Enfermeira é agredida a socos por paciente dentro do Hospital de Samambaia

agosto 10, 2026
Corredor de hospital com macas vazias enfileiradas e iluminação acesa ao fundo

A enfermeira Gisella Souza Pereira foi agredida a socos por uma paciente dentro do Hospital Regional de Samambaia (HRSam) na noite de domingo (9), depois de informar que o caso deveria ser encaminhado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O episódio foi registrado na 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia.

Gisella soma 21 anos de profissão, 19 deles na mesma unidade. Pelo relato dela, a paciente chegou ao hospital com queixa de mal-estar geral, dor abdominal leve e dor ao urinar. Na triagem, o quadro recebeu a classificação azul, faixa reservada aos casos de menor gravidade, que não exigem atendimento imediato em porta de urgência e podem ser resolvidos na rede básica ou em pronto atendimento.

Ao ouvir a orientação, a paciente, identificada como Fernanda Rodrigues da Silva, avançou sobre a profissional. A enfermeira foi atingida por socos no rosto, no pescoço, no tórax, nos braços e nas mãos. A Polícia Militar foi acionada e levou as envolvidas à delegacia, onde a vítima registrou a ocorrência.

A agressão aconteceu na área de acolhimento, ponto em que o paciente recebe a informação sobre a gravidade do próprio quadro e sobre o serviço que vai atendê-lo. É o mesmo local em que, segundo a categoria, se concentram as ameaças e as ofensas registradas por trabalhadores da rede pública, quase sempre depois de uma orientação de encaminhamento.

Sindicato diz que agressão reacende alerta no HRSam

O Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnf-DF) acompanhou o caso e afirmou que o episódio não é isolado na unidade. A entidade citou outras duas profissionais agredidas no hospital em período recente e cobrou providências da rede pública.

A agressão acende novamente o alerta sobre a segurança no HRSam.

O sindicato pede duas medidas concretas: reforço do efetivo de segurança nas áreas de atendimento e recomposição das equipes assistenciais. A relação entre as duas coisas aparece no argumento da categoria: quanto menor o número de profissionais em plantão, maior o tempo de espera e maior o atrito no balcão de triagem, que é onde a informação desagradável costuma ser dada ao paciente.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), responsável pelo HRSam, foi procurada pelo Metrópoles, que revelou o caso, e não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

O que a classificação azul significa na prática

A triagem por cores é o protocolo que ordena a fila da urgência pela gravidade, e não pela ordem de chegada. As faixas seguem uma lógica simples:

  • Vermelho: emergência, atendimento imediato;
  • Laranja: muito urgente, atendimento em poucos minutos;
  • Amarelo: urgente, com espera curta;
  • Verde: pouco urgente;
  • Azul: não urgente, caso que pode ser encaminhado à UPA, ao centro de saúde ou à unidade básica.

É justamente nessa última faixa que se concentra a maior parte dos conflitos relatados por trabalhadores de hospitais. O paciente entende o encaminhamento como recusa de atendimento, quando na prática ele significa que aquele caso pode ser resolvido em outro ponto da rede, com espera menor do que a de uma emergência hospitalar.

O que acontece agora com o caso

Com o registro na 26ª DP, a apuração passa a correr na Polícia Civil, que vai ouvir a enfermeira, a paciente e as testemunhas do plantão para definir a tipificação da conduta. Agressões contra profissionais de saúde em serviço costumam ser apuradas como lesão corporal, com o agravante de a vítima estar no exercício da função.

Do lado da rede pública, a cobrança do sindicato recai sobre a SES-DF, que precisa decidir se amplia o contrato de vigilância no HRSam e se recompõe as escalas de enfermagem da unidade. Nenhuma das duas medidas havia sido anunciada até a publicação desta reportagem.

O HRSam é uma das portas de urgência mais movimentadas do Distrito Federal e atende, além de Samambaia, moradores de regiões vizinhas que buscam atendimento hospitalar. A pressão sobre a unidade aparece também no mercado de trabalho da saúde pública local, com abertura frequente de processos seletivos para reforçar equipes, como o do Iges-DF para enfermeiro em controle de infecção hospitalar.

Profissionais de saúde agredidos em serviço podem registrar ocorrência em qualquer delegacia, inclusive pela Delegacia Eletrônica, e acionar o sindicato da categoria, que oferece acompanhamento jurídico ao trabalhador vítima de violência no ambiente de trabalho.

Perguntas frequentes

Onde a enfermeira foi agredida?

No Hospital Regional de Samambaia (HRSam), na noite de domingo, 9 de agosto de 2026, durante o atendimento a uma paciente classificada com risco azul.

O que significa a classificação azul na triagem?

É a faixa de menor gravidade do protocolo de classificação de risco. O paciente não corre risco imediato e pode ser encaminhado a uma UPA, a um centro de saúde ou a uma unidade básica.

O que o sindicato dos enfermeiros pediu?

O SindEnf-DF cobrou reforço da segurança no HRSam e recomposição das equipes de enfermagem, citando outras duas profissionais agredidas na unidade em período recente.

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