O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou na sexta-feira (19/06) a Operação Juros Zero, que apura um suposto esquema de descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF). Segundo a investigação, o esquema pode ter movimentado mais de R$ 81 milhões.
A apuração mira descontos de empréstimo consignado feitos nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do GDF. A suspeita é de que uma modalidade de adiantamento salarial, criada por decreto para funcionar sem cobrança de juros, tenha sido usada para aplicar taxas consideradas ilegais.
Como funcionava o suposto esquema
De acordo com o MPDFT, o banco digital PicPay estaria realizando os descontos de forma irregular nos contracheques. O que deveria ser um adiantamento sem juros teria passado a embutir cobranças, segundo a investigação. O valor cresceu rápido ao longo do tempo.
- Em 2024, os valores descontados sob o título de adiantamento salarial somaram cerca de R$ 11,7 milhões;
- Até agosto de 2025, o montante já ultrapassava R$ 70 milhões, com cobrança de juros;
- O total sob investigação supera os R$ 81 milhões;
- A operação cumpriu cerca de 50 mandados de busca e apreensão no DF, em São Paulo e em Curitiba.
Quem está entre os alvos
Entre os alvos da operação estão o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, o ex-secretário de Economia do DF Ney Ferraz e a plataforma PicPay, além de funcionários ligados às operações bancárias. Todos os citados são investigados e respondem ao processo, sem que tenha havido condenação. As defesas podem se manifestar ao longo da apuração.
Parlamentares distritais afirmam que já haviam denunciado as irregularidades nos descontos. O Tribunal de Contas do DF (TCDF) chegou a determinar a suspensão de descontos considerados irregulares antes da operação.
O que o servidor do GDF deve fazer
Quem é servidor, aposentado ou pensionista do GDF pode verificar se foi alvo de descontos indevidos e buscar a correção. O caminho geral é o seguinte:
- Confira o contracheque e identifique lançamentos de adiantamento salarial ou consignado que não reconhece;
- Reúna os comprovantes dos descontos dos últimos meses;
- Procure o setor de recursos humanos do seu órgão e registre a contestação formal;
- Guarde os protocolos e acompanhe a devolução de valores cobrados de forma indevida.
A recomendação vale especialmente para quem percebeu cobranças sem ter contratado o serviço. O caso segue em apuração e novas informações devem ser divulgadas pelos órgãos oficiais. Acompanhe em SouBrasilia.








