O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, classificou o Aeroporto Internacional de Brasília como área de segurança especial. O ato foi formalizado pela Portaria 56/2026, publicada nesta quarta-feira, 19 de agosto, e alcança todo o perímetro externo do terminal, na região do Lago Sul.
A classificação é um instrumento administrativo que a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) usa para tratar um ponto do território como prioridade permanente de policiamento. Na prática, o aeroporto passa a admitir a adoção de medidas específicas de segurança, o reforço do efetivo policial e o controle de manifestações na área externa.
O que muda para quem passa pelo terminal
A mudança mais concreta para o passageiro está no monitoramento. Com a inclusão do aeroporto na área de segurança especial, a SSP-DF vai integrar o sistema de videomonitoramento do terminal ao Programa DF 360, incluindo a identificação facial. A concessionária Inframerica, que administra o aeroporto, compartilhará as imagens das câmeras com o projeto do governo.
É essa integração que muda o alcance da fiscalização. Hoje, uma pessoa procurada pela Justiça que desembarque em Brasília só é identificada se houver abordagem. Com as câmeras conectadas ao DF 360 e ao banco de imagens, o reconhecimento passa a ser automático no momento em que o foragido circula pelo saguão de desembarque.
O DF 360 é o programa de videomonitoramento integrado do GDF e já responde por prisões no Plano Piloto. Em agosto, o sistema levou à captura de um condenado por estupro na Rodoviária do Plano Piloto, depois que o reconhecimento facial apontou coincidência com o cadastro de procurados.
Quem responde por cada parte do aeroporto
A portaria não altera a divisão de competências dentro do terminal. A área interna do aeroporto, que inclui a sala de embarque, o setor restrito e o pátio de aeronaves, permanece sob jurisdição da Polícia Federal, responsável pelo controle migratório e pela segurança da aviação civil.
A SSP-DF assume a segurança a partir da saída da área restrita e em todo o perímetro externo: estacionamentos, vias de acesso, pontos de embarque e desembarque de passageiros e o entorno do complexo. É nessa faixa que se concentram os furtos de veículos, os roubos a passageiros que aguardam transporte e os golpes aplicados por falsos taxistas.
Segundo Patury, a iniciativa “contribui para a manutenção da ordem pública, a prevenção de delitos e o aumento da segurança viária e patrimonial no entorno”. O secretário aponta como beneficiados passageiros, motoristas, caminhoneiros, funcionários e visitantes que circulam pela região.
Por que o aeroporto entrou na lista
O Aeroporto Internacional de Brasília é o terceiro mais movimentado do país e funciona como o principal entroncamento aéreo do Centro-Oeste, com voos de conexão para todas as regiões. O volume de circulação torna o terminal um ponto sensível por dois motivos combinados: a concentração de bagagem e de dinheiro em espécie e a facilidade de entrada e saída rápida do Distrito Federal.
A condição de área de segurança especial já havia sido aplicada pela SSP-DF na região central de Brasília, em portaria anterior. O instrumento permite que a secretaria justifique administrativamente a alocação permanente de efetivo em um ponto específico, sem depender de uma operação pontual com prazo determinado.
O controle de manifestações citado no texto tem efeito direto sobre o aeroporto. O terminal é a porta de entrada de autoridades federais em Brasília e já foi palco de aglomerações e atos políticos, que passam a ter tratamento previsto na norma.
O que fazer se você for vítima de crime no aeroporto
- Crime ocorrido dentro da área restrita, no embarque ou no pátio de aeronaves: acionar a Polícia Federal, que mantém posto no terminal.
- Crime ocorrido no estacionamento, nas vias de acesso ou no desembarque externo: acionar a Polícia Militar pelo 190 ou registrar ocorrência na delegacia da circunscrição.
- Registro sem sair de casa: a Delegacia Eletrônica da PCDF aceita boletim de ocorrência de furto de objetos, documentos e celular pelo site da corporação.
- Objeto extraviado em voo: a responsabilidade é da companhia aérea, e a reclamação deve ser aberta no balcão da empresa antes de deixar a área de bagagens.
A SSP-DF não informou prazo para a conclusão da integração das câmeras do aeroporto ao DF 360. O GDF afirma que o programa reúne cerca de 15 mil câmeras espalhadas pelo Distrito Federal, número citado pela governadora Celina Leão ao tratar de segurança pública em agosto.








