A Polícia Civil prendeu na manhã de quinta-feira (20), em Ceilândia, um homem de 20 anos suspeito de enganar clientes e cobrar valores muito acima do mercado por serviços de manutenção no Distrito Federal. O irmão dele, de 28 anos, é o segundo investigado e continua foragido.
A investigação é conduzida pela 15ª Delegacia de Polícia. Segundo a corporação, os dois devem responder por estelionato. Considerando apenas os episódios de 2026, o prejuízo somado das vítimas passa de R$ 30 mil.
O caso que abriu a investigação
A apuração começou depois da denúncia de uma idosa de 76 anos, com limitações de mobilidade, que procurou assistência para consertar o portão eletrônico de casa. A vítima chegou aos suspeitos por um material publicitário afixado no próprio portão e pretendia apenas obter um orçamento.
Os dois foram até o endereço e mexeram no equipamento antes de informar o preço. Ao final, cobraram cerca de R$ 3,9 mil. Como ela não tinha o valor, os suspeitos verificaram quanto dinheiro havia disponível e receberam R$ 2,9 mil em espécie.
A partir desse registro, os policiais identificaram cinco números de telefone e outras 26 ocorrências policiais ligadas à dupla.
Como o golpe funcionava
Segundo a Polícia Civil, os investigados distribuíam adesivos e cartões publicitários em portões residenciais. Quando o morador entrava em contato, eles compareciam ao imóvel uniformizados e com ferramentas.
Mesmo nos casos em que o cliente queria só um orçamento, os dois desmontavam o portão e retiravam componentes para o suposto reparo antes de dizer quanto o serviço custaria. A cobrança só era apresentada com o trabalho iniciado ou concluído.
A investigação identificou ainda outras formas de fraude:
- Uma vítima acreditava estar fazendo uma transferência de R$ 800 e depois descobriu uma cobrança de R$ 8 mil.
- Em outro caso, a vítima foi informada de que o primeiro pagamento não havia sido concluído, refez a operação e descobriu um débito em duplicidade de R$ 2,2 mil.
- Uma terceira vítima, também idosa, precisou pegar dinheiro emprestado para fazer um Pix de R$ 3 mil aos irmãos.
A prisão ocorreu em Ceilândia, onde a polícia também cumpriu mandado de busca e apreensão.
Como se proteger na contratação de um serviço
- Exija o orçamento por escrito antes do serviço. O Código de Defesa do Consumidor obriga o fornecedor a apresentar orçamento prévio com valor da mão de obra, materiais e prazo de validade.
- Não autorize desmontagem sem preço fechado. Nos casos investigados, o equipamento era aberto antes de o valor ser informado.
- Desconfie de anúncio colado no próprio portão. Prefira prestador com endereço fixo, CNPJ e indicação de quem já contratou.
- Confira o comprovante do Pix na hora. Duas das fraudes apuradas envolveram valor diferente do combinado ou pagamento em duplicidade.
- Registre a ocorrência. A Delegacia Eletrônica da PCDF aceita o registro pela internet, e o Procon-DF recebe reclamação sobre cobrança abusiva.
Golpes com promessa de serviço ou de vaga têm sido recorrentes no DF. Nesta semana, a polícia prendeu um homem que vendia cargos falsos na Câmara Legislativa por até R$ 18 mil.
Quem reconhecer o modo de agir descrito pela polícia pode procurar a 15ª DP. As buscas pelo segundo suspeito continuam.








