Mãe está há 4 meses sem ver os filhos após ex-marido, condenado por violência doméstica, reter crianças em Brasília

março 18, 2026

Advogada tem guarda unilateral reconhecida pela Justiça, mas não consegue cumprir mandado de busca e apreensão; PM foi acionado quando ela tentou buscar os filhos na escola


Uma advogada denuncia que está há quatro meses sem ver os três filhos — de 4, 9 e 10 anos — mesmo sendo a detentora da guarda unilateral reconhecida judicialmente. As crianças vieram a Brasília no final de 2025 para visitar o pai durante as férias escolares e, desde o dia 12 de dezembro, não retornaram à mãe, que mora na Paraíba. O pai — um médico cirurgião com condenação por violência doméstica — teria impedido o regresso dos meninos, chegando inclusive a matriculá-los em uma escola do Distrito Federal.

“Um pesadelo que nenhuma mãe deveria passar”, é como a própria advogada descreve a situação que enfrenta.

Mandado judicial descumprido e mãe expulsa da escola

Diante da retenção das crianças, a mãe recorreu à Justiça e obteve um mandado de busca e apreensão de menores expedido pela 3ª Vara de Família da Paraíba, determinando o retorno imediato dos filhos ao lar materno. Apesar da decisão, o cumprimento da ordem não foi possível.

Na manhã do dia 9 de março, ela foi pessoalmente até a porta da escola onde os filhos estavam matriculados em Brasília na tentativa de buscá-los. A unidade escolar, no entanto, avisou o pai, que acionou a Polícia Militar. Os agentes se deslocaram até o colégio e retiraram a mãe do local. Ela relatou que, enquanto era afastada, o ex-marido gritava pedindo que ela fosse presa — e as crianças foram rapidamente colocadas dentro de um carro.

A mãe filmou o momento em que, já do lado de fora da escola, conversava com um dos policiais. Visivelmente abalada, ela questiona a abordagem e descreve a humilhação de ser expulsa justamente no momento em que havia alimentado a esperança de rever os filhos após meses de separação forçada.

Dor do silêncio em casa e saudade da filha mais nova

A advogada descreveu à reportagem o sofrimento profundo que tem vivido desde dezembro. Segundo ela, a filha mais nova, de apenas 4 anos, demonstra sentir falta da mãe nas videochamadas e pergunta constantemente quando será buscada.

“Chegar em casa e a casa estar toda arrumada e ficar aquele silêncio, dói tanto. É uma dor imensa. Que crime uma mãe comete ao querer ver os filhos?!”, disse ela.

Histórico: violência doméstica e guarda concedida à mãe

O casal se separou em 2023, após 11 anos de casamento. Naquele mesmo ano, imagens de uma câmera de segurança registraram uma discussão que terminou em agressão física: o homem empurrou a mulher contra a parede duas vezes na presença de um dos filhos. Após cair, a criança correu até a mãe e a abraçou. O episódio resultou na condenação do médico pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal por violência doméstica.

No ano seguinte, a Justiça concedeu à mãe a guarda unilateral das crianças. Na decisão, o juiz reconheceu que os filhos, desde a separação, sempre estiveram sob os cuidados diretos, proteção emocional e rotina estruturada da mãe, concluindo que a permanência com ela atendia melhor aos interesses das crianças. Ao pai foi garantido o direito de visita durante as férias — que era exercido normalmente até dezembro de 2025.

A mãe acredita que a retenção dos filhos é uma forma de vingança do ex-companheiro pela condenação por violência doméstica, e que ele também tenta evitar o pagamento de pensão alimentícia.

Versão do pai: medida protetiva e acusação de violência psicológica

A companheira atual do pai afirmou que o casal possui uma medida protetiva contra a mãe das crianças, alegando que ela estaria cometendo violência psicológica contra os filhos — o que justificaria tanto a retenção das crianças quanto a abordagem policial na escola.

Procurado pela reportagem, o médico informou que o processo tramita em sigilo e preferiu não prestar informações adicionais.

Os nomes dos envolvidos não estão sendo divulgados para preservar a integridade das crianças.