o suspeito depois de interferir numa situação de violência doméstica contra a companheira dele, e a intervenção teria gerado ameaças. A PCDF ainda apura as circunstâncias e a motivação do crime.

As recomendações da secretaria, na ordem em que fazem diferença:

  1. Se a agressão está acontecendo, acione a Polícia Militar pelo 190.
  2. Se há só sinais, como gritos e barulhos suspeitos, denuncie mesmo assim.
  3. Não confronte o possível agressor, para não agravar a situação nem expor você.
  4. Em prédios, avise a portaria ou o síndico, desde que isso não coloque a vítima em risco.
  5. Uma intervenção indireta, como chamar a atenção com barulho, também vale, sem arriscar a própria segurança.

Canais de denúncia

CanalQuando usarObservação
190 (Polícia Militar)Agressão em andamento ou risco imediatoAtendimento de emergência
Ligue 180Denúncia de suspeita e orientação sobre a rede de atendimento à mulherAnonimato garantido nas denúncias feitas por ligação
Sinal VermelhoMulher que não consegue pedir ajuda abertamenteUm "X" vermelho na palma da mão, mostrado em estabelecimentos participantes

A campanha Sinal Vermelho foi explicada ao jornal pela diretora administrativa do Instituto Nós por Elas, Thainá Moraes, que a descreve como útil para quem está perto do agressor. Para entender o caminho depois da denúncia, veja o guia de como pedir medida protetiva no DF e a lista de canais de denúncia contra a violência à mulher.

Os números do DF em 2026

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), o primeiro semestre registrou 11.206 ocorrências enquadradas na Lei Maria da Penha. Desse total, 43,1% são crimes de violência física, como lesão corporal, vias de fato e tentativa de feminicídio.

Entre janeiro e setembro, o DF contabilizou 17 feminicídios, contra 22 no mesmo período de 2025, queda de cerca de 23%.

Violência não é só agressão física

Thainá Moraes lembra que a violência também pode ser psicológica, patrimonial, moral, sexual ou vicária, quando o agressor usa familiares ou pessoas próximas para causar sofrimento à vítima. Para ela, acolher a mulher e compartilhar informação ajuda quem vive a situação a reconhecê-la como violência. O instituto faz esse trabalho principalmente em vídeos e campanhas nas redes sociais, que explicam os tipos de violência e as leis de proteção, entre elas a Lei Maria da Penha.

Em caso de emergência, a regra continua a mesma: 190 primeiro. Para as demais situações, o Ligue 180 recebe a denúncia e orienta sobre os serviços de atendimento.

Fontes: Jornal de Brasília e Brasil em Folhas.

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