Justiça condena ex-médico que matou mãe com fogo e cometeu fraude em Águas Claras

março 20, 2026

O ex‑médico Lauro Estevão Vaz foi condenado a 45 anos de prisão em regime fechado pelo Tribunal do Júri de Águas Claras (DF) pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual após provocar um incêndio que matou sua mãe, Zely Alves Curvo, de 94 anos, em maio de 2024.

De acordo com a sentença proferida pelo juiz André Ribeiro, o júri reconheceu que o crime foi cometido com três agravantes: o uso de fogo, o fato de a vítima ser um ascendente (sua própria mãe) e a reincidência criminal do réu, que já havia sido condenado por abuso de pacientes em exames clínicos de ginecologia entre 2009 e 2010.

Homicídio e motivação

O incêndio que tirou a vida de Zely ocorreu no Residencial Monet, em Águas Claras, onde a idosa vivia. Laudo pericial do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal apontou que as chamas começaram no quarto onde a mulher estava acamada. Testemunhas também confirmaram que o fogo foi iniciado de forma deliberada. Após o incêndio, quando as chamas foram controladas, o corpo da idosa estava completamente carbonizado.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o crime teria motivação financeira: o condenado não teria aceitado perder a curatela da mãe e o acesso aos rendimentos dela, o que teria gerado conflitos entre os dois.

Condenação por fraude

Além da condenação por homicídio, Lauro também foi sentenciado por fraude processual. Isso porque, após provocar o incêndio, ele entrou no apartamento e removeu objetos antes da conclusão da perícia oficial, o que prejudicou a investigação técnica do crime.

Histórico criminal e agravantes

O Tribunal do Júri levou em conta não apenas a gravidade do fogo e o fato de a vítima ser uma idosa, mas também a conduta anterior do réu, que já havia sido condenado por comportamento impróprio contra pacientes no passado, quando exercia a medicina no Distrito Federal.