Juízas afegãs refugiadas do Talibã reconstroem a vida no DF

agosto 9, 2026
Mulher de veu vista de costas, sentada em banco ao ar livre

Sete juízas afegãs retiradas do Afeganistão depois da retomada do poder pelo Talibã vivem no Distrito Federal desde 2021. Elas chegaram acompanhadas de familiares, em um grupo inicial de 26 pessoas, e desde então reconstroem a vida na capital federal, segundo reportagem publicada pelo Metrópoles neste domingo (9).

A retirada foi organizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que selecionou as magistradas pelo grau de risco que corriam ao permanecer no país. Mulheres com carreira no Judiciário estavam entre os grupos mais expostos à retaliação depois da mudança de regime, e foi esse critério que definiu quem entrou na lista.

Como o DF recebeu o grupo

No desembarque em Brasília, as famílias foram acolhidas na Escola Superior de Defesa. O Governo do Distrito Federal ofereceu vaga escolar para as crianças e acesso à rede pública de saúde, e a rede Na Hora emitiu a documentação básica, como carteira de identidade e CPF, que destrava o acesso a serviço público, conta bancária e contrato de trabalho.

O número de afegãos que passou pelo DF é maior do que o do primeiro grupo. O Instituto SHE, organização de Brasília voltada à integração social e econômica de refugiados e migrantes em situação de vulnerabilidade, registra cerca de 24 famílias afegãs atendidas na capital, o equivalente a aproximadamente 100 pessoas quando se contam os deslocamentos posteriores para outras cidades.

A experiência do acolhimento dessas famílias virou base do trabalho da entidade com outros grupos de refugiados que chegam ao Distrito Federal.

Os obstáculos que continuam

Cinco anos depois da chegada, as barreiras relatadas são as mesmas que atingem a maior parte dos refugiados no DF:

  • o idioma, que condiciona o acesso a qualquer vaga formal;
  • a adaptação cultural, em uma rotina distante da que tinham no país de origem;
  • a revalidação de diploma, exigência para voltar a exercer a profissão no Brasil;
  • a busca por trabalho compatível com a formação, que costuma ser o último passo a se resolver.

Para quem tinha carreira consolidada no Judiciário afegão, a revalidação é o ponto mais difícil. O diploma estrangeiro precisa passar por processo em universidade pública brasileira, e o exercício da magistratura no Brasil depende de concurso público, o que na prática significa recomeçar em outra função.

Uma das pessoas que atravessou esse caminho é Farzana Ahmadi, irmã de uma das magistradas. Ela trabalha hoje com tradução e interpretação e no apoio à comunicação de refugiados e migrantes, função que nasce da própria trajetória: quem já venceu a barreira do idioma vira a ponte para quem acabou de chegar.

Como pedir refúgio no Brasil

O pedido de reconhecimento da condição de refugiado é analisado pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde setembro de 2019, a solicitação é feita exclusivamente pela internet, no Sisconare.

  • Onde solicitar: sisconare.mj.gov.br, com cadastro e senha enviada por e-mail;
  • Custo: gratuito, sem cobrança de taxa;
  • O que dá para acompanhar: andamento do processo, notificações e data da entrevista;
  • Apoio: organizações da sociedade civil e defensorias públicas auxiliam no preenchimento.

Enquanto o pedido tramita, o solicitante tem direito a documento provisório, que permite trabalhar com carteira assinada e acessar serviços públicos, entre eles o SUS e a rede de ensino.

O caso das juízas afegãs foi o mais visível, mas não é o único no Distrito Federal. A rede de acolhimento local atende também venezuelanos e haitianos, e é nesse mesmo circuito de documentação, aula de português e revalidação de diploma que todos passam antes de chegar ao primeiro emprego formal.

Perguntas frequentes

Quantas juízas afegãs vivem no Distrito Federal?

São sete magistradas, retiradas do Afeganistão em 2021 em uma operação organizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros. Elas chegaram acompanhadas de familiares, em um grupo inicial de 26 pessoas.

Quantos afegãos passaram pelo DF?

O Instituto SHE registra cerca de 24 famílias afegãs atendidas em Brasília, o equivalente a aproximadamente 100 pessoas quando se contam os deslocamentos posteriores para outras cidades.

Como pedir reconhecimento da condição de refugiado no Brasil?

O pedido é feito exclusivamente pela internet, no Sisconare (sisconare.mj.gov.br), sistema do Comitê Nacional para os Refugiados. O serviço é gratuito e permite acompanhar o andamento do processo e a data da entrevista.

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