Mulher é presa com haxixe ao visitar preso na Papuda com os netos

agosto 18, 2026
Grades metálicas de cela em corredor escuro de presídio

Uma mulher de 47 anos foi presa em flagrante nesta segunda-feira (17) ao tentar entrar no Complexo Penitenciário da Papuda com cerca de 100 gramas de haxixe. Ela chegou para a visita acompanhada de duas crianças que, segundo a Polícia Penal do Distrito Federal, são netas dela e filhas do detento que seria visitado.

A droga foi localizada durante a revista feita com scanner corporal, equipamento que produz imagem do corpo do visitante sem contato físico. A agente responsável identificou um volume fora do normal na altura do joelho da mulher.

Questionada pelos policiais penais, a visitante admitiu que estava com o entorpecente e afirmou ter recebido o material de um homem que não conhecia, na entrada do presídio. Após a prisão, ela foi encaminhada à 30ª Delegacia de Polícia, em São Sebastião. As crianças não foram identificadas.

O que diz a lei sobre droga levada a presídio

Entregar droga a preso configura tráfico, previsto no artigo 33 da Lei 11.343, de 2006, com pena de cinco a 15 anos de reclusão. A norma prevê ainda causa de aumento quando o crime ocorre em unidade prisional: o artigo 40, inciso III, permite elevar a pena de um sexto a dois terços quando a conduta é praticada em estabelecimento prisional, unidade de tratamento, escola ou local de trabalho.

O tráfico é crime equiparado a hediondo, o que endurece as regras de progressão de regime e afasta a possibilidade de fiança na fase policial. A dosimetria final, porém, depende do julgamento e leva em conta a quantidade e a natureza da droga, além das circunstâncias pessoais da acusada.

A defesa da mulher não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. Ela é considerada suspeita até que haja condenação transitada em julgado.

O scanner corporal virou a principal barreira

O scanner corporal é hoje o equipamento que sustenta a maior parte das apreensões na entrada dos presídios do DF. Ele detecta volumes internos e objetos escondidos sob a roupa sem exigir revista íntima, prática que foi restringida no sistema prisional brasileiro justamente por expor visitantes a constrangimento.

A troca de método mudou o perfil das ocorrências. Antes, a apreensão dependia de suspeita e de revista manual. Com a imagem, o flagrante ocorre na primeira barreira, e o registro é feito com a prova produzida pelo próprio equipamento.

O padrão das ocorrências no complexo se repete: a droga vem escondida junto ao corpo, em quantidade pequena o suficiente para passar despercebida em uma revista superficial, e o visitante costuma ter vínculo familiar com o preso. Em vários casos registrados no DF, a pessoa presa na portaria não é quem organiza a entrega.

Crianças na visita

A presença das netas levanta um ponto que o sistema prisional trata com regra própria. A visita de criança e adolescente a pessoa presa é permitida, mas depende de autorização prévia e de acompanhamento por responsável. Quando o adulto acompanhante é preso na portaria, o encaminhamento das crianças passa a depender da rede de proteção.

Nesses casos, cabe ao Conselho Tutelar e à Justiça da Infância e da Juventude definir com quem as crianças ficam enquanto a situação do responsável não é resolvida. A identificação de menores em ocorrência policial é vedada por lei, e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a divulgação de nome, foto ou dado que permita reconhecê-los.

Como funciona a visita na Papuda

  • O visitante precisa de carteira de visitante emitida pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF)
  • A entrada passa por revista com scanner corporal e vistoria dos alimentos e itens permitidos
  • Levar droga, chip, celular ou arma para o interior da unidade é crime, mesmo em pequena quantidade
  • O flagrante na portaria custa a carteira de visitante, além da responsabilização criminal
  • Denúncias sobre entrada de material ilícito podem ser feitas pelo 197, da Polícia Civil, com sigilo

O Complexo Penitenciário da Papuda, em São Sebastião, é a maior estrutura prisional do Distrito Federal e reúne o Centro de Detenção Provisória, o Centro de Internamento e Reeducação, a Penitenciária do DF I e a Penitenciária do DF II, além do Centro de Progressão Penitenciária.

Leia também: Relatório do MNPCT aponta superlotação no complexo da Papuda.

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