O mercado financeiro reduziu de 5,30% para 5,16% a projeção de inflação para 2026, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (13). A estimativa para a taxa Selic no fim do ano permanece em 14% ao ano pela terceira semana seguida.
A queda na expectativa do IPCA é a segunda consecutiva e reflete o resultado de junho, quando a inflação oficial ficou em 0,16%, o menor patamar mensal desde outubro de 2025. Com isso, o índice acumulado em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64%.
Mesmo em queda, a projeção segue acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que tem centro de 3% e tolerância até 4,5% no sistema de meta contínua.
Selic parada em 14,25% e corte no radar
A Selic está hoje em 14,25% ao ano. Como a mediana do Focus aponta 14% para dezembro, o mercado precifica ao menos um corte de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026.
Segundo o relatório do Banco Central, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 recuou de 5,30% para 5,16%, em levantamento que reuniu 149 instituições respondentes nos últimos 30 dias.
Para os anos seguintes, a pesquisa indica juros em trajetória de queda: 12% ao fim de 2027, 10,50% em 2028 e 10% em 2029. Enquanto o ciclo não vira, o custo do crédito segue elevado, caso do consignado do INSS, que pode ter novo teto de juros definido no dia 28.
Principais projeções do Focus de 13 de julho
- IPCA 2026: 5,16% (era 5,30% na semana anterior)
- IPCA 2027: 4,20% (leve alta ante os 4,18% anteriores)
- Selic fim de 2026: 14% ao ano (estável)
- Selic fim de 2027: 12% ao ano
- PIB 2026: crescimento de 1,99% (mantido)
- Dólar no fim de 2026: R$ 5,20
- IGP-M 2026: 5,61% (era 5,68%)
Na leitura mensal, os economistas consultados esperam IPCA de 0,29% em julho e projetam deflação de 0,08% em agosto, com nova alta de 0,47% em setembro.
O que isso muda no bolso do brasiliense
Inflação menor alivia o peso de alimentos, contas e serviços no orçamento, mas o efeito chega aos poucos. Em junho, a inflação já havia desacelerado com força, puxada por quedas em grupos como alimentação.
Já os juros altos continuam encarecendo financiamentos, cartão e cheque especial. Para quem pretende financiar imóvel ou carro no DF, a sinalização de Selic a 14% em dezembro indica que o crédito só deve ficar mais barato de forma gradual, com alívio maior a partir de 2027.
O PIB projetado em 1,99% mostra economia crescendo perto de 2%, ritmo parecido com o esperado para 2028 e 2029. O dólar estável em R$ 5,20 tende a segurar preços de importados e passagens.
Próximos passos
O Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir nos dias 4 e 5 de agosto para decidir o rumo da Selic. A decisão vai mostrar o ritmo dos próximos cortes, como o próprio Focus vinha indicando desde junho.
O Boletim Focus é divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central e reúne as medianas das projeções de bancos, gestoras e consultorias para os principais indicadores da economia.








