A venda de sorvete no Distrito Federal deve crescer até 40% em setembro e outubro na comparação com a média do início do ano, segundo projeção do Sindiatacadista-DF. O setor já registra reação em agosto, com alta de 17% sobre a média de janeiro a julho.
Os números foram divulgados pelo sindicato nesta terça-feira, 25 de agosto, e acompanham a virada da estiagem no DF, período em que a temperatura máxima na capital tem ficado na casa dos 30 graus.
O que os números mostram
O quadro do setor no DF é de recuperação, não de bonança. O próprio levantamento aponta queda acumulada de cerca de 4% nas vendas do ano em relação a 2023, o que coloca a projeção de setembro e outubro como retomada de um patamar perdido.
- Agosto: alta de 17% sobre a média dos meses de janeiro a julho.
- Setembro e outubro: projeção de crescimento de até 40% na mesma base de comparação.
- Acumulado do ano: queda de aproximadamente 4% em relação a 2023.
Diretor da Brassol Brasília Alimentos e Sorvetes, Lysipo Torminn Gomide associa o movimento ao calendário climático da cidade.
“Neste ano, já observamos esse movimento em agosto, com crescimento de 17% em relação à média dos meses anteriores”
O ciclo é conhecido no comércio local. O consumo de sorvete no DF cai no período de temperaturas mais baixas, entre junho e julho, e volta a subir quando a umidade despenca e o calor se instala, entre o fim de agosto e outubro, antes do início das chuvas.
Preço e perfil de consumo
Presidente do Sindiatacadista-DF, Alaor Gomes afirma que a recuperação vem acompanhada de mudança no que o consumidor procura.
“O consumidor não quer apenas comprar um sorvete; ele procura uma experiência melhor, um produto que entregue qualidade”
A leitura do sindicato é que o crescimento se concentra em produtos de maior valor agregado, e não no volume puro. Na prática, isso significa ticket médio maior por compra, com peso crescente de linhas premium e de sorveterias de porção em detrimento do pote de supermercado.
O sindicato não divulgou preços médios praticados no DF nem projeção de faturamento em reais para o bimestre.
Calor, umidade e o efeito no comércio
A projeção do setor coincide com o fim do período mais seco do ano em Brasília. A previsão do Inmet para esta semana na capital indica máxima de 32 graus nesta terça e de 30 graus na quarta-feira, com umidade relativa mínima entre 20% e 25% e possibilidade de chuva isolada à tarde e à noite.
Setembro costuma concentrar as temperaturas mais altas do calendário de Brasília, antes da regularização das chuvas em outubro. É essa janela que o comércio de sorvete aponta como decisiva para fechar o ano sem perda.
O efeito não se limita às sorveterias. Distribuidores, atacadistas e o pequeno comércio de bairro reforçam estoque no período, e a demanda por freezers e por energia elétrica acompanha o movimento.
O que observar até outubro
A projeção de 40% é do setor e depende de um cenário específico: calor prolongado e sem interrupção por frentes frias. Uma virada de tempo com queda de temperatura em setembro reduz o número, assim como uma antecipação forte do período chuvoso.
Como o próprio sindicato registra queda no acumulado do ano, o resultado do bimestre define se 2026 fecha em recuperação ou repete o desempenho fraco do ano anterior para o segmento no DF.
Quem divulga o número
O Sindiatacadista-DF representa empresas do comércio atacadista e distribuidor no Distrito Federal, elo entre a indústria e o varejo. Projeções divulgadas pela entidade refletem a expectativa de venda do atacado para o período, e não a apuração de vendas já realizadas no balcão.
Isso importa na leitura do dado. O crescimento de 40% projetado para setembro e outubro descreve a expectativa de movimentação do setor na base de comparação escolhida pela própria entidade, a média de janeiro a julho. Trata-se de projeção de mercado, não de estatística oficial de consumo.
Não há série pública mensal de venda de sorvete por unidade da federação. A Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE acompanha o varejo de hipermercados e produtos alimentícios em bloco, sem abertura por categoria de produto.
O que acompanhar
Para o consumidor, o efeito prático da alta de demanda tende a aparecer no preço. Períodos de pico de consumo reduzem a frequência de promoções e elevam o valor do produto de linha premium, justamente o segmento que o sindicato aponta como motor do crescimento.
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