A Uefa e suas 55 federações filiadas aprovaram por unanimidade, nesta quinta-feira (30), o boicote à Copa do Mundo e a todas as competições da Fifa em protesto contra o plano da entidade de vender participação acionária de uma subsidiária a investidores privados. A decisão foi anunciada após reunião das associações europeias e ampliada no mesmo dia por outras duas confederações.
A entidade europeia afirmou em comunicado que rejeita a proposta de transferir cotas da Copa do Mundo e de outros torneios para o capital privado. “A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento”, diz o texto divulgado pela Uefa, segundo reportagem da BBC. “A Copa do Mundo não está à venda.”
A votação atinge diretamente a estrutura de poder do futebol mundial. A Fifa tem 211 associações filiadas, e as federações que já se posicionaram contra o plano somam a maior parte delas.
O que a Fifa quer vender
O plano apresentado pela direção da Fifa prevê a criação de uma subsidiária, batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE), que passaria a administrar competições da entidade e receberia investidores externos. Segundo a BBC, a proposta oferece US$ 40 milhões às associações filiadas, com US$ 20 milhões pagos de forma inicial.
O ponto central da crise é quem controla o torneio mais lucrativo do calendário esportivo. Ao abrir o capital de uma subsidiária, a Fifa transferiria a investidores parte da receita e da influência sobre competições que hoje pertencem às federações associadas.
Procurada, a Fifa foi questionada sobre a declaração da Uefa e não havia se manifestado formalmente até a publicação das reportagens sobre o caso. Também não há resposta pública do presidente da entidade, Gianni Infantino.
Concacaf e AFC reforçam a pressão
A Concacaf, que reúne o futebol da América do Norte e Central e sediou a Copa de 2026 ao lado do México e do Canadá, informou que suas 41 associações também rejeitaram a proposta. A confederação registrou “profunda preocupação com a falta de devido processo legal” na condução do plano.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC), que reúne 47 federações, afirmou estar decepcionada por não ter sido consultada antes de o plano se tornar público. A entidade enviou carta às suas filiadas antes da votação europeia.
- Uefa: 55 federações, voto unânime pelo boicote
- Concacaf: 41 associações rejeitaram a proposta
- AFC: 47 federações, cobrança formal por falta de consulta
- Fifa: 211 filiadas no total
O que acontece agora
O boicote anunciado é condicional: vale enquanto a Fifa mantiver o plano de venda. Na prática, a decisão joga a disputa para as próximas reuniões dos órgãos da entidade, já que a criação da subsidiária depende de aprovação nas instâncias internas e do apoio das confederações continentais.
Nenhuma competição em andamento foi suspensa até o momento, e a Fifa não anunciou mudança de calendário. As federações europeias também não detalharam a partir de qual torneio a ausência começaria a valer, caso o impasse não seja resolvido.
A Copa de 2026, disputada em Estados Unidos, México e Canadá, terminou em julho com o título da Espanha sobre a Argentina. O próximo grande torneio de seleções organizado pela entidade é a Copa do Mundo feminina de 2027, que será disputada no Brasil.
As informações foram divulgadas por Reuters, BBC e Forbes Brasil em 30 de julho.
Perguntas frequentes
O que a Uefa aprovou?
O boicote à Copa do Mundo e a todas as competições da Fifa, em votação unânime das 55 federações europeias em 30 de julho de 2026, contra o plano da Fifa de vender participação de uma subsidiária a investidores privados.
Quantas federações se posicionaram contra o plano da Fifa?
As 55 da Uefa e as 41 da Concacaf rejeitaram a proposta. A AFC, com 47 filiadas, cobrou a falta de consulta prévia. A Fifa tem 211 associações no total.
A Copa do Mundo de 2030 está cancelada?
Não. Nenhuma competição foi suspensa. O boicote é uma decisão política condicionada à manutenção do plano de venda pela Fifa, que ainda depende de aprovação nas instâncias internas da entidade.








