Zoológico, Ceasa e URE atraem aves e põem voos em risco, diz Cenipa
Relatório do Cenipa aponta o Zoológico, a Ceasa e a URE como áreas que atraem aves perto do aeroporto de Brasília, que teve 52 colisões no 1º semestre.

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O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, apontou o Zoológico de Brasília, a Unidade de Recebimento de Entulho (URE) e a Central de Abastecimento do DF (Ceasa-DF) como locais que podem atrair aves e elevar o risco de colisão com aeronaves no Aeroporto Internacional de Brasília. A informação consta em relatório preliminar divulgado pelo Metrópoles nesta segunda-feira, 2.
Os três pontos ficam dentro da Área de Segurança Aeroportuária (ASA), um raio de 20 quilômetros a partir do centro da maior pista. Ali, o uso e a ocupação do solo sofrem restrições para evitar atividades que atraiam animais.
O que o relatório do Cenipa registra sobre as colisões
O documento foi revisado em outubro, depois que um avião da LATAM bateu em aves na decolagem, em 29 de julho. O voo para Salvador voltou ao aeroporto de origem.
Segundo a reportagem, os números do primeiro semestre de 2026 são estes:
- 52 colisões com aves no Aeroporto de Brasília, seis delas com dano à aeronave;
- 25.639 decolagens no período;
- 2º lugar entre os aeroportos brasileiros em ocorrências e 6º em registros com dano;
- 989 colisões em todo o país envolvendo companhias regulares, 14% com dano.
Em 2025, de acordo com o relatório, as colisões em Brasília passaram de 108 para 147, alta de 36%. As ocorrências com dano subiram de 8 para 18, aumento de 125%.
Na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, porém, a taxa de colisões por 10 mil ciclos de operação caiu 29%. A taxa de ocorrências com dano recuou 50%. No país, pouso e aproximação concentram 58% dos casos e decolagem e subida, 32%.
Por que o zoológico aparece no documento
O Zoológico de Brasília recebe destaque no texto pela capacidade de atrair espécies que oferecem risco à aviação. A Inframerica, concessionária do aeroporto, afirmou que, entre os focos atrativos de fauna dentro da ASA, o zoológico é o mais próximo da pista. Os textos consultados não trazem posicionamento do zoológico. Quem quiser planejar uma visita ao parque encontra horários e ingresso no guia do Zoológico de Brasília.
A Lei 12.725/2012 proíbe ou condiciona atividades que atraem animais nessas áreas. Segundo o Cenipa, porém, ela ainda depende de decreto de regulamentação para definir fiscalização, avaliação de risco e apuração de infrações. A discussão começou em 2013, e a minuta aguardava a assinatura do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Há ainda uma limitação: a Inframerica só pode fazer ações educativas fora dos limites do aeroporto. As intervenções nos locais apontados cabem às autoridades públicas responsáveis.
O que a Inframerica faz para afastar as aves
Segundo o relatório, a concessionária acompanha a roçagem, maneja animais, aplica agrodefensivos, monitora e controla ninhos e participa da Comissão de Gerenciamento do Risco da Fauna. No primeiro semestre, fez 893 ações de afugentamento, somando 3.364 minutos de monitoramento. Usa veículos, sirenes, buzinas e cães de trabalho. Desde 2021, dois cães treinados ajudam a espantar as aves.
A empresa disse ao Metrópoles que os números apresentados pelo Cenipa não são um indicador adequado para medir desempenho ou nível de risco.
Outra frente é um guia de gerenciamento do risco de fauna perto de aeródromos, do projeto SAC Risco de Fauna, da Secretaria Nacional de Aviação Civil com a UFSC. O material está em ajustes finais e ainda não foi divulgado.
O documento é preliminar, e as conclusões podem mudar na versão final. Sobre o entorno do aeroporto, veja também a área de segurança especial do aeroporto de Brasília. Fonte: Metrópoles, com base no relatório do Cenipa.






