O governo brasileiro pretende retomar em agosto a negociação com os Estados Unidos sobre a sobretaxa aplicada a produtos nacionais, que chegou a 37,5%. O objetivo declarado é reduzir a alíquota e ampliar a lista de itens isentos, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A sobretaxa foi montada em duas etapas: uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e, depois, um acréscimo de 12,5%. As conversas devem ser retomadas com as tarifas já plenamente em vigor, o que muda a posição das duas delegações na mesa.
Quem negocia de cada lado
A interlocução brasileira é conduzida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Do lado americano, o negociador é o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, chefe do escritório conhecido pela sigla USTR.
O último encontro de alto nível entre os dois governos ocorreu em julho. A pauta brasileira tem dois pontos principais:
- redução do percentual da sobretaxa hoje aplicada;
- ampliação da lista de produtos excluídos da cobrança.
Por que a lista de exceções pesa
A lista de exceções é o instrumento que decide, na prática, quanto da pauta exportadora brasileira sente a tarifa. Um produto excluído entra no mercado americano nas condições anteriores. Um produto na lista cheia perde competitividade diante de concorrentes de países sem sobretaxa equivalente.
Por isso, a negociação por exceções costuma avançar mais rápido do que a negociação pela alíquota geral: ela permite acordo setor a setor, sem que nenhum dos dois governos precise recuar publicamente do percentual anunciado.
O que está em jogo para quem exporta
Os Estados Unidos são um dos principais destinos das exportações brasileiras de manufaturados, categoria que emprega mais por dólar exportado do que a de commodities. É esse perfil que explica a pressão de entidades industriais por uma solução negociada rápida.
Enquanto não há acordo, o exportador tem três caminhos, todos com custo: absorver a tarifa na margem, repassar ao comprador americano ou redirecionar volume para outros mercados. As três saídas reduzem receita no curto prazo.
O calendário também pesa. Contratos de fornecimento com entrega no segundo semestre foram fechados antes da sobretaxa, e a diferença de preço recai sobre quem já se comprometeu a entregar.
Próximos passos
Não há data anunciada para a próxima rodada formal entre os dois governos. O governo brasileiro trabalha com a hipótese de novas reuniões técnicas ao longo de agosto, antes de qualquer encontro de alto nível.
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Perguntas frequentes
De quanto é a sobretaxa americana sobre produtos brasileiros?
A sobretaxa chegou a 37,5%, formada por uma tarifa de 25% e um acréscimo posterior de 12,5%.
O que o Brasil quer negociar?
A redução da alíquota e a ampliação da lista de produtos isentos da cobrança.
Quem conduz a negociação?
Pelo Brasil, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Pelos Estados Unidos, o representante de Comércio Jamieson Greer, do USTR.








