O mercado financeiro piorou a projeção para as contas do governo central em 2026. A mediana das estimativas coletadas pelo boletim Prisma Fiscal, divulgado nesta sexta-feira, 14 de agosto, pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, aponta déficit primário de R$ 59,145 bilhões neste ano.
O número é R$ 1,068 bilhão pior que o da coleta anterior, feita em julho, quando as instituições projetavam rombo de R$ 58,077 bilhões. A pesquisa fechou a coleta no quinto dia útil de agosto e reúne as projeções enviadas por bancos, gestoras e consultorias que acompanham as contas federais.
Para 2027, a piora foi um pouco maior. A mediana passou a indicar déficit de R$ 55 bilhões, aumento de R$ 1,122 bilhão sobre a rodada de julho.
O que o número mede
O resultado primário é a diferença entre o que o governo central arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida pública. O governo central reúne o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, e é sobre esse recorte que recai a meta fiscal fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
A meta vigente para 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto, com intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima e para baixo. Na prática, o governo cumpre o alvo se ficar dentro dessa banda. A projeção mediana do mercado, em valores nominais, aponta para o lado negativo do intervalo.
Vale separar o que é projeção do que é resultado. O Prisma Fiscal não traz números realizados, e sim a expectativa das instituições consultadas. O resultado efetivo de cada mês é publicado pelo Tesouro Nacional no Relatório Resultado do Tesouro Nacional, e o fechamento do ano só é conhecido em janeiro.
Arrecadação projetada subiu, e mesmo assim o rombo cresceu
A mediana para a arrecadação federal em 2026 subiu de R$ 3,175 trilhões para R$ 3,185 trilhões entre julho e agosto. Ou seja, o mercado passou a esperar mais receita e, ainda assim, piorou a conta final. A leitura é direta: a expectativa de despesa cresceu mais rápido que a de receita.
Os principais pontos da coleta de agosto:
- Déficit primário em 2026: R$ 59,145 bilhões, contra R$ 58,077 bilhões em julho
- Déficit primário em 2027: R$ 55 bilhões, R$ 1,122 bilhão pior que na coleta anterior
- Arrecadação federal em 2026: R$ 3,185 trilhões, ante R$ 3,175 trilhões
- Meta fiscal do ano: superávit de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual
- Data de referência: coleta encerrada no quinto dia útil de agosto
O pano de fundo: juro alto e inflação acima do centro da meta
A piora nas projeções fiscais chega em um momento de juro elevado. A taxa Selic está em 14% ao ano, patamar que encarece a rolagem da dívida pública e pressiona a despesa financeira do Tesouro. O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,44%, acima do centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.
O descumprimento da meta não é um número solto no papel. O arcabouço fiscal, instituído pela Lei Complementar 200/2023, prevê medidas de contenção quando o resultado fica fora da banda, entre elas restrições à criação de cargos, à concessão de reajustes e à ampliação de despesa obrigatória. São exatamente os itens que mais pesam na economia de Brasília.
Para quem mora no Distrito Federal, o efeito dessa conta é indireto, mas real. Boa parte da economia local depende da folha e dos contratos da União, e o aperto no Orçamento federal costuma chegar a Brasília pela via dos concursos adiados, dos reajustes negociados em parcelas e do ritmo das obras bancadas com recursos federais.
Há uma distância entre a leitura do mercado e a do governo. No Boletim Macrofiscal de julho, a própria Secretaria de Política Econômica manteve a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB em 2026. Quando a expectativa de atividade se sustenta e a projeção de resultado piora, o problema apontado pelas instituições está na despesa, não na economia parando.
Próximos passos
A próxima coleta do Prisma Fiscal será divulgada em setembro, também com base no quinto dia útil do mês. Antes disso, o Tesouro publica o resultado primário de julho, que vai mostrar quanto do pessimismo do mercado se confirmou no caixa. O Congresso, por sua vez, ainda precisa votar o Orçamento de 2027, cuja proposta tem de ser enviada até 31 de agosto.
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Perguntas frequentes
O que é o Prisma Fiscal?
É um boletim mensal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda que reúne as projeções de instituições financeiras para as contas públicas federais. Ele traz medianas de expectativa, não resultados já realizados.
Qual é a meta fiscal de 2026?
Superávit primário de 0,25% do PIB, com intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima e para baixo, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Quanto o mercado projeta de déficit para 2026?
R$ 59,145 bilhões, segundo a coleta de agosto, contra R$ 58,077 bilhões projetados em julho.








