PF apura aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió no Master

agosto 11, 2026
Duas portas de cofre de aço embutidas em uma parede de tijolos aparentes

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União cumpriram na segunda-feira (10) oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e em São Paulo para apurar irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do instituto de previdência dos servidores de Maceió em papéis do Banco Master. A ação foi batizada de Operação Compliance 82.

O dinheiro saiu do Maceió Previdência, o Iprev, em duas operações. A primeira destinou R$ 80 milhões em 2023 e a segunda, R$ 17 milhões em 2024, ambas para a compra de letras financeiras emitidas pelo banco. As letras financeiras subordinadas são papéis de risco mais alto, porque ficam atrás de outros credores na fila de recebimento em caso de quebra da instituição emissora.

O que a investigação apura

Segundo a Polícia Federal, a apuração busca reconstruir o caminho que antecedeu os investimentos. Entram no exame o credenciamento da instituição, a cotação, a avaliação de risco, os mecanismos de governança e o processo decisório que levou à escolha dos papéis.

A corporação aponta indícios de possível gestão fraudulenta, com direcionamento indevido do investimento, análise de risco insuficiente e formulários de autorização descritos como genéricos e padronizados, sem estudos comparativos que justificassem a escolha.

Um ponto específico chama atenção no material da investigação: à época do primeiro aporte, a instituição não estava habilitada pelo Ministério da Previdência para receber esses recursos. Regimes próprios de previdência social, os RPPS, só podem aplicar recursos em instituições credenciadas e dentro dos limites fixados pela regulação federal.

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou o bloqueio de bens de até R$ 97 milhões dos seis alvos da operação.

Quem são os investigados

Entre os alvos estão o atual secretário de Finanças de Maceió, João Felipe Alves Borges, o ex-presidente do Iprev, Ronnie Reyner Teixeira Mota, e o ex-diretor de investimentos do instituto, Gustavo Antônio Rodrigues de Souza.

A lista inclui ainda Renan Foglia Calamia, consultor da Crédito & Mercado, Marília Alexandre de Lima Alves, servidora da área de finanças do município, e Marcelo Brasileiro Santos, integrante do comitê de investimentos.

Buscas e apreensões e bloqueio de bens são medidas cautelares. Elas não implicam condenação, e os investigados respondem em liberdade enquanto o inquérito tramita.

A presença de um consultor de investimentos entre os alvos aponta para onde a apuração deve avançar. Institutos municipais costumam terceirizar a análise de produtos financeiros a consultorias credenciadas, e é nessa etapa que a Polícia Federal diz ter encontrado formulários padronizados sem estudo comparativo entre alternativas de aplicação.

O comitê de investimentos é a instância que aprova a alocação. Pela regra dos regimes próprios, ele precisa registrar em ata a fundamentação de cada decisão, o que torna esses documentos a peça central de qualquer investigação sobre alocação de recursos previdenciários.

O que aconteceu com o Banco Master

O Banco Master, que pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central. A autoridade monetária apontou descumprimento de normas do Sistema Financeiro Nacional e crise grave de liquidez na instituição.

Com a liquidação, quem tinha papéis do banco entrou na fila de credores. Letras financeiras não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos, ao contrário de aplicações como CDB, poupança e LCI, o que agrava a perda potencial para quem carregava esses títulos.

Por que o caso interessa a quem mora em Brasília

O nome do Banco Master já era conhecido no Distrito Federal por outro capítulo. O BRB negociou a compra de parte da instituição, operação que não foi adiante e que segue rendendo desdobramentos no banco público do DF, incluindo a assembleia marcada para 24 de agosto para deliberar sobre medidas judiciais contra ex-dirigentes.

Há também um ponto que ultrapassa a fronteira de Alagoas. Institutos de previdência municipais administram a aposentadoria de servidores com recursos que vêm da folha de pagamento e do Tesouro local. Uma decisão de investimento mal fundamentada em um RPPS reaparece anos depois como buraco atuarial, e a conta costuma ser fechada com aporte extraordinário do próprio município.

  • valor total investigado: R$ 97 milhões
  • primeira aplicação: R$ 80 milhões, em 2023
  • segunda aplicação: R$ 17 milhões, em 2024
  • tipo de papel: letras financeiras do Banco Master
  • mandados cumpridos: oito, em Alagoas e São Paulo
  • bloqueio determinado: até R$ 97 milhões, sobre bens de seis alvos

A operação foi conduzida em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, com autorização do Supremo Tribunal Federal.

Perguntas frequentes

O que é a Operação Compliance 82?

É a operação da Polícia Federal e da CGU deflagrada em 10 de agosto de 2026 para apurar irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do instituto de previdência de Maceió em papéis do Banco Master.

Quanto foi aplicado e quando?

Foram duas aplicações: R$ 80 milhões em 2023 e R$ 17 milhões em 2024, ambas em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, somando R$ 97 milhões.

O que aconteceu com o Banco Master?

O banco foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central, que apontou descumprimento de normas do Sistema Financeiro Nacional e crise grave de liquidez.

Letras financeiras têm garantia do FGC?

Não. Letras financeiras não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos, ao contrário de aplicações como CDB, poupança, LCI e LCA.

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