Os dois maiores reservatórios que abastecem o Distrito Federal chegaram à segunda quinzena de agosto com volumes acima dos registrados no mesmo período do ano passado. Segundo dados da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) divulgados nesta segunda-feira (24), o Descoberto operava com 89,2% da capacidade em 20 de agosto, e o Santa Maria, com 94%.
A comparação com 2025 mostra a diferença. Em agosto do ano passado, na mesma fase do período seco, o Descoberto estava em 81% e o Santa Maria, em 73%. A diferença é de 8,2 pontos percentuais no primeiro e de 21 pontos no segundo, o maior salto entre os dois sistemas.
O dado chega no trecho mais crítico do calendário hídrico do Planalto Central. O regime de chuvas da região concentra as precipitações entre outubro e abril e reserva de maio a setembro o período de estiagem, quando os reservatórios só perdem volume e a umidade relativa do ar despenca. Brasília acumulou 58 dias sem chuva antes da precipitação registrada no fim da semana passada, conforme o balanço do Inmet publicado pelo SouBrasília.
O que os números dizem sobre o abastecimento
Reservatório acima de 89% no fim de agosto significa que o sistema entra na reta final da estiagem com folga operacional. O nível baixo aparece justamente nesta janela, antes do retorno das chuvas, e é ele que define se haverá aperto no fornecimento entre setembro e o início de outubro.
Os dois mananciais têm papéis distintos no sistema. O Descoberto responde pelo abastecimento da região oeste do DF, com Ceilândia, Taguatinga e Samambaia entre as áreas atendidas. O Santa Maria serve a área central, incluindo Plano Piloto, Lago Norte e Lago Sul.
A leitura da Adasa é de 20 de agosto. O monitoramento é contínuo e o percentual oscila diariamente, conforme a evaporação, o consumo e as transferências entre sistemas.
O que muda para quem mora no DF
Nível alto de reservatório não elimina a recomendação de consumo consciente, e o GDF reforçou o ponto ao divulgar os números. A orientação é tratar a economia de água como hábito permanente, e não como resposta a uma crise pontual.
Entre as medidas indicadas pelo governo local para o período seco estão:
- verificar vazamentos em torneiras, descargas e caixas d’água, que consomem volume sem qualquer uso;
- reutilizar a água da máquina de lavar em limpeza de área externa;
- reduzir o tempo de banho e fechar a torneira ao escovar os dentes ou ensaboar a louça;
- evitar lavar calçada e carro com mangueira aberta;
- usar vassoura no lugar da mangueira na limpeza de quintais e garagens.
A conta é direta: cada litro poupado agora é volume que permanece no reservatório na virada para setembro, o mês em que o sistema costuma atingir o ponto mais baixo do ano antes das primeiras chuvas.
A memória da crise de 2017
O DF conviveu com racionamento entre 2017 e 2018, quando o Descoberto chegou a operar abaixo de 20% da capacidade e o rodízio de abastecimento atingiu grande parte das regiões administrativas. Foi a partir daquele episódio que o monitoramento dos mananciais passou a ser acompanhado de perto pelo poder público e pela população.
O quadro atual está distante daquele cenário. Ainda assim, o comportamento do próximo trimestre depende de dois fatores que não estão sob controle da gestão: o volume das primeiras chuvas e a data em que elas efetivamente começam.
Como funciona o monitoramento
O acompanhamento dos mananciais é atribuição da Adasa, agência reguladora do DF responsável por fiscalizar os serviços de água, esgoto e energia na capital. É ela quem define regras de outorga para captação e quem determina medidas de restrição quando o nível dos reservatórios entra em faixa crítica.
A operação diária do abastecimento cabe à Caesb, que capta, trata e distribui a água. O sistema do DF não depende apenas dos dois grandes reservatórios: há captações menores em cursos d’água e poços que atendem regiões específicas, sobretudo em áreas rurais e em núcleos afastados.
O percentual divulgado se refere ao volume armazenado em relação à capacidade total de cada barragem. Ele cai ao longo da estiagem porque não há reposição de chuva e sobe rapidamente nos primeiros meses do período chuvoso, quando as vazões afluentes voltam a crescer.
Quem quiser acompanhar a evolução pode consultar o monitoramento hídrico no site da Adasa, atualizado ao longo do período seco. A Caesb também divulga informações sobre manutenção programada e interrupções pontuais no abastecimento, que ocorrem independentemente do nível dos reservatórios e costumam durar poucas horas.








