SUS distribui 44,5% mais natalizumabe para esclerose múltipla

agosto 24, 2026
Cesta branca com frascos de medicamento, cartela de comprimidos e termômetro sobre superfície escura

A distribuição de natalizumabe, medicamento indicado para as formas mais agressivas de esclerose múltipla, cresceu 44,5% no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2019 e 2023. No mesmo intervalo, o número de pacientes em tratamento pela rede pública subiu 25,9%. Os dados são de estudo divulgado nesta segunda-feira (24) pela Agência Brasil.

O levantamento foi feito por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita e da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unesp, a partir do Registro de Doenças Neurológicas (Redone). Foram analisados mais de 1,7 milhão de registros de distribuição de medicamentos.

O que mudou no tratamento

O avanço acompanha a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, que passou a recomendar o natalizumabe como primeira opção para determinados perfis de paciente. A mudança no padrão terapêutico aumentou 82% no período analisado.

Ao mesmo tempo, as trocas entre medicamentos de eficácia semelhante caíram 54%, o que indica menos substituições sem ganho clínico ao longo do tratamento.

Para a neurologista Lívia Almeida Dutra, coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein, o protocolo é o que move o resultado.

“Quando as diretrizes passam a incorporar terapias mais eficazes, aumentam as oportunidades de os pacientes receberem tratamentos”

Por que o dado importa para quem depende do SUS

A esclerose múltipla é doença neurológica crônica e sem cura, tratada com medicamentos de alto custo que buscam reduzir a frequência e a intensidade dos surtos. O acesso pela rede pública depende do que está previsto no PCDT: é o protocolo que define qual remédio pode ser dispensado, para qual perfil de paciente e em que ordem.

Por isso, revisões do documento têm efeito direto na fila. Quando uma terapia entra como primeira linha, ela deixa de exigir a tentativa prévia com outros medicamentos, o que encurta o caminho até o tratamento indicado.

O estudo trabalha com dados de dispensação, e não com desfecho clínico. Ele mostra o que foi entregue e a quem, sem medir a evolução dos pacientes.

Segundo Lucas Hernandes Correa, gerente do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde do Einstein, esse tipo de base tem uso na formulação de política pública.

“Evidências do mundo real ajudam a qualificar a tomada de decisão”

O estudo não detalha o fluxo de acesso ao medicamento. Quem faz tratamento pela rede pública deve procurar a unidade de saúde de referência para confirmar a documentação exigida e o local de retirada, que variam conforme a gestão estadual ou distrital.

Leia também: Projeto garante unidade móvel do SUS a mulheres de comunidades isoladas.

Faz parte da rede de portais NYX · Distrito News — noticias do Distrito Federal