Uma mulher foi presa em flagrante na 715 Norte enquanto entregava drogas em quadras da Asa Norte usando uma motocicleta com baú de entrega acoplado à garupa, o mesmo equipamento usado por quem trabalha com aplicativos de delivery. A prisão ocorreu na tarde de quarta-feira (29/7), em ação da Polícia Civil do Distrito Federal.
Horas antes, na noite de terça (28/7), um homem havia sido preso no Varjão pelo mesmo método de distribuição, também voltado ao atendimento de moradores da Asa Norte. Nas duas ações, os policiais apreenderam cerca de meio quilo de maconha.
Como o esquema funcionava
O detalhe que expôs a organização do grupo estava na própria embalagem. As porções de maconha encontradas com a suspeita estavam separadas, numeradas em sequência e identificadas com a quadra de destino, num sistema que reproduz a logística de uma entrega comum.
O baú térmico cumpria duas funções: transportar o material e reduzir o estranhamento em uma região com fluxo constante de entregadores. Uma moto com caixa de delivery circulando entre superquadras residenciais à noite não chama atenção de morador nem de porteiro.
As porções estavam embaladas e identificadas com numeração sequencial e a indicação da quadra de destino, segundo o registro da ocorrência.
O que diz a apuração
Os dois presos foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e permanecem à disposição da Justiça. A polícia não divulgou se há vínculo entre eles e a mesma estrutura criminosa, e a investigação segue para identificar quem fornecia o material e quem coordenava as entregas.
O crime de tráfico previsto no artigo 33 da Lei 11.343/2006 tem pena de cinco a 15 anos de prisão, além de multa. A defesa dos dois não havia se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem.
O tráfico por delivery no DF
O modelo de venda com entrega em domicílio ganhou espaço em regiões de renda mais alta do Distrito Federal, onde a boca de fumo tradicional não se sustenta pela vigilância constante e pelo trânsito de moradores. A adaptação usa três recursos:
- aplicativos de mensagem para receber o pedido, com contas descartáveis;
- motocicleta com baú, que padroniza a aparência do entregador;
- embalagens numeradas, que reduzem o tempo de parada em cada endereço.
A dificuldade da fiscalização está justamente na naturalização da cena. Sem denúncia de morador ou monitoramento prévio, a abordagem depende de comportamento suspeito percebido em patrulhamento.
Como denunciar
Denúncias podem ser feitas pelo 197, telefone da Polícia Civil, com garantia de anonimato, ou pelo 190, da Polícia Militar, em casos de flagrante. O disque-denúncia aceita informações sobre ponto de venda, placa de veículo e horário de movimentação, dados que orientam o trabalho das delegacias circunscricionais.
A área da Asa Norte é atendida pela 5ª Delegacia de Polícia. Registros de ocorrência também podem ser feitos pela Delegacia Eletrônica, no site da PCDF, para crimes sem autoria conhecida.
O endurecimento penal contra grupos organizados está em discussão no Congresso, com projeto que inclui crimes de facções na lista de hediondos. A tramitação segue nas comissões da Câmara, sem prazo definido para votação.
Perguntas frequentes
O que aconteceu na Asa Norte?
Uma mulher foi presa em flagrante na 715 Norte em 29 de julho de 2026 usando uma moto com baú de entrega para levar maconha a quadras da Asa Norte. Um homem havia sido preso no Varjão no dia anterior pelo mesmo método.
Quanto de droga a polícia apreendeu?
Cerca de meio quilo de maconha nas duas ações, em porções embaladas, numeradas e identificadas com a quadra de destino.
Como denunciar tráfico de drogas no DF?
Pelo 197, da Polícia Civil, com anonimato garantido, ou pelo 190, da Polícia Militar, em situação de flagrante.








