O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) obteve na Justiça a prisão preventiva do motorista flagrado com mais de 4 toneladas de skunk em um caminhão interceptado na BR-040, em Cristalina (GO). A carga havia sido carregada no Distrito Federal.
A prisão em flagrante ocorreu no sábado, 29 de agosto, e foi convertida em preventiva no dia seguinte, a pedido do Ministério Público. O investigado é Ramon Pedro Pereira da Silva, apontado como responsável pelo transporte interestadual da droga.
Segundo o MPDFT, foram apreendidos 3.420 tabletes de material vegetal com resultado positivo para tetraidrocanabinol, o THC. O laudo preliminar do Instituto de Criminalística da PCDF estimou a massa líquida em 4.086,9 quilos.
Como a carga foi interceptada
O caminhão foi parado no posto da Polícia Rodoviária Federal instalado no km 83 da BR-040, em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. A abordagem resultou de uma operação integrada de inteligência entre a Coordenação de Repressão às Drogas da Polícia Civil do Distrito Federal (CORD/PCDF) e a PRF.
Durante a fiscalização, o cão farejador K9 Conan indicou a presença de entorpecente no compartimento de carga. Na inspeção, os policiais encontraram uma estrutura oculta montada sob uma carga de 64 telhas isotérmicas. Além da droga, foram apreendidos R$ 800 em espécie, dois aparelhos celulares e os documentos fiscais referentes ao transporte das telhas.
De acordo com os registros da ocorrência, o motorista informou aos policiais que havia carregado a droga no Distrito Federal e que o destino era Belo Horizonte. Pelo transporte, receberia R$ 17 mil.
“A apreensão é considerada a maior de skunk já realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Entorno do Distrito Federal”
- Data do flagrante: sábado, 29 de agosto
- Conversão em preventiva: 30 de agosto
- Quantidade: 3.420 tabletes, 4.086,9 quilos de massa líquida
- Local: posto da PRF no km 83 da BR-040, em Cristalina (GO)
- Origem e destino: carregada no DF, com destino a Belo Horizonte
- Pagamento combinado: R$ 17 mil pelo transporte
O que o Ministério Público argumentou
Na audiência de custódia, o MPDFT pediu a conversão do flagrante em prisão preventiva. A manifestação apontou a gravidade concreta da conduta, considerando a quantidade de droga e a estrutura montada para escondê-la.
O órgão sustentou que a magnitude da apreensão e a sofisticação do transporte indicam atuação articulada voltada ao abastecimento do tráfico interestadual. Também citou a necessidade de resguardar a ordem pública e de assegurar a aplicação da lei penal, já que o investigado mora em outra unidade da Federação e não tem raízes no Distrito Federal.
O que é o skunk
O skunk é uma variedade de cannabis desenvolvida para ter concentração de THC muito acima da maconha prensada que circula com mais frequência no mercado brasileiro. Por isso, o quilo tem valor de revenda mais alto e a apreensão de toneladas em uma única carga chama a atenção das forças de segurança.
O Distrito Federal aparece nesse caso como ponto de partida, não de destino. A rota descrita na ocorrência liga o DF a Minas Gerais pela BR-040, eixo que também é usado para o abastecimento regular de cargas legais entre o Centro-Oeste e o Sudeste.
O que diz a lei
O tráfico de drogas está previsto no artigo 33 da Lei 11.343/2006, com pena de reclusão de cinco a quinze anos e multa. Quando o transporte cruza fronteiras entre estados, aplica-se a causa de aumento do artigo 40, inciso V, que eleva a pena de um sexto a dois terços.
A prisão preventiva não é antecipação de pena. Ela é decretada quando o juiz entende que a liberdade do investigado representa risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. A medida pode ser revista a qualquer momento pelo próprio juízo ou por instância superior.
O caso segue em fase de investigação policial. Até que haja denúncia recebida pela Justiça, o motorista é investigado, e não réu. A condenação só existe depois de sentença com trânsito em julgado.
O trabalho de repressão no DF tem produzido apreensões de grande volume nos últimos anos. Em agosto, a Polícia Civil incinerou 5,5 toneladas de entorpecentes recolhidos desde 2021, como mostrou o SouBrasília em PCDF incinera 5,5 toneladas de drogas apreendidas no DF desde 2021.
A defesa do investigado não divulgou manifestação sobre a decisão que manteve a prisão. O MPDFT não informou prazo para o oferecimento da denúncia.








