Cinco partidos decidiram em convenção nacional não apoiar nenhum candidato à Presidência da República em 2026. União Brasil e Republicanos anunciaram a posição em 4 de agosto, e a federação Renovação Solidária, formada por Solidariedade e PRD, fez o mesmo no dia 5. O Progressistas já havia oficializado a neutralidade em 31 de julho.
As decisões seguem o mesmo desenho: nenhuma delas fecha questão nos estados. Os diretórios estaduais ficaram liberados para compor as alianças que considerarem mais convenientes em cada palanque, o que permite que candidatos da mesma legenda apoiem postulantes ao Planalto em campos opostos.
União Brasil e Progressistas
O União Brasil aprovou a neutralidade em convenção realizada na tarde de terça-feira, 4. O partido integra desde março de 2026 a Federação União Progressista, formada com o Progressistas, que havia registrado a mesma posição no fim de julho.
“Tenho consciência do peso político que a Federação União Progressista tem nacionalmente e que temos nomes extremamente preparados para todos os cargos. A posição que estamos adotando reflete a nossa maturidade política”, afirmou o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.
Com a decisão, os candidatos da federação ficam liberados para apoiar, nos respectivos estados, o presidenciável que melhor dialogue com a composição local. Na prática, a legenda evita carimbar um nome nacional e preserva alianças estaduais montadas com adversários entre si.
Republicanos rejeita apoio formal a Flávio Bolsonaro
O Republicanos confirmou a neutralidade em convenção realizada na manhã de 4 de agosto, em Brasília. Segundo o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, 17 diretórios estaduais votaram pela neutralidade, nove defenderam apoio ao pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, e um defendeu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão frustrou a tentativa do PL de somar o tempo de televisão do Republicanos à candidatura de Flávio Bolsonaro. O partido também era procurado para indicar a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques à vaga de vice na chapa.
Marcos Pereira declarou que vai fazer campanha para Flávio Bolsonaro em caráter pessoal, mas afirmou que precisa respeitar a posição majoritária do partido, definida na convenção.
Renovação Solidária cita polarização
A federação Renovação Solidária, formada por Solidariedade e PRD, aprovou a neutralidade em convenção nacional realizada na quarta-feira, 5. Na nota que registrou a decisão, os dois partidos apontaram o quadro de disputa como razão para não se vincular a um dos campos.
“A Renovação Solidária reafirma o respeito à autonomia de seus dirigentes, parlamentares, mandatários e candidatos, assegurando a liberdade de manifestação e construção política no âmbito dos diferentes campos que hoje compõem o debate eleitoral brasileiro”, diz o texto aprovado.
A federação sustenta que a independência contribui mais ao país no cenário de “intensa polarização política” e registrou que o apoio formal, sem espaço de diálogo e influência, não atende aos objetivos da legenda nem aos interesses dos filiados.
O que a neutralidade muda na campanha
A posição tem efeito direto em dois pontos da disputa nacional. O primeiro é o tempo de propaganda no rádio e na televisão, distribuído conforme o tamanho das bancadas que compõem cada coligação presidencial. Sem o apoio formal das cinco legendas, esse tempo deixa de migrar para uma das chapas.
O segundo é a estrutura de campanha nos estados. Partidos neutros mantêm candidaturas próprias a governos estaduais e ao Senado sem precisar alinhar o discurso ao presidenciável, o que reduz o desgaste em regiões onde o nome nacional do campo é impopular.
- Progressistas: neutralidade oficializada em 31 de julho
- União Brasil: convenção em 4 de agosto, com liberação dos diretórios estaduais
- Republicanos: convenção em 4 de agosto, com 17 diretórios pela neutralidade e nove por Flávio Bolsonaro
- Solidariedade e PRD: convenção da federação Renovação Solidária em 5 de agosto
O calendário eleitoral
As convenções partidárias definem candidaturas e coligações antes do registro na Justiça Eleitoral. O prazo para o envio dos pedidos de registro termina em 15 de agosto, às 19h, e é a partir dele que o eleitor passa a ver a lista oficial de concorrentes a cada cargo.
Para o eleitor do Distrito Federal, a definição nacional se cruza com a disputa local ao governo do DF, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Câmara Legislativa. Os partidos que ficaram neutros no Planalto disputam essas vagas com palanques próprios, montados sem vínculo obrigatório com um presidenciável.
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Perguntas frequentes
Quais partidos declararam neutralidade na eleição presidencial de 2026?
União Brasil, Republicanos, Progressistas, Solidariedade e PRD. O PP oficializou a posição em 31 de julho, União Brasil e Republicanos em 4 de agosto e a federação Renovação Solidária (Solidariedade e PRD) em 5 de agosto.
Neutralidade impede o partido de apoiar candidato nos estados?
Não. As convenções liberaram os diretórios estaduais para formar as alianças que considerarem convenientes, inclusive com presidenciáveis de campos diferentes.
Por que o Republicanos não apoiou Flávio Bolsonaro?
Segundo o presidente nacional, Marcos Pereira, 17 diretórios estaduais votaram pela neutralidade, nove defenderam o apoio ao senador e um defendeu apoio a Lula.
Até quando os partidos podem registrar candidaturas em 2026?
O prazo para o pedido de registro na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto, às 19h.








