ter, 13 out
Educação

Impacto das telas na saude mental ja e debatido em 80% das escolas

Pesquisa TIC Educacao 2025 mostra que 80% das escolas brasileiras debateram o impacto das telas na saude mental dos alunos, ante 62% em 2024.

Por Denver Moura 3 min de leitura
Mao segurando smartphone com a tela ligada
Neste texto3 tópicos
  1. O que as escolas passaram a priorizar
  2. Primeira medição sobre IA generativa
  3. Como isso chega ao Distrito Federal

Oito em cada dez escolas brasileiras discutiram em 2025 os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes, segundo a pesquisa TIC Educação 2025, divulgada em 4 de agosto. A proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que trataram do tema passou de 62% em 2024 para 80% no ano seguinte, alta de 18 pontos percentuais.

O levantamento é do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), braço do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Foram 2.404 entrevistas com gestores escolares, feitas por telefone em escolas públicas e particulares de áreas urbanas e rurais.

O avanço aparece também na frequência com que o assunto sai da sala dos professores e chega às famílias. A proporção de diretores que se reuniram com responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais subiu de 60% para 75%. Entre os que discutiram o tema com a equipe docente, o índice foi de 68% para 86%.

O que as escolas passaram a priorizar

Duas frentes concentram o crescimento. O uso seguro e crítico da tecnologia passou de 56% para 75% entre as prioridades declaradas pelas escolas. A integração da educação midiática ao currículo saiu de 46% para 67%. Os dois movimentos indicam deslocamento da abordagem: de proibição pontual do aparelho para trabalho pedagógico sobre o que se faz com ele.

As barreiras relatadas seguem as mesmas. Entre as escolas que já desenvolvem iniciativas, 75% dos gestores citam a baixa participação das famílias como principal obstáculo, seguida pela falta de materiais educacionais adequados, apontada por 64%. Entre as que ainda não têm nenhuma ação, 77% apontam a falta de recursos e 65% citam a qualidade limitada do acesso à internet.

Primeira medição sobre IA generativa

Esta é a primeira edição da TIC Educação que mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa por gestores escolares. O resultado mostra adoção à frente da regulamentação: 53% dos gestores já usam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.

Do lado das regras, o quadro é oposto. Apenas 22% das escolas mantêm diretrizes para o uso de IA na educação, e 37% permitem que os estudantes utilizem essas ferramentas em tarefas educacionais. A distância entre os 53% que já usam e os 22% que têm norma escrita é o dado que resume o estágio atual: a ferramenta entrou na rotina antes de a escola definir como ela deve ser usada.

Como isso chega ao Distrito Federal

A pesquisa é nacional e não apresenta recorte por unidade da Federação, mas o tema já opera na rede do DF. A discussão sobre celular em sala, saúde mental de adolescentes e uso de IA em trabalhos escolares atravessa tanto a rede pública quanto a particular, e a pauta ganhou tração no país depois da regra federal que restringiu o uso de aparelhos nas escolas. O MEC prepara pesquisa própria sobre o que mudou nas escolas após um ano da proibição do celular.

Para as famílias, o dado prático da pesquisa é outro: a escola do seu filho provavelmente já discute o assunto, mas a participação dos responsáveis segue apontada pelos gestores como o elo mais frágil. É justamente nas reuniões escolares, apontadas por três em cada quatro diretores como espaço já usado para o tema, que essa lacuna pode ser tratada.

  • Pesquisa: TIC Educação 2025, do Cetic.br/NIC.br
  • Divulgação: 4 de agosto de 2026
  • Amostra: 2.404 entrevistas com gestores escolares, por telefone
  • Escolas que debatem telas e saúde mental: 80% em 2025, ante 62% em 2024
  • Gestores que usam IA generativa: 53%
  • Escolas com diretrizes para uso de IA: 22%

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