O Distrito Federal chega a agosto com 2.320 incêndios em vegetação registrados em 2026, segundo levantamento do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF), e entra no bimestre que historicamente concentra o maior volume de ocorrências do ano na capital.
Os dados, divulgados pelo Correio Braziliense, mostram a aceleração provocada pela estiagem. Foram 468 ocorrências de janeiro a abril, 589 em maio e 554 em junho. Só entre 1º e 23 de julho, o CBMDF contabilizou 691 registros, mais do que qualquer mês fechado do ano até aqui.
O histórico recente explica por que agosto e setembro preocupam. Em 2024, agosto teve 2.065 incêndios em vegetação e setembro, 2.851. Em 2025, ano de queda geral, agosto ainda registrou 1.826 casos e setembro, 1.361. O ano de 2025 fechou com 6.488 ocorrências, contra 8.545 em 2024.
O que o GDF montou para a temporada seca
A estrutura de resposta é a Operação Verde Vivo 2026, lançada em 26 de maio e coordenada pelo CBMDF, com participação do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e de brigadistas contratados para as unidades de conservação.
“Anualmente, o CBMDF realiza a OPVV entre abril e novembro, com o objetivo de prevenir e combater os incêndios florestais no DF”, afirmou o capitão Jean Charles, do Corpo de Bombeiros, ao Correio Braziliense.
Segundo a corporação, a operação pode mobilizar até 1 mil militares dedicados exclusivamente ao combate a incêndios florestais no auge do período crítico. O aparato inclui:
- 35 viaturas especializadas em incêndio florestal;
- dois aviões Air Tractor e um helicóptero;
- drones, monitoramento por satélite e câmeras instaladas na Torre de TV Digital;
- postos avançados em Gama, Samambaia, Brazlândia, Santa Maria, Planaltina e São Sebastião.
O DF opera sob estado de emergência ambiental desde o Decreto nº 48.599, de 14 de maio de 2026, com vigência de abril a dezembro. O instrumento acelera a contratação de brigadistas e a mobilização dos órgãos responsáveis pelo enfrentamento ao fogo, sobretudo em parques e unidades de conservação. Em 2025, a Verde Vivo fechou com redução de 24,07% nas ocorrências e de 28,73% na área queimada em relação a 2024.
O alerta para 2026 vem do clima. O GDF citou a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) de formação de El Niño no segundo semestre, fenômeno que tende a reduzir a chuva e elevar a temperatura no Centro-Oeste, ampliando a janela de risco.
Quase todo incêndio no DF começa com uma ação humana
Nos últimos anos, praticamente a totalidade dos incêndios florestais combatidos pelo Corpo de Bombeiros no DF teve causa humana, seja por descuido, seja por ação criminosa. A gestora ambiental e pesquisadora da Universidade de Brasília Paloma Ludmyla resume o problema no detalhe pequeno.
“Parece redundante falar, mas cada pequeno gesto pode fazer muita diferença. Quando o clima está quente e seco, até um caco de vidro pode superaquecer e iniciar um incêndio”, disse a pesquisadora.
Ela também aponta o risco do aceiro improvisado. “Em algumas propriedades, o mato se avoluma e algumas pessoas tentam fazer o aceiro sem técnica, e isso é muito perigoso”, afirmou. Sobre a fumaça, a avaliação é a mesma: “dependendo do material que está queimando, pode ser bastante tóxica e conter substâncias químicas”.
As orientações de prevenção para quem tem lote, chácara ou terreno baldio são diretas:
- limpar o terreno com roçadeira ou trator, nunca com fogo;
- não fazer fogueira nem queimada recreativa em período seco;
- recolher vidro, lixo e material inflamável acumulado;
- manter aceiro apenas com orientação técnica.
Onde denunciar foco de incêndio
A emergência é atendida pelo 193, número do Corpo de Bombeiros. Denúncias de queimada irregular podem ser feitas à Ouvidoria do GDF, pelo 162, ao Ibram e à Polícia Militar Ambiental. Quem mora perto de área de mata deve informar ponto de referência e acesso ao local, porque o tempo de chegada da guarnição depende disso.
Atear fogo em mata ou floresta é crime pela Lei nº 9.605/1998. O artigo 41 prevê reclusão de dois a quatro anos e multa na modalidade dolosa. Se a conduta for culposa, sem intenção, a pena vai de seis meses a um ano de detenção, além de multa.
Quem quiser entender o passo a passo da denúncia e os cuidados no tempo seco encontra o detalhamento em queimadas no DF: como denunciar e cuidados no tempo seco. O comportamento do bioma, que ajuda a explicar a velocidade do fogo no Cerrado, está em por que o Cerrado pega fogo.
A próxima referência para o morador é o boletim diário de umidade relativa do ar. Índices abaixo de 30% mantêm o alerta da Defesa Civil e elevam o risco de propagação rápida em qualquer ponto de vegetação seca da cidade.
Perguntas frequentes
Quantos incêndios em vegetação o DF registrou em 2026?
São 2.320 ocorrências acumuladas no ano, segundo levantamento do CBMDF: 468 de janeiro a abril, 589 em maio, 554 em junho e 691 entre 1º e 23 de julho.
Qual o telefone para denunciar queimada no DF?
Em emergência, o 193 do Corpo de Bombeiros. Para denúncia de queimada irregular, a Ouvidoria do GDF pelo 162, o Ibram e a Polícia Militar Ambiental.
Qual a pena para quem provoca incêndio em vegetação?
Pela Lei nº 9.605/1998, artigo 41, a pena é de dois a quatro anos de reclusão e multa quando há intenção. Na forma culposa, de seis meses a um ano de detenção e multa.








