Flávio Bolsonaro promete anistia a condenados pelo 8 de janeiro

julho 20, 2026
Flávio Bolsonaro discursa na tribuna do Senado, com bandeira do Brasil ao fundo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, prometeu no sábado (18), em Vitória (ES), anistiar investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 caso vença a eleição de outubro. A fala ocorreu no encontro estadual do PL capixaba.

Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Desde então, o Supremo Tribunal Federal condenou centenas de participantes por crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano qualificado.

No discurso, o parlamentar afirmou que os punidos pelos atos antidemocráticos serão “anistiados” e “honrados” em um eventual governo seu.

“Vocês vão subir aquela rampa junto comigo. A normalidade vai voltar à vida de cada um desses perseguidos”, declarou o senador, em referência à rampa do Palácio do Planalto.

Críticas a Moraes e defesa de impeachment

Flávio dedicou parte da fala ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de “tirano”. O senador defendeu o impeachment do magistrado e disse ter acordado “muito indignado” com as restrições impostas às visitas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Quando um tirano vai se autoconcedendo poder, não tem nada que vá fazer ele devolver esse poder para o povo”, afirmou. Em outro trecho, disse: “Não estou buscando vingança de nada. Mas o mal que ele está fazendo a tanta gente, ele tem que responder aqui”.

O tom subiu em outros momentos do discurso. O senador disse que não vai “abaixar a cabeça para tirano”, comparou a situação do pai à de alguém “enterrado vivo” e chegou a afirmar que a atuação do ministro “parece o demônio usando uma pessoa para fazer mal para os outros”.

O senador também acusou o ministro de rasgar a Constituição e defendeu que ele seja responsabilizado. “Não tem ninguém que está acima da lei. Não tem ninguém que está acima da Constituição”, completou.

Restrições na prisão domiciliar

Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses em regime domiciliar, imposta pelo STF no processo da trama golpista. Na semana passada, Moraes suspendeu por 30 dias as visitas ao ex-presidente, mantendo autorizada apenas a entrada de médicos, fisioterapeutas e advogados, e vetou encontros com finalidade político-eleitoral.

A decisão citou a “Carta aos brasileiros”, texto escrito pelo ex-presidente e lido por Flávio em uma transmissão ao vivo. Para o ministro, o conteúdo tinha caráter público e objetivo de comunicação política, com o filho atuando como intermediário. O próprio senador está proibido de visitar o pai por 90 dias.

No mesmo contexto, o ministro negou a visita do presidente argentino, Javier Milei, pedida para o dia 25, e a Procuradoria-Geral da República defendeu a manutenção da prisão domiciliar em parecer enviado ao STF.

Evento lançou pré-candidatura ao Senado

O encontro em Vitória marcou o lançamento da pré-candidatura de Maguinha Malta (PL) ao Senado pelo Espírito Santo. Flávio participou como principal nome nacional do evento.

Próximos passos

Flávio tem depoimento marcado na Polícia Federal para o dia 28, às 14h, por determinação de Moraes. O senador é investigado por suposta calúnia contra o presidente Lula, por publicação na rede social X na qual associou o petista ao ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e o apontou como “informante” de crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

A defesa de Jair Bolsonaro, por sua vez, tenta reverter a suspensão das visitas. Em manifestação enviada ao STF, os advogados alegam que o ex-presidente não sabia que a carta lida na transmissão seria publicada pelo filho.

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