Careca do INSS: PF apreende carros de luxo em Brasília

julho 21, 2026
Carro esportivo preto estacionado em garagem escura de prédio

A Polícia Federal apreendeu nesta terça-feira (21/7) três carros de luxo de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, guardados na garagem de um prédio de Brasília. A ordem partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator da Operação Sem Desconto.

Segundo a Gazeta do Povo, os três veículos juntos podem valer até R$ 3 milhões. A decisão que autorizou a busca foi expedida na semana passada.

Foram recolhidos pelos agentes:

  • um Audi R8 V10;
  • uma BMW M5;
  • um Opala Diplomata de colecionador.

De acordo com o Correio Braziliense, a operação apura os crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e dilapidação de bens.

Careca está preso na Papuda desde setembro

Antunes foi preso em setembro de 2025 e cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Em janeiro, ele foi transferido para o Bloco V do presídio, área reservada para isolá-lo da população carcerária geral, segundo o Correio Braziliense.

Antes das investigações, o empresário atuava como lobista de entidades associativas e chegou a ser apontado como operador central do esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo o Correio Braziliense, ele havia sido superintendente de marketing de uma operadora de planos de saúde e detinha procurações de associações para cobrar mensalidades diretamente dos benefícios, sem aval dos segurados.

As investigações estimam que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 6 bilhões em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas de todo o país.

Não é a primeira vez que bens ligados a Antunes vão parar nas mãos da Justiça. O Correio Braziliense lembra que uma operação anterior já havia apreendido R$ 287 mil em espécie com o grupo investigado.

Indiciamento na semana passada

A apreensão ocorre uma semana depois de a PF indiciar, em 14 de julho, 48 pessoas por envolvimento no esquema. Na lista estão o próprio Antunes e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, acusados de integrar organização criminosa montada para viabilizar os descontos ilegais.

A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 e se tornou uma das maiores investigações sobre fraude previdenciária já feitas no Brasil. Os desdobramentos passam por Brasília: a PF já indiciou donos de igrejas do DF por desvio milionário ligado às entidades associativas e identificou lavagem de R$ 304 milhões em um sobrado no Recanto das Emas.

O que diz a defesa

Em nota divulgada à imprensa, a defesa do empresário afirmou que os carros sempre estiveram à disposição da Justiça:

“A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes informa que comunicou nos autos, em outubro de 2025, a existência de veículos que não haviam sido apreendidos apesar da ordem judicial. Na ocasião, de modo a afastar qualquer alegação de dilapidação ou ocultação patrimonial, indicou a localização dos bens e colocou-se à disposição para a sua retirada. Desde então, a defesa reiterou a informação em diversas oportunidades, mantendo os veículos permanentemente à disposição da autoridade policial para apreensão”, diz o texto, reproduzido pela Agência Brasil.

Relembre a Operação Sem Desconto

A investigação avançou em etapas ao longo dos últimos 15 meses:

  1. Abril de 2025: a PF e a CGU deflagram a Operação Sem Desconto e expõem o esquema de descontos associativos não autorizados;
  2. Setembro de 2025: Antunes é preso preventivamente, no período em que a CPMI do INSS apurava as fraudes no Congresso;
  3. Outubro de 2025: a defesa comunica nos autos a existência de veículos ainda não apreendidos, segundo a própria nota divulgada nesta terça;
  4. Janeiro de 2026: o empresário é transferido para o Bloco V da Papuda;
  5. 14 de julho de 2026: a PF indicia 48 investigados, entre eles Antunes e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto;
  6. 21 de julho de 2026: os três carros de luxo são apreendidos em Brasília.

Próximos passos

Os veículos apreendidos ficam à disposição da Justiça e podem ser leiloados para ressarcir os cofres públicos, a depender de decisão do STF. O inquérito segue sob relatoria de Mendonça, que também analisa os indiciamentos apresentados pela PF na semana passada.

Aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos seguem recebendo ressarcimento pelo acordo firmado entre o governo federal e o INSS. O pagamento é feito na folha do benefício, sem necessidade de ação judicial.

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