Pacientes da rede pública do Distrito Federal já podem solicitar a troca da insulina NPH pela glargina, de ação prolongada, nas Unidades Básicas de Saúde. O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (13) o início da oferta nacional do medicamento pelo SUS.
Nesta primeira fase, a substituição vale para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e para idosos a partir de 70 anos. O DF ficou entre as primeiras unidades da federação a receber o insumo, na transição iniciada em fevereiro, segundo o Ministério da Saúde.
A insulina glargina é um análogo de ação prolongada. Na maioria dos casos, exige uma única aplicação por dia, contra até três injeções do esquema com a insulina humana NPH, além de oferecer controle mais estável da glicemia e reduzir o risco de hipoglicemia.
Quem tem direito à insulina glargina no SUS
O público contemplado nesta etapa da oferta é definido por idade e tipo de diabetes:
- Crianças e adolescentes de 2 anos até 18 anos incompletos com diabetes tipo 1;
- Pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
Junto com os tubetes do medicamento, o Ministério da Saúde distribui canetas reutilizáveis de aplicação, o que facilita o uso diário, principalmente para quem tem dificuldade com seringas.
Como pedir a troca na UBS
O caminho é a atenção primária. O passo a passo divulgado pelo governo federal funciona assim:
- Procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima com a receita médica emitida e carimbada;
- Passar pela avaliação de uma equipe multiprofissional, que analisa o quadro clínico e a possibilidade de transição;
- Receber o medicamento com as orientações de uso. No caso de menores de idade, pais, responsáveis ou cuidadores podem solicitar a substituição.
Os pacientes “receberão orientações sobre o uso correto da insulina, a técnica de aplicação e o armazenamento adequado do medicamento”, informou o Ministério da Saúde.
A pasta reforça que a mudança não é automática: quem já usa NPH deve manter o tratamento até a avaliação da equipe de saúde, e a indicação depende de prescrição.
Por que a mudança pesa para quem convive com o diabetes
O diabetes tipo 1 é uma condição autoimune em que o pâncreas deixa de produzir insulina. Costuma ser diagnosticado na infância ou na adolescência e exige aplicação do hormônio todos os dias, pela vida inteira. É justamente o público infantojuvenil que entra na primeira fase da oferta.
Já o diabetes tipo 2, mais comum em adultos, nem sempre exige insulina. Quando exige, o controle em idosos é mais delicado: episódios de hipoglicemia nessa faixa etária aumentam o risco de quedas, desmaios e internações. Na faixa dos 70 anos ou mais, a oferta da glargina vale para os dois tipos da doença.
Menos aplicações por dia também significam rotina mais simples para famílias que administram o tratamento de crianças pequenas, com menos furos, menos horários para lembrar e menor chance de erro de dose.
Na hora de ir à unidade, vale levar documento com foto, cartão do SUS e a receita atualizada. A insulina deve ser mantida refrigerada em casa, e a equipe da UBS orienta o transporte e o armazenamento corretos no momento da entrega.
Distribuição nacional termina em julho
Até segunda-feira (13), o Ministério da Saúde havia enviado mais de 254 mil tubetes de insulina glargina para 16 estados, além de 52.350 canetas reutilizáveis. A previsão da pasta é de que todas as unidades da federação estejam abastecidas até o fim de julho.
No DF, a rede da Secretaria de Saúde já vinha recebendo o insumo desde o início da transição, em fevereiro, quando o Ministério da Saúde apontou a capital federal entre as primeiras a fazer a troca do tratamento de diabetes no SUS.
Quem não se enquadra no público desta fase segue com a insulina NPH disponível normalmente na rede pública. A expectativa do governo federal é ampliar o alcance da glargina de forma gradual, conforme o abastecimento avance.
Perguntas frequentes
Preciso pagar alguma coisa pela insulina glargina?
Não. A oferta é gratuita pelo SUS, nas Unidades Básicas de Saúde, mediante receita médica e avaliação da equipe.
Quem usa NPH e tem menos de 70 anos perde o medicamento?
Não. A insulina NPH continua disponível na rede pública. A glargina, nesta fase, é direcionada a crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e idosos a partir de 70 anos.
Qual a vantagem da glargina sobre a NPH?
A ação prolongada permite uma única aplicação diária na maioria dos casos, com controle mais estável da glicemia e menos episódios de hipoglicemia.
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