Preso em Ceilândia suspeito de cobrar R$ 3,9 mil por conserto de portão

agosto 21, 2026
Caixa de ferramentas aberta e parafusadeira em degrau de entrada de garagem

A Polícia Civil prendeu na manhã de quinta-feira (20), em Ceilândia, um homem de 20 anos suspeito de enganar clientes e cobrar valores muito acima do mercado por serviços de manutenção no Distrito Federal. O irmão dele, de 28 anos, é o segundo investigado e continua foragido.

A investigação é conduzida pela 15ª Delegacia de Polícia. Segundo a corporação, os dois devem responder por estelionato. Considerando apenas os episódios de 2026, o prejuízo somado das vítimas passa de R$ 30 mil.

O caso que abriu a investigação

A apuração começou depois da denúncia de uma idosa de 76 anos, com limitações de mobilidade, que procurou assistência para consertar o portão eletrônico de casa. A vítima chegou aos suspeitos por um material publicitário afixado no próprio portão e pretendia apenas obter um orçamento.

Os dois foram até o endereço e mexeram no equipamento antes de informar o preço. Ao final, cobraram cerca de R$ 3,9 mil. Como ela não tinha o valor, os suspeitos verificaram quanto dinheiro havia disponível e receberam R$ 2,9 mil em espécie.

A partir desse registro, os policiais identificaram cinco números de telefone e outras 26 ocorrências policiais ligadas à dupla.

Como o golpe funcionava

Segundo a Polícia Civil, os investigados distribuíam adesivos e cartões publicitários em portões residenciais. Quando o morador entrava em contato, eles compareciam ao imóvel uniformizados e com ferramentas.

Mesmo nos casos em que o cliente queria só um orçamento, os dois desmontavam o portão e retiravam componentes para o suposto reparo antes de dizer quanto o serviço custaria. A cobrança só era apresentada com o trabalho iniciado ou concluído.

A investigação identificou ainda outras formas de fraude:

  • Uma vítima acreditava estar fazendo uma transferência de R$ 800 e depois descobriu uma cobrança de R$ 8 mil.
  • Em outro caso, a vítima foi informada de que o primeiro pagamento não havia sido concluído, refez a operação e descobriu um débito em duplicidade de R$ 2,2 mil.
  • Uma terceira vítima, também idosa, precisou pegar dinheiro emprestado para fazer um Pix de R$ 3 mil aos irmãos.

A prisão ocorreu em Ceilândia, onde a polícia também cumpriu mandado de busca e apreensão.

Como se proteger na contratação de um serviço

  • Exija o orçamento por escrito antes do serviço. O Código de Defesa do Consumidor obriga o fornecedor a apresentar orçamento prévio com valor da mão de obra, materiais e prazo de validade.
  • Não autorize desmontagem sem preço fechado. Nos casos investigados, o equipamento era aberto antes de o valor ser informado.
  • Desconfie de anúncio colado no próprio portão. Prefira prestador com endereço fixo, CNPJ e indicação de quem já contratou.
  • Confira o comprovante do Pix na hora. Duas das fraudes apuradas envolveram valor diferente do combinado ou pagamento em duplicidade.
  • Registre a ocorrência. A Delegacia Eletrônica da PCDF aceita o registro pela internet, e o Procon-DF recebe reclamação sobre cobrança abusiva.

Golpes com promessa de serviço ou de vaga têm sido recorrentes no DF. Nesta semana, a polícia prendeu um homem que vendia cargos falsos na Câmara Legislativa por até R$ 18 mil.

Quem reconhecer o modo de agir descrito pela polícia pode procurar a 15ª DP. As buscas pelo segundo suspeito continuam.

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