O União Brasil decidiu não apoiar nenhum candidato à Presidência da República em 2026. A posição foi aprovada em convenção nacional nesta terça-feira (4) e libera os diretórios estaduais para montar coligações conforme o quadro de cada unidade da federação, incluindo o Distrito Federal.
A decisão vale para a legenda que integra, desde março de 2026, a federação União Progressista, formada com o Progressistas (PP). O PP já havia oficializado a neutralidade em 31 de julho, o que alinha as duas siglas na maior bancada do Congresso Nacional.
O que a convenção aprovou
O texto aprovado não veda apoio a candidaturas majoritárias nos estados. A neutralidade se restringe à disputa presidencial. Na prática, um diretório pode compor com um bloco na eleição a governador e com outro em uma chapa ao Senado, sem que isso configure descumprimento da orientação nacional.
“Tenho consciência do peso político que a Federação União Progressista tem nacionalmente e que temos nomes extremamente preparados para todos os cargos. A posição que estamos adotando reflete a nossa maturidade política”, afirmou o presidente do partido, Antonio Rueda.
A leitura da direção é aritmética. Uma federação com bancada expressiva na Câmara e no Senado tem mais a perder em uma disputa nacional polarizada do que a ganhar com apoio antecipado a um dos polos, sobretudo quando integrantes do partido ocupam cargos em governos estaduais de campos opostos.
A maior bancada do Congresso
A federação União Progressista teve o registro aprovado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral em março de 2026 e soma 109 deputados federais e 15 senadores, o que a torna a maior bancada da Câmara e uma das maiores do Senado. O comando é dividido entre Antonio Rueda, do União Brasil, e o senador Ciro Nogueira, do Progressistas.
Uma federação partidária funciona como um único partido perante a Justiça Eleitoral por, no mínimo, quatro anos. Isso vale para o registro de candidaturas, para a atuação parlamentar e para a divisão do tempo de propaganda e da cota do fundo eleitoral. É por isso que a definição sobre a Presidência precisa sair da instância nacional: ela vincula as duas siglas ao mesmo tempo.
O tamanho da bancada é também o motivo da cautela. Quanto maior a federação, maior a chance de haver, dentro dela, aliados e adversários do mesmo palanque estadual. Neutralidade nacional evita que o comando tenha de escolher entre dois governadores da própria base.
O efeito no Distrito Federal
No DF, a neutralidade nacional dá margem de manobra ao diretório local em um ano de eleição para governador, senador, deputado distrital e deputado federal. Sem amarra presidencial, a sigla pode negociar espaço em chapas majoritárias distintas e concentrar esforço na formação da lista proporcional, que define o tamanho da bancada distrital.
Na Câmara Legislativa, o deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil) tem assento na atual legislatura. Em pesquisa espontânea Correio/Opinião divulgada nesta quarta-feira, ele aparece com 1,1% das citações para a disputa distrital, em um cenário no qual 62,2% dos entrevistados ainda não souberam apontar candidato.
- O que foi decidido: neutralidade na eleição presidencial de 2026;
- O que ficou liberado: coligações estaduais definidas pelos diretórios;
- Quem já havia decidido o mesmo: o Progressistas, em 31 de julho;
- Quando começou a federação: março de 2026, com o nome União Progressista;
- Tamanho: 109 deputados federais e 15 senadores.
O calendário eleitoral segue com as convenções partidárias e, na sequência, com o pedido de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral. Só depois desse prazo o quadro de apoios fica formalmente definido.
Com informações da Agência Brasil e do Tribunal Superior Eleitoral. Leia também: TCU envia ao TSE lista com 6,1 mil gestores de contas rejeitadas.








