A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta quarta-feira (16) a Operação Arcanum, contra um grupo suspeito de extorquir usuários de uma plataforma de relacionamento para casais liberais com a ameaça de divulgar conteúdo íntimo. Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão, três deles no Mato Grosso e um em Santa Catarina.
A ação é conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor). As investigações começaram depois que vítimas do DF procuraram a polícia relatando cobranças feitas por criminosos que diziam ter imagens íntimas e ameaçavam enviá-las a familiares, colegas de trabalho e pessoas próximas.
Como o esquema funcionava
Segundo a apuração, os suspeitos obtinham imagens íntimas de usuários de uma plataforma voltada a casais liberais e, na sequência, exigiam pagamento em dinheiro para não compartilhar o material. A escolha do ambiente não é acidental: em plataformas desse perfil, a exposição pública tem custo social alto para a vítima, o que aumenta a chance de pagamento.
O crime é tipificado como extorsão, previsto no artigo 158 do Código Penal, com pena de 4 a 10 anos de reclusão e multa. Quando há divulgação efetiva de conteúdo íntimo sem consentimento, incide também o artigo 218-C, incluído pela Lei 13.718/2018.
Por que as vítimas não denunciam
A extorsão sexual digital, conhecida como sextorsão, é subnotificada justamente porque a denúncia implica relatar a existência do material. Delegacias especializadas em crimes cibernéticos orientam que o caminho é o oposto do que o criminoso espera:
- não pagar, porque o pagamento sinaliza disposição e costuma gerar novas cobranças;
- não apagar as conversas, que são a prova principal;
- registrar prints com data, horário e identificação do perfil;
- guardar comprovantes de qualquer transferência já feita;
- registrar ocorrência, inclusive pela Delegacia Eletrônica da PCDF;
- bloquear o contato apenas depois de preservar o material.
O que a lei garante à vítima
A vítima de divulgação não consentida de conteúdo íntimo pode pedir a remoção do material em plataformas digitais com base no Marco Civil da Internet, que permite a retirada mediante notificação da própria pessoa, sem necessidade de ordem judicial prévia nesse tipo específico de conteúdo. O pedido de responsabilização criminal corre em paralelo.
O inquérito da Operação Arcanum segue na DRCC. Os presos respondem pelos crimes apurados e mantêm a condição de suspeitos até decisão judicial transitada em julgado. A PCDF não divulgou o valor total extorquido nem o número de vítimas identificadas até a publicação desta reportagem.
Denúncias sobre crimes cibernéticos no DF podem ser feitas pelo 197 ou pela Delegacia Eletrônica, no site da Polícia Civil do Distrito Federal, com sigilo garantido ao denunciante.








