Três em cada quatro eleitores do Distrito Federal defendem a condenação e a prisão dos responsáveis pela fraude bilionária no BRB, segundo a segunda onda da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, divulgada nesta quarta-feira (5/8). O apoio à punição chegou a 75,8% dos entrevistados.
Na direção oposta, 17,4% afirmaram que os envolvidos não devem ser condenados e presos. Outros 6,8% não souberam responder. O levantamento ouviu eleitores entre 30 de julho e 1º de agosto, em 31 das 33 regiões administrativas do DF, e tem margem de erro de 3,3 pontos percentuais. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número DF-04077/2026.
O tema entrou no questionário porque o caso do banco público do DF virou o assunto de maior repercussão política na capital neste semestre. A Operação Compliance Zero apura a compra, pelo BRB, de títulos ligados ao Banco Master descritos pelos investigadores como inexistentes, fraudulentos ou de recuperação difícil, com prejuízo estimado na casa dos bilhões de reais.
Metade diz que o caso vai pesar no voto
A pesquisa também mediu o efeito eleitoral do escândalo. Para 48,7% dos entrevistados, as denúncias vão influenciar a escolha do candidato em outubro. É quase metade do eleitorado do DF admitindo que leva o assunto para a urna, num ano em que a capital elege governador, dois senadores, deputados federais e 24 deputados distritais.
O número ajuda a explicar por que o caso não sai da agenda da Câmara Legislativa e do governo local. A CLDF retomou as sessões em 4 de agosto com o orçamento e o BRB no centro da pauta, e o banco convocou assembleia de acionistas para 24 de agosto, quando serão discutidas medidas judiciais contra ex-dirigentes. O Governo do Distrito Federal assinou, na semana passada, acordo que trata da recomposição patrimonial da instituição.
- A favor da condenação e prisão: 75,8%
- Contra: 17,4%
- Não souberam responder: 6,8%
- Dizem que o caso influencia o voto: 48,7%
- Período de coleta: 30 de julho a 1º de agosto de 2026
- Margem de erro: 3,3 pontos percentuais
- Registro na Justiça Eleitoral: DF-04077/2026
O que está em apuração
A Operação Compliance Zero investiga a aquisição de carteiras de crédito e títulos privados que teriam sido comprados acima do valor real ou sem lastro. O caso corre em mais de uma frente: há apurações criminais, medidas no âmbito do Tribunal de Contas e discussão societária sobre a responsabilização de ex-administradores do banco, controlado pelo GDF.
O BRB tem sustentado que adotou medidas de governança depois que as irregularidades vieram à tona, incluindo a troca do comando e a contratação de auditoria externa. Os ex-dirigentes citados negam irregularidade e afirmam que as operações seguiram os ritos internos da instituição. Nenhum dos investigados foi condenado até agora, e todos respondem em liberdade.
Para o eleitor do DF, o assunto tem peso direto: o BRB é o banco onde o GDF movimenta folha de pagamento, arrecadação e programas sociais, e o governo distrital é o acionista majoritário. Perda patrimonial na instituição atinge o caixa que banca serviço público na capital.
A pesquisa Correio/Opinião ouviu eleitores em 31 das 33 regiões administrativas do Distrito Federal, com registro DF-04077/2026 na Justiça Eleitoral.
Como a pesquisa foi feita
O instituto Opinião Inteligência Política aplicou o questionário em campo, em domicílios e pontos de fluxo, na segunda rodada de um painel contratado pelo Correio Braziliense para acompanhar a eleição no DF. A primeira onda foi a campo em 17 de junho. Pesquisas eleitorais precisam de registro prévio na Justiça Eleitoral, com a divulgação do contratante, do valor, da metodologia e do plano amostral, conforme exige a legislação eleitoral.
Números de intenção de voto da mesma rodada mostraram disputas ainda abertas para o Senado e para a Câmara Legislativa, com parcela relevante de indecisos. O calendário eleitoral segue com as convenções partidárias até 5 de agosto e o registro de candidaturas até 15 de agosto.
Pesquisa registrada não é pesquisa auditada voto a voto. O registro obriga o instituto a depositar na Justiça Eleitoral o plano amostral, o questionário aplicado, o nome do contratante e o valor pago, e permite que partidos e candidatos peçam a impugnação do levantamento se identificarem falha metodológica. A divulgação de pesquisa sem registro prévio é infração eleitoral.
O que ainda pode mudar no caso
A frente societária é a que tem data marcada. Na assembleia de 24 de agosto, os acionistas do BRB decidem sobre a propositura de ação de responsabilidade contra ex-administradores, o que abriria caminho para cobrança de prejuízo no patrimônio pessoal dos citados. Uma segunda frente corre no Judiciário, com apurações criminais em andamento e sem denúncia recebida contra a maior parte dos investigados.
Também está em curso a discussão sobre a recomposição de capital do banco e sobre o alcance das garantias oferecidas nas operações questionadas. Enquanto isso não é resolvido, o GDF segue como acionista majoritário de uma instituição que responde pela folha de servidores e pelo pagamento de programas sociais distritais.
Leia também: BRB convoca assembleia para 24 de agosto e discute medidas judiciais contra ex-dirigentes.
Perguntas frequentes
Quantos entrevistados defendem a prisão dos responsáveis pela fraude no BRB?
75,8% dos eleitores ouvidos pela pesquisa Correio/Opinião defendem a condenação e a prisão dos responsáveis. Outros 17,4% são contra e 6,8% não souberam responder.
Quando a pesquisa foi feita e qual a margem de erro?
A coleta ocorreu entre 30 de julho e 1º de agosto de 2026, em 31 das 33 regiões administrativas do DF. A margem de erro é de 3,3 pontos percentuais, e o registro na Justiça Eleitoral é o DF-04077/2026.
O caso do BRB influencia o voto no DF?
Para 48,7% dos entrevistados, as denúncias sobre o BRB vão influenciar a escolha do candidato na eleição de outubro de 2026.








