Brasil e EUA retomam negociação do tarifaço com sobretaxa de 37,5%

agosto 3, 2026
Guindastes e contêineres empilhados em terminal portuário ao pôr do sol

O governo brasileiro pretende retomar em agosto a negociação com os Estados Unidos sobre a sobretaxa aplicada a produtos nacionais, que chegou a 37,5%. O objetivo declarado é reduzir a alíquota e ampliar a lista de itens isentos, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A sobretaxa foi montada em duas etapas: uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e, depois, um acréscimo de 12,5%. As conversas devem ser retomadas com as tarifas já plenamente em vigor, o que muda a posição das duas delegações na mesa.

Quem negocia de cada lado

A interlocução brasileira é conduzida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Do lado americano, o negociador é o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, chefe do escritório conhecido pela sigla USTR.

O último encontro de alto nível entre os dois governos ocorreu em julho. A pauta brasileira tem dois pontos principais:

  • redução do percentual da sobretaxa hoje aplicada;
  • ampliação da lista de produtos excluídos da cobrança.

Por que a lista de exceções pesa

A lista de exceções é o instrumento que decide, na prática, quanto da pauta exportadora brasileira sente a tarifa. Um produto excluído entra no mercado americano nas condições anteriores. Um produto na lista cheia perde competitividade diante de concorrentes de países sem sobretaxa equivalente.

Por isso, a negociação por exceções costuma avançar mais rápido do que a negociação pela alíquota geral: ela permite acordo setor a setor, sem que nenhum dos dois governos precise recuar publicamente do percentual anunciado.

O que está em jogo para quem exporta

Os Estados Unidos são um dos principais destinos das exportações brasileiras de manufaturados, categoria que emprega mais por dólar exportado do que a de commodities. É esse perfil que explica a pressão de entidades industriais por uma solução negociada rápida.

Enquanto não há acordo, o exportador tem três caminhos, todos com custo: absorver a tarifa na margem, repassar ao comprador americano ou redirecionar volume para outros mercados. As três saídas reduzem receita no curto prazo.

O calendário também pesa. Contratos de fornecimento com entrega no segundo semestre foram fechados antes da sobretaxa, e a diferença de preço recai sobre quem já se comprometeu a entregar.

Próximos passos

Não há data anunciada para a próxima rodada formal entre os dois governos. O governo brasileiro trabalha com a hipótese de novas reuniões técnicas ao longo de agosto, antes de qualquer encontro de alto nível.

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Perguntas frequentes

De quanto é a sobretaxa americana sobre produtos brasileiros?

A sobretaxa chegou a 37,5%, formada por uma tarifa de 25% e um acréscimo posterior de 12,5%.

O que o Brasil quer negociar?

A redução da alíquota e a ampliação da lista de produtos isentos da cobrança.

Quem conduz a negociação?

Pelo Brasil, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Pelos Estados Unidos, o representante de Comércio Jamieson Greer, do USTR.

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