Saeb 2025: Brasil volta ao nível pré-pandemia nos anos iniciais

agosto 9, 2026
Cartão-resposta de prova escolar e lápis sobre carteira em sala de aula vazia

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou em 7 de agosto os resultados do Saeb 2025, a avaliação nacional aplicada a cada dois anos, e o levantamento mostra que os anos iniciais do ensino fundamental recuperaram o patamar de aprendizagem anterior à pandemia. A nota padronizada da etapa passou de 5,9 em 2023 para 6,2 em 2025.

O avanço não se repetiu com a mesma força nas etapas seguintes. Nos anos finais do fundamental, a nota subiu de 5,1 para 5,2. No ensino médio, o movimento também foi discreto, o que mantém a etapa como o gargalo do sistema.

O que dizem os números por etapa

No 5º ano, a proficiência média em língua portuguesa passou de 207,6 para 215,1 pontos entre 2023 e 2025. Em matemática, o salto foi maior: de 218,3 para 227,4 pontos. A rede pública, considerada isoladamente, cresceu 3,7 pontos na etapa.

Nos anos finais, o 9º ano registrou 256,6 pontos em português, contra 252,9 na edição anterior, e 255,3 em matemática, ante 249,9. No 3º ano do ensino médio, português foi de 269,1 para 272,3 pontos e matemática, de 263,9 para 268,0. Na rede estadual, que concentra a maior parte das matrículas da etapa, português passou de 271,7 para 275,8 e matemática, de 267,3 para 271,4.

  • Anos iniciais: nota padronizada de 5,9 (2023) para 6,2 (2025)
  • Anos finais: de 5,1 para 5,2
  • 5º ano, matemática: de 218,3 para 227,4 pontos
  • 9º ano, matemática: de 249,9 para 255,3 pontos
  • 3º ano do ensino médio, matemática: de 263,9 para 268,0 pontos

A comparação entre edições precisa levar em conta a mesma rede. Números da rede pública só são comparáveis com os da própria rede pública, e o mesmo vale para a rede privada e para o recorte estadual.

Alcance da avaliação

O Saeb 2025 alcançou 5,9 milhões de alunos, 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas em todo o país. A avaliação é o principal termômetro da aprendizagem da educação básica brasileira e alimenta o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o ritmo brasileiro chama a atenção na comparação internacional. Segundo ele, a “recuperação do Brasil foi mais rápida, o que mostra a resiliência” do sistema.

“Essa melhora foi insuficiente para mudar o nível de aprendizagem da etapa”, afirmou Natália Fregonesi, coordenadora de políticas educacionais do Todos Pela Educação, sobre o desempenho do ensino médio.

O que trava o ensino médio

Fregonesi associa a estagnação da etapa ao distanciamento entre o que a escola oferece e o que o estudante procura. “Muitas vezes, a escola acaba não respondendo aos anseios do jovem”, disse.

Na avaliação de Felipe Proto, vice-presidente de educação da Fundação Lemann, o problema é de continuidade das políticas. “Avançar nessa área exige prioridade na agenda educacional, continuidade”, afirmou.

O Inep não divulgou até o momento, no material de imprensa da edição, o recorte por unidade da federação que permita comparar o Distrito Federal com a média nacional nesta rodada. Os microdados e os painéis por rede e por escola costumam sair em etapas posteriores à divulgação nacional.

Os dados citados nesta reportagem foram divulgados pelo Inep e compilados pela Agência Brasil em 7 de agosto de 2026.

Por que os anos iniciais reagiram primeiro

O padrão observado no Saeb 2025 se repete nas avaliações de aprendizagem aplicadas depois de 2020 em vários países: as etapas iniciais recuperam terreno antes das etapas finais. Crianças do 1º ao 5º ano estavam em fase de alfabetização e de construção das operações básicas quando as escolas fecharam, e são justamente essas habilidades que respondem mais rápido ao ensino presencial e a programas de recomposição.

No ensino médio, o efeito é diferente. O estudante que hoje está no 3º ano cursou o fundamental durante os anos de interrupção e chegou à etapa final com defasagem acumulada em conteúdos que dependem uns dos outros, sobretudo em matemática. Recuperar isso exige mais tempo de escola e trabalho específico sobre o que ficou para trás, não apenas retomada da rotina.

O crescimento de 9,1 pontos em matemática no 5º ano é o maior salto isolado da edição e sustenta boa parte da recuperação da etapa. Já a diferença de 0,1 ponto na nota padronizada dos anos finais mostra uma etapa parada, que funciona como funil entre uma base que melhorou e um topo que não acompanhou.

O que vem depois da divulgação

A divulgação nacional é a primeira camada do Saeb. Depois dela costumam sair os painéis por unidade da federação, por rede e por escola, além dos microdados que permitem recortes próprios. É nessa etapa que gestores estaduais e distritais conseguem comparar o próprio desempenho com a média do país e localizar onde a queda ou o avanço se concentrou.

O resultado do Saeb também alimenta o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que combina proficiência e fluxo escolar. É por esse caminho que a avaliação chega às metas de cada rede e ao debate orçamentário sobre educação.

Para leitores do Distrito Federal, o dado relevante virá no recorte por rede: só a comparação entre a rede pública do DF em 2023 e a mesma rede em 2025 permite afirmar se a capital acompanhou o movimento nacional.

Fonte: Inep, com dados compilados pela Agência Brasil em 7 de agosto de 2026.

Leia também: Ideb 2025: DF é a única rede a cair no ensino médio.

Perguntas frequentes

O que é o Saeb?

É o Sistema de Avaliação da Educação Básica, aplicado pelo Inep a cada dois anos para medir a proficiência dos estudantes em língua portuguesa e matemática.

Quantos alunos participaram do Saeb 2025?

A edição alcançou 5,9 milhões de alunos, em 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas.

O ensino médio melhorou no Saeb 2025?

Houve alta discreta: português passou de 269,1 para 272,3 pontos e matemática, de 263,9 para 268,0 pontos no 3º ano.

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