Draco mira fraude em contas de luz com prejuízo de R$ 10 milhões no DF

agosto 11, 2026
Poste de energia elétrica com fiação e isoladores contra o céu azul

A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (11) a Operação Crédito Nero contra um grupo suspeito de fraudar o pagamento de faturas de energia elétrica em endereços do DF e de lavar o dinheiro obtido. As investigações apontam prejuízo superior a R$ 10 milhões.

Mais de 100 policiais participaram do cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. As equipes foram a São Sebastião, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga e Sobradinho, além de Águas Lindas de Goiás, no Entorno.

Como a fraude era montada

Segundo a apuração, um intermediário procurava moradores e responsáveis por condomínios e se apresentava como alguém que tinha créditos junto à concessionária de energia. A partir daí, oferecia quitar as faturas atrasadas com desconto, desde que o pagamento fosse feito por Pix para contas indicadas por ele.

Parte do dinheiro recebido era repassada a dois moradores de São Sebastião apontados como responsáveis por inserir informações falsas no sistema interno da empresa. A manobra fazia a fatura constar como quitada sem que o valor entrasse no caixa da concessionária. O consumidor pagava, o débito sumia da tela e a empresa ficava no prejuízo.

Para dificultar o rastreamento do dinheiro, os valores eram distribuídos entre contas de terceiros, de familiares e de empresas de fachada. Os investigados respondem por estelionato, fraude e lavagem de dinheiro.

A denúncia que abriu o caso

A investigação começou em 2024, quando um condomínio do Lago Norte procurou a Polícia Civil e relatou ter contratado o intermediário. Só naquele endereço, o prejuízo passou de R$ 345 mil.

A partir da ocorrência, os policiais identificaram que o mesmo padrão se repetia em outros condomínios da capital, sempre com o mesmo desenho: oferta de desconto, pagamento por Pix e baixa fraudulenta no sistema. A Neoenergia informou que identificou irregularidades em 2024 e levou o caso à Polícia Civil.

  • Operação: Crédito Nero, da Draco/PCDF
  • Data: manhã de terça-feira, 11 de agosto de 2026
  • Mandados: 5 de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão
  • Efetivo: mais de 100 policiais
  • Locais: São Sebastião, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga, Sobradinho e Águas Lindas de Goiás
  • Prejuízo estimado: mais de R$ 10 milhões
  • Crimes: estelionato, fraude e lavagem de dinheiro

Por que condomínios foram o alvo

A escolha não foi aleatória. Em condomínio, a conta de energia da área comum tem valor alto, o pagamento passa por administradora ou síndico e a checagem do comprovante nem sempre é feita com a concessionária. Isso cria a janela que o esquema explorava: a baixa aparecia no sistema, ninguém conferia na origem e o prejuízo só era descoberto meses depois.

O mesmo desenho é usado em golpes que circulam no DF com contas de água, IPTU e financiamento. O ponto em comum é a promessa de desconto que só existe fora dos canais oficiais.

Como o consumidor se protege

Nenhuma distribuidora de energia oferece quitação de débito por meio de intermediário particular, nem aceita pagamento em conta de pessoa física. A negociação de fatura atrasada é feita nos canais oficiais da empresa, com boleto emitido em nome do titular da unidade consumidora.

  • Confira a situação da conta direto no aplicativo ou na agência da distribuidora antes de pagar qualquer intermediário
  • Desconfie de desconto oferecido por WhatsApp ou por visita presencial no condomínio
  • Cheque se o beneficiário do Pix é a própria concessionária, e não uma pessoa física ou empresa desconhecida
  • Em condomínio, peça comprovação de arrecadação junto à concessionária antes de repassar valores
  • Registre ocorrência na delegacia mais próxima ou na Delegacia Eletrônica ao identificar cobrança irregular

O que é a Draco

A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado é a unidade da Polícia Civil do Distrito Federal responsável por investigar quadrilhas estruturadas, com divisão de funções e atuação continuada. É o tipo de caso que não se resolve em flagrante: exige rastreamento de dinheiro, quebra de sigilo e cruzamento de dados ao longo de meses, como ocorreu na apuração aberta a partir da denúncia do condomínio do Lago Norte, em 2024.

Quem quiser denunciar fraude ou outro crime pode acionar o Disque-Denúncia da Polícia Civil do DF, no 197, com garantia de anonimato. Registros também podem ser feitos pela Delegacia Eletrônica, no site da corporação, ou presencialmente em qualquer delegacia circunscricional.

Os presos ficam à disposição da Justiça. O material apreendido nos 18 endereços será periciado e pode ampliar o número de investigados no inquérito.

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