O Distrito Federal tem 14 bancos de leite humano e seis postos de coleta na rede pública, e a mãe que produz mais leite do que o próprio bebê consome pode doar sem sair de casa: basta ligar para o 160, opção 4, e agendar a visita. O serviço é feito pelo Corpo de Bombeiros Militar do DF em parceria com a Secretaria de Saúde.
A rede abastece recém-nascidos internados, com prioridade para prematuros, bebês de baixo peso e casos que exigem cuidado clínico específico. Só no primeiro trimestre de 2026, 4.089 recém-nascidos foram beneficiados pelo leite doado, segundo a SES-DF. Em março, foram 1.439 atendimentos.
Como agendar a coleta em casa
Há dois caminhos para quem quer doar sem se deslocar até uma unidade:
- Telefone: ligue para o 160, o Disque Saúde do DF, e escolha a opção 4.
- Internet: use a plataforma Amamenta Brasília, no endereço amamentabrasilia.saude.df.gov.br, ou o Portal do Cidadão do GDF.
A equipe do Corpo de Bombeiros organiza as visitas por rota e disponibilidade, o que significa que o dia da coleta depende da região onde a doadora mora. Antes da primeira retirada, a doadora passa por avaliação e cadastro feitos pela equipe do banco de leite mais próximo.
Quem pode doar
Os critérios usados pela rede pública do DF são objetivos:
- estar amamentando e produzir leite acima da necessidade do próprio bebê;
- estar em boas condições de saúde;
- não usar medicamento ou substância incompatível com a doação;
- passar pela avaliação e pelo cadastro da equipe técnica.
A avaliação existe porque o leite doado vai para bebês em situação clínica frágil. O material passa por pasteurização e análise antes de ser distribuído nas unidades neonatais.
Onde ficam as unidades
Os bancos de leite e os postos de coleta funcionam dentro de hospitais e policlínicas da rede pública, distribuídos por várias regiões administrativas. Entre as unidades que recebem doação estão os hospitais regionais da Asa Norte, de Sobradinho, de Samambaia, de Brazlândia, de Ceilândia, de Taguatinga, de Planaltina, do Paranoá e de Santa Maria, além do Hospital Materno Infantil de Brasília, da policlínica do Riacho Fundo e do posto de coleta de São Sebastião.
A relação completa, com telefones fixos, celulares e e-mails de cada banco e posto, está publicada no site da Secretaria de Saúde do DF, em saude.df.gov.br, na página do programa Banco de Leite. É por esses contatos que a mãe faz o cadastro e tira dúvidas sobre armazenamento e transporte do leite ordenhado.
Um número que muda conforme a fonte
Vale um registro sobre os dados públicos. As informações divulgadas em agosto apontam 14 bancos de leite e seis postos de coleta. Em maio, quando a SES-DF reforçou a campanha de doação, o número informado era de 14 bancos e sete postos. A diferença de um posto não foi explicada pela pasta, e o número atualizado deve ser confirmado na página oficial antes do deslocamento.
A campanha de maio foi motivada pela queda de estoque. Segundo Maria das Graças Cruz, coordenadora das políticas de aleitamento materno da SES-DF, o leite humano doado oferece proteção contra infecções aos bebês que o recebem, o que torna a reposição do estoque uma preocupação permanente da rede.
Quando a doação cai
Períodos de férias e feriados prolongados costumam derrubar a arrecadação, segundo a própria Secretaria de Saúde. A rotina de coleta depende da regularidade das doadoras cadastradas, e qualquer interrupção no calendário se reflete em poucos dias no volume disponível para as unidades neonatais.
Para quem já é doadora e vai viajar, o caminho é avisar o banco de leite de referência para reprogramar a rota de coleta. Para quem nunca doou, o cadastro pode ser feito na unidade mais próxima, por telefone ou pelo portal, sem custo.
Quem recebe o leite doado
O destino do leite arrecadado é a unidade neonatal. A prioridade é definida pela equipe que acompanha o bebê e considera três situações: prematuridade, baixo peso ao nascer e quadro clínico que exija cuidado específico. Não se trata de complemento alimentar comum, e sim de insumo indicado por critério médico para bebês que ainda não podem ser amamentados pela própria mãe ou cuja mãe não consegue suprir a demanda naquele momento.
Esse é o motivo de a doadora passar por avaliação antes da primeira coleta e de o material ser pasteurizado e analisado antes da distribuição. O bebê que recebe está internado e em situação clínica frágil, o que torna o controle de qualidade parte do serviço, não uma etapa burocrática.
A distribuição para 4.089 recém-nascidos apenas entre janeiro e março indica o tamanho da demanda que a rede precisa cobrir todo mês. Quando o estoque cai, a fila de espera não some: ela se transfere para dentro das unidades neonatais.








