Moradores de Taguatinga têm encontro marcado na quarta-feira (19), das 18h30 às 21h30, para tratar de prevenção à violência doméstica com quem atua na ponta do atendimento. O II Ciclo de Palestras dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública reúne órgãos de segurança e integrantes da rede de proteção às mulheres na Congregação 70×7 Church, em Taguatinga Sul. São 200 vagas e a inscrição é gratuita, pela plataforma Even3.
A organização é do Conselho Comunitário de Segurança Pública (Conseg) de Taguatinga em parceria com a comunidade local. A programação foi montada em sequência: reconhecer, prevenir, proteger, integrar e acolher.
O que será apresentado
Cada instituição apresenta a etapa em que atua, da identificação dos primeiros sinais de violência até a denúncia, passando pela aplicação de medidas de proteção, pelo acompanhamento e pelo acolhimento das mulheres. A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) trata dos canais de denúncia, do registro de ocorrência, da investigação e das medidas protetivas.
O desenho responde a um problema recorrente: a mulher que decide denunciar costuma não saber a qual porta bater primeiro, nem o que acontece depois do registro. Reunir os órgãos em uma mesma sala encurta esse percurso e mostra que a proteção não termina no boletim de ocorrência.
O que a Lei Maria da Penha garante
A Lei 11.340/2006 completa 20 anos em 2026 e é a base do atendimento apresentado no encontro. Ela prevê medidas protetivas de urgência que podem ser pedidas no momento do registro da ocorrência, sem necessidade de advogado. Entre as que recaem sobre o agressor estão o afastamento do lar, a proibição de aproximação da vítima e de contato por qualquer meio, incluindo mensagens e redes sociais, e a suspensão do porte de arma.
Há ainda as medidas voltadas à mulher, como o encaminhamento a programa de proteção, a recondução ao domicílio depois do afastamento do agressor e a separação de corpos. O descumprimento de medida protetiva é crime autônomo, com pena de detenção, o que significa que o agressor pode ser preso apenas por desrespeitar a ordem judicial.
Os números do DF em 2026
Levantamento do Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios registra 44 ocorrências confirmadas de tentativa de feminicídio no primeiro semestre deste ano. O perfil traçado pelo órgão ajuda a entender por que o alerta se concentra na convivência doméstica: em 82% dos casos o agressor era parceiro íntimo da vítima, e 75% das agressões aconteceram dentro da residência. A média de idade das mulheres atendidas é de 34 anos.
É esse recorte que sustenta a lógica do encontro em Taguatinga. Quando a maior parte da violência acontece em casa e por quem convive com a vítima, a vizinhança e as instituições comunitárias passam a ser as primeiras a identificar sinais, muito antes da polícia.
Onde a mulher encontra acompanhamento depois
Além dos canais de emergência, o Distrito Federal tem atendimento voltado a quem já sobreviveu a uma agressão grave. O Projeto Amparar, do Nuav, acompanha mulheres vítimas de tentativa de feminicídio e familiares de vítimas fatais com orientação jurídica, suporte emocional e encaminhamento para a rede pública de saúde e assistência social. O contato é feito pelo WhatsApp (61) 99635-6929 ou pelo e-mail amparar@mpdft.mp.br, de segunda a sexta.
Os dados do próprio órgão mostram quem chega a esse atendimento: além da média de 34 anos, 78% das mulheres acompanhadas são pardas. O recorte reforça o alcance das ações comunitárias em regiões administrativas populosas como Taguatinga, onde a rede formal nem sempre é a primeira a ser acionada.
Para onde ligar no DF
Os canais de denúncia funcionam independentemente do encontro:
- 190: Polícia Militar, para emergência em curso
- 180: Central de Atendimento à Mulher, nacional e gratuita, 24 horas
- Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam): registro de ocorrência e pedido de medida protetiva
- Delegacia Eletrônica da PCDF: registro on-line em casos que não exigem atendimento presencial imediato
Próxima edição em 31 de agosto
O ciclo terá continuidade em 31 de agosto, às 19h, na Faculdade Republicana, no SEP Sul 713/913, na Asa Sul. Essa etapa é organizada em parceria com o Conseg Brasília e com o curso de direito da instituição, e tem foco na Lei Maria da Penha.
Serviço
- Evento: II Ciclo de Palestras dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública
- Data e horário: quarta-feira (19), das 18h30 às 21h30
- Local: Congregação 70×7 Church, CSG 9, lote 21, Taguatinga Sul
- Vagas: 200, com inscrição gratuita pela plataforma Even3
- Próxima edição: 31 de agosto, às 19h, na Faculdade Republicana, SEP Sul 713/913, Asa Sul
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