Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados muda as regras de concessão de bolsas em ciência e tecnologia e estende o financiamento público a programas de residência médica e multiprofissional em hospitais universitários. O PL 1387/26, do deputado Ricardo Galvão (SP), foi apresentado à Casa e noticiado pela Agência Câmara na terça-feira (4).
O texto altera três leis federais: a Lei 10.973, de 2004, conhecida como Lei da Inovação; a Lei 8.958, de 1994, que trata da relação entre universidades e fundações de apoio; e a Lei 8.032, de 1990, sobre isenções e reduções de impostos de importação. A proposta trata do acesso a recursos públicos pelas instituições científicas, tecnológicas e de inovação, as ICTs.
O tema tem peso direto em Brasília, que concentra a Universidade de Brasília, institutos federais e uma das maiores densidades de pesquisadores com doutorado do país.
O que muda na concessão de bolsas
O projeto reúne quatro frentes de alteração:
- ICTs privadas: o texto esclarece que alunos vinculados a instituições privadas de ciência e tecnologia também podem receber bolsas.
- Residência em saúde: estende o financiamento a residências médicas e multiprofissionais em hospitais universitários.
- Contratação de doutores: cria incentivo à contratação de pesquisadores com título de doutorado.
- Crédito a empresas: vincula a concessão de crédito à participação de profissionais com doutorado nos projetos apoiados.
O ponto de maior alcance orçamentário é o terceiro conjunto. Ao amarrar linha de crédito à presença de doutores no quadro da empresa, a proposta condiciona benefício financeiro a um critério de qualificação, e não apenas ao mérito técnico do projeto apresentado.
Trata-se de um conjunto de medidas de soberania tecnológica, essenciais não somente para o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
A residência em hospital universitário
A inclusão das residências médicas e multiprofissionais no rol financiável é a mudança mais palpável para quem está no fim da graduação em saúde. Hoje, as bolsas de residência são custeadas por um arranjo que combina Ministério da Educação, Ministério da Saúde e recursos próprios das instituições, o que produz valores e prazos diferentes conforme o programa.
Colocar esses programas no mesmo guarda-chuva legal das bolsas de ciência e tecnologia abriria uma fonte adicional de recursos para os hospitais universitários. O texto trata da possibilidade de financiamento, sem fixar valor de bolsa nem número de vagas.
O estágio real da tramitação
O PL 1387/26 será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Nesse regime, o texto pode ser aprovado sem passar pelo Plenário, desde que não haja recurso.
O projeto está na fase inicial. Não houve votação em nenhuma das três comissões, e a análise de adequação orçamentária, feita em Finanças e Tributação, é a etapa que costuma definir o ritmo de propostas que ampliam despesa obrigatória.
O que isso significa para quem pesquisa no DF
Para o estudante de pós-graduação e o residente, nada muda por enquanto. As regras atuais de concessão, valor e duração das bolsas seguem as normas em vigor e as chamadas públicas das agências de fomento.
O que a proposta faz é abrir caminho para dois grupos que hoje ficam fora ou na margem do financiamento: o aluno de instituição privada de pesquisa e o residente em hospital universitário. A confirmação depende de aprovação nas três comissões e da regulamentação posterior, que definiria critérios e limites.
Quem acompanha o tema pode conferir a tramitação pelo número do projeto no portal da Câmara, onde ficam registrados relator designado, pareceres e datas de votação em cada comissão.
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Perguntas frequentes
O PL 1387/26 já foi aprovado?
Não. O projeto foi apresentado na Câmara e será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania.
O que muda para os residentes de hospital universitário?
O texto estende o financiamento público a residências médicas e multiprofissionais em hospitais universitários. Nada muda enquanto o projeto não for aprovado e regulamentado.
Alunos de instituições privadas poderão receber bolsa?
O projeto esclarece que alunos vinculados a instituições científicas e tecnológicas privadas podem receber bolsas.
Quais leis o projeto altera?
A Lei 10.973/2004 (Lei da Inovação), a Lei 8.958/1994 e a Lei 8.032/1990.








