O PT planeja intensificar os ataques contra o senador Flávio Bolsonaro a partir de 4 de abril, quando termina o prazo de desincompatibilização. Mas a estratégia carrega um risco calculado: se os ataques funcionarem bem demais, podem abrir caminho para Michelle Bolsonaro assumir a candidatura — e ela é considerada uma adversária mais difícil para Lula.
A estratégia
Segundo bastidores apurados pelo Metrópoles, o PT optou por não atacar Flávio prematuramente. O objetivo é evitar fortalecer o senador antes da hora e dar tempo para que a direita ainda possa trocar de candidato caso as pesquisas não se consolidem.
A partir de abril, a artilharia petista será direcionada com mais intensidade contra o filho mais velho de Bolsonaro, hoje considerado o favorito da direita para disputar a presidência.
Por que Michelle assusta o PT
A ex-primeira-dama reúne vantagens estratégicas que complicam o confronto com Lula:
- Fator evangélico: Como evangélica declarada, Michelle não enfrenta resistência de pastores influentes e neutraliza narrativas sobre “machismo” na direita
- Efeito debate: Em confrontos diretos, Lula precisaria medir cada palavra contra uma candidata mulher, sob risco de perder votos — como aconteceu com Aécio Neves em 2014 contra Dilma
- Acesso ao ex-presidente: Com Bolsonaro em prisão domiciliar, Michelle tem acesso 24 horas ao marido, enquanto Flávio, como advogado, possui horário restrito de visitas
Três cenários possíveis
O artigo descreve três caminhos que a corrida presidencial de 2026 pode tomar:
Cenário 1: Os ataques do PT funcionam e Flávio cai nas pesquisas, mas se mantém como candidato enfraquecido — favorável a Lula.
Cenário 2: A queda é mais brusca e Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, renuncia para substituí-lo na corrida.
Cenário 3: A candidatura recai sobre Michelle Bolsonaro, cenário que o PT mais teme pela dificuldade de confronto.
O xadrez eleitoral de 2026 ganha contornos cada vez mais complexos, com a família Bolsonaro dividida internamente e o PT calibrando sua estratégia de ataque.



