A Polícia Civil do Distrito Federal e a Neoenergia Brasília desativaram na terça-feira (14) uma mineradora clandestina de criptomoedas que funcionava com energia furtada dentro de uma casa no Morro da Cruz, em São Sebastião.
A ação é a sétima fase da Operação CriptoGato, conduzida pela 30ª Delegacia de Polícia em parceria com a concessionária para desmontar estruturas de mineração abastecidas por ligações irregulares na rede elétrica. Ninguém foi preso: o responsável pelo imóvel não estava no local durante a operação.
Segundo a Neoenergia Brasília, a energia desviada no endereço seria suficiente para abastecer mais de mil residências durante um mês.
O que a polícia encontrou na casa
As equipes flagraram os equipamentos em pleno funcionamento, todos conectados por uma ligação feita diretamente na rede elétrica, sem passar pelo medidor. Foram apreendidos:
- 13 máquinas de alto desempenho usadas na mineração de criptomoedas;
- um computador que controlava a operação;
- um roteador industrial;
- um dispositivo montado pelos próprios suspeitos para permitir que a estrutura fosse desmontada e transferida de endereço com rapidez.
Esse último item chamou a atenção dos investigadores por indicar que o grupo já se preparava para mudar o equipamento de lugar em caso de fiscalização, um padrão de fraude cada vez mais elaborado.
“As organizações criminosas estão sofisticando cada vez mais esse tipo de fraude”, afirma Arthur Franklim, gerente de Gestão da Receita da Neoenergia Brasília.
Operação já desmontou 12 mineradoras no DF em 2026
A CriptoGato começou em janeiro deste ano e acumula resultados expressivos. Desde a primeira fase, foram desarticuladas 12 mineradoras clandestinas no Distrito Federal, com 774 equipamentos apreendidos e mais de R$ 8 milhões em prejuízos recuperados pela concessionária.
A mineração de criptomoedas exige computadores rodando 24 horas por dia, com consumo de eletricidade altíssimo. É justamente essa conta de luz impagável que leva os operadores clandestinos ao gato: com a ligação direta na rede, o custo da atividade despenca e o prejuízo é repassado ao sistema, que acaba pago por todos os consumidores.
Em fevereiro, uma ação semelhante já havia desativado mineradoras clandestinas no DF cujo consumo de energia chegava a R$ 5 milhões, um dos maiores casos registrados desde o início da operação.
Próximos passos
A 30ª DP instaurou inquérito para identificar e responsabilizar o dono da estrutura do Morro da Cruz. O furto de energia é crime previsto no Código Penal, e os equipamentos apreendidos passam por perícia.
A Neoenergia mantém canais para denúncia de ligações irregulares: o consumidor pode registrar a suspeita pelos canais oficiais de atendimento da distribuidora, sem precisar se identificar. As denúncias ajudaram a mapear os endereços fiscalizados nas fases anteriores da operação.








