Interdições em clínicas de estética no DF crescem 594% em três anos

setembro 17, 2026
Profissional de saude aplica injetavel no rosto de paciente em clinica

A Vigilância Sanitária do Distrito Federal chegou a 125 interdições em clínicas e estabelecimentos de estética em 2026, o maior número já registrado pelo órgão no DF. O volume representa alta de 594% em três anos: em 2024, foram 18 interdições. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (16) e reunidos pelo Jornal de Brasília e pelo Metrópoles.

Só neste ano, a Diretoria de Vigilância Sanitária realizou 2.655 fiscalizações no setor e apreendeu 1.524 frascos de produtos irregulares. Em 2025, foram 1.311 fiscalizações, 155 interdições entre totais e parciais e 957 frascos de injetáveis irregulares recolhidos. Em 2024, o número de clínicas fiscalizadas foi de 443.

O que explica o salto

O órgão aponta três fatores para o avanço entre 2025 e 2026:

  • crescimento no número de clínicas de estética em funcionamento no DF;
  • aumento das denúncias recebidas pelo Participa DF, com 149 manifestações registradas na Ouvidoria;
  • operações especiais de fiscalização voltadas especificamente ao segmento.

Segundo o balanço, 8% dos estabelecimentos interditados permanecem fechados, enquanto 92% regularizaram a situação e voltaram a funcionar.

Salão de beleza não pode aplicar injetável

A diretora da Vigilância Sanitária do DF, Márcia Olivé, reforçou o limite legal da atividade dos salões.

A Vigilância Sanitária também adverte que os salões de beleza, classificados como estabelecimentos de risco médio, só podem exercer atividades de embelezamento básico, como tintura de cabelo, corte, manicure, pedicure, entre outras.

Procedimentos invasivos, como aplicação de preenchedores e toxina botulínica, exigem estabelecimento classificado como serviço de saúde, com responsável técnico habilitado e licença sanitária específica. A regra já havia sido objeto de alerta do órgão nesta semana, em nota sobre a aplicação de injetáveis em salões de beleza.

Como o consumidor verifica antes do procedimento

A biomédica especialista em estética avançada Melissa Brum aponta o que o cliente deve exigir antes de aceitar qualquer aplicação.

Esse produto deve conter o lote, verificação, registro da Anvisa e ele deve estar regularizado diante da vigilância sanitária.

A checagem prática cabe em quatro perguntas:

  1. o estabelecimento tem licença sanitária afixada e válida?
  2. quem aplica é profissional habilitado para o procedimento?
  3. o frasco tem lote, validade e registro da Anvisa visíveis?
  4. o produto foi aberto na frente do cliente?

Quem responde quando dá errado

O advogado Diego Rodrigo lembra que a responsabilidade civil independe de culpa do profissional no caso de serviço defeituoso.

O fornecedor de serviços responde pelos danos decorrentes de falha na prestação do serviço

Denúncias sobre estabelecimentos irregulares podem ser feitas pelo Participa DF, canal de ouvidoria do GDF, ou pelo telefone 162. A Vigilância Sanitária informa que cada manifestação gera procedimento de verificação.

Próximos passos

A Secretaria de Saúde do DF mantém as operações especiais no segmento, agora em conjunto com a Anvisa em parte das ações. Com 125 interdições até setembro e 2.655 fiscalizações no ano, o ritmo de 2026 já supera com folga todo o ano anterior, e o balanço final deve ser fechado em dezembro.

Faz parte da rede de portais NYX · Distrito News — noticias do Distrito Federal