Vídeo gravado em presídio do MS leva a prisão no Núcleo Bandeirante

agosto 21, 2026
Vista das quadras do Núcleo Bandeirante com prédios de Águas Claras ao fundo

Um vídeo gravado dentro de um presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul terminou com um homem preso no Núcleo Bandeirante, no Distrito Federal, na noite desta quinta-feira (20/8). A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) chegou ao suspeito depois de identificar quem recebia e distribuía a droga anunciada nas imagens, e o caso foi registrado na 27ª Delegacia de Polícia.

Segundo o Metrópoles, as gravações mostravam um detento de 31 anos oferecendo drogas pelas redes sociais de dentro do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. A unidade é a maior do sistema prisional sul-mato-grossense e concentra presos de alta periculosidade. O anúncio circulava abertamente, com preço e forma de entrega, e a ponta da negociação estava no Distrito Federal.

O que a polícia apreendeu

As duas versões publicadas sobre a ocorrência não coincidem em todos os detalhes. O Metrópoles informa que a PCDF apreendeu maconha, cocaína, uma balança de precisão, dinheiro em espécie e celulares com o suspeito preso no Núcleo Bandeirante, e que ele tem 21 anos. O Correio Braziliense registra a apreensão de R$ 170, além de porções de cocaína, haxixe e skunk, e atribui ao preso a idade de 31 anos.

O que as duas apurações confirmam é o núcleo do caso: a prisão ocorreu no Núcleo Bandeirante, o inquérito corre na 27ª DP e a origem do anúncio foi rastreada até a unidade prisional de Campo Grande. Ao Correio, o delegado-chefe da 27ª DP, Alexandre Godinho, afirmou que “a unidade prisional confirmou a identidade do preso” que aparecia nas imagens.

“A unidade prisional confirmou a identidade do preso”, disse o delegado-chefe da 27ª DP, Alexandre Godinho, ao Correio Braziliense.

Ainda segundo o Correio, o detento afirmou nas conversas que cumpre pena em presídio próximo à fronteira com a Bolívia e que só seria solto em 2031. A informação partiu do próprio investigado e não foi confirmada pela administração penitenciária de Mato Grosso do Sul.

Celular dentro da cadeia é o elo da cadeia de venda

O caso repete um padrão que a segurança pública brasileira enfrenta há anos. O aparelho celular introduzido de forma irregular em unidade prisional permite que o preso siga coordenando a venda no varejo, negocie remessas e movimente dinheiro sem sair da cela. A entrada dos aparelhos costuma ocorrer por arremesso sobre o muro, por drones ou com auxílio de servidores, e a detecção depende de bloqueadores de sinal e de revistas periódicas.

Introduzir aparelho de telefonia em presídio é crime previsto no artigo 349-A do Código Penal, com pena de três meses a um ano de detenção. Para o preso que usa o aparelho, a posse configura falta grave, com perda de dias remidos e regressão de regime, além de responder pelo tráfico apurado a partir das conversas.

No Distrito Federal, operações recentes mostram que a repressão tem se deslocado do flagrante de rua para o rastreamento das estruturas que sustentam a venda. Em 20 de agosto, a PCDF prendeu seis pessoas em uma operação contra a lavagem de milhões para facções. Dois dias antes, as forças de segurança desocuparam um ponto de tráfico na Matinha, na Asa Norte.

O que acontece agora com o caso

O preso no Núcleo Bandeirante foi autuado em flagrante e passa por audiência de custódia, na qual um juiz decide se ele responde ao processo em liberdade ou segue detido. A investigação sobre o detento de Mato Grosso do Sul depende de cooperação entre a PCDF e as autoridades sul-mato-grossenses, já que ele está sob custódia de outro estado.

  • Onde: Núcleo Bandeirante, no Distrito Federal.
  • Quando: quinta-feira, 20 de agosto de 2026.
  • Quem investiga: 27ª Delegacia de Polícia da PCDF.
  • Origem do anúncio: Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande (MS).
  • Apreensão: drogas, dinheiro e celulares, com divergência entre as fontes sobre os itens exatos.

Todos os investigados respondem com direito à presunção de inocência até decisão judicial definitiva. A reportagem procurou a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul para saber se houve sindicância sobre a entrada do celular na unidade de Campo Grande. Não houve retorno até a publicação, e o espaço segue aberto.

Como denunciar

Quem tiver informação sobre pontos de venda de droga ou sobre uso de celular dentro de unidade prisional pode acionar a PCDF pelo 197, com garantia de anonimato. Em situação de emergência, o número é o 190, da Polícia Militar. O registro também pode ser feito pela Delegacia Eletrônica, no site da PCDF.

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