O ataque hacker à Defesa Civil tirou do ar a plataforma Defesa Civil Alerta na madrugada de 20 de junho, depois que um invasor usou credenciais vazadas de servidores públicos para disparar o falso alerta de “misantropia” a cerca de 30 milhões de pessoas.
A Polícia Federal investiga a invasão e, até esta terça-feira (14), ninguém foi preso. O sistema voltou a operar em 21 de junho, sob novo protocolo de segurança do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad).
Como o hacker entrou no sistema
Levantamento do site especializado TecMundo aponta que o invasor usou credenciais vazadas de três servidores da Defesa Civil do Pará para acessar o IDAP, sistema que emite os alertas enviados aos celulares de todo o país.
A técnica é conhecida como credential stuffing: logins e senhas expostos em vazamentos anteriores são testados em massa até que alguma combinação funcione. Não foi descoberta uma falha nova no software, e sim o reaproveitamento de senhas de servidores reais.
O que aconteceu na noite de 19 de junho
Os primeiros celulares tocaram às 23h41 de sexta-feira (19), em Curitiba. Dali até a madrugada de sábado (20), foram cerca de dez disparos do falso alerta extremo, que soou mesmo em aparelhos no silencioso com a mensagem “Defesa Civil: misantropi4”, lida por muitos como misantropia, palavra que significa aversão à humanidade.
- Cerca de 30 milhões de pessoas receberam a notificação;
- Oito estados foram atingidos, entre eles Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pará, além do Distrito Federal;
- Em Brasília, o alerta tocou por volta de 1h30 de sábado;
- A plataforma foi tirada do ar à 1h30, logo após o disparo que atingiu o DF.
Nas horas seguintes, circulou nas redes a versão de que o alerta seria a divulgação de um álbum ou uma ação de marketing. Nada disso foi confirmado pelas autoridades, que trataram o caso como invasão criminosa desde o primeiro dia.
Investigação da Polícia Federal
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil acionou a PF ainda no dia 20, e a Anatel, responsável pela tecnologia de envio em massa (Cell Broadcast), foi comunicada na própria madrugada. Em nota, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional confirmou a invasão:
A plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da madrugada deste sábado (20/6), após ter sofrido uma invasão e disparado um alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. Provavelmente se trata de um ataque hacker.
No fim de semana do ataque, um domínio com o nome misantropi4 chegou a entrar no ar, e um perfil na rede X que se apresentava como “Misantropo” alegou ser o autor da invasão, ainda segundo o TecMundo. Nenhuma autoria foi confirmada oficialmente.
Sistema voltou ao ar em 21 de junho
O Defesa Civil Alerta foi reativado no domingo (21), com novo protocolo de autorização de envio sob responsabilidade do Cenad. Os alertas oficiais seguem valendo; quem quiser receber os avisos também por mensagem de texto pode se cadastrar enviando o CEP por SMS para o número 40199.
Para entender quando o alerta extremo é disparado e como diferenciar um aviso verdadeiro de um falso, veja o guia do SouBrasília sobre o sistema de alertas da Defesa Civil.
Perguntas frequentes
Quem invadiu o sistema da Defesa Civil?
A autoria não foi confirmada. Um perfil anônimo alegou ser o responsável, mas a Polícia Federal ainda investiga e ninguém foi preso até 14 de julho.
Como o hacker conseguiu acesso?
Com credenciais vazadas de três servidores da Defesa Civil do Pará, usadas para entrar no IDAP, o sistema emissor dos alertas, segundo levantamento do TecMundo.
O Defesa Civil Alerta ainda funciona?
Sim. O sistema voltou ao ar em 21 de junho com novo protocolo de segurança do Cenad, e os alertas oficiais continuam valendo.








