PCDF prende 4 e cumpre 20 mandados contra o golpe do falso advogado

agosto 7, 2026
Mão segurando celular com a tela do WhatsApp aberta, aplicativo usado no golpe do falso advogado

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta sexta-feira, 7 de agosto, a Operação Kitsune contra um grupo especializado no golpe do falso advogado. Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão, sendo três temporárias e uma preventiva.

A ação é conduzida pela 38ª Delegacia de Polícia, de Vicente Pires, e alcançou endereços no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Piauí e Maranhão. Os investigados devem responder por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Como o grupo escolhia as vítimas

Segundo a PCDF, os suspeitos consultavam informações públicas de processos judiciais para levantar dados das partes e dos advogados envolvidos. Com esse material em mãos, entravam em contato pelo WhatsApp se apresentando como o advogado da causa ou como funcionários do escritório responsável.

A abordagem seguia sempre o mesmo roteiro: o falso profissional informava que a vítima havia ganhado o processo e que existia um valor liberado para saque. Em seguida, alegava que era preciso pagar taxas, custas ou honorários antecipados, com transferência por Pix.

O uso de dados reais é o que dá credibilidade ao golpe. O criminoso cita o número do processo, o nome do juiz, o valor da causa e a fase da tramitação, informações que estão disponíveis nos sistemas eletrônicos de consulta processual.

Prejuízo e alcance da fraude

De acordo com a apuração da PCDF divulgada pelo portal Metrópoles, ao menos seis pessoas foram vítimas do grupo no Distrito Federal, com prejuízo estimado acima de R$ 400 mil. O número de atingidos pode ser maior, porque parte das vítimas não registra ocorrência.

Não é a primeira vez que a corporação mira o esquema. Em março, a Polícia Civil já havia deflagrado a maior operação do país contra o golpe do falso advogado, com 14 presos em 11 estados. Naquele caso, os investigadores identificaram divisão de tarefas entre quem obtinha credenciais de advogados, quem fazia o contato e quem lavava o dinheiro.

Como se proteger

A orientação da Polícia Civil é simples e vale para qualquer processo em andamento:

  • Confirme qualquer comunicação sobre valores diretamente com o advogado ou com o escritório responsável, usando um telefone que você já conhecia;
  • Desconfie de cobrança de taxa para liberar dinheiro de processo judicial, prática que não existe na Justiça;
  • Não faça transferências por Pix a partir de contato recebido por aplicativo de mensagem, mesmo com foto e nome corretos;
  • Confira o número da conta e o titular antes de qualquer pagamento, já que o golpe usa contas de terceiros;
  • Registre ocorrência na delegacia mais próxima ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF em caso de tentativa.

A PCDF recomenda que qualquer comunicação sobre valores judiciais seja confirmada diretamente com o advogado ou o escritório responsável pelo processo.

O que acontece agora

Os presos passam por audiência de custódia e a investigação segue para identificar outros integrantes da estrutura, incluindo os responsáveis por fornecer contas bancárias e linhas telefônicas usadas nos contatos. O material apreendido nos 20 endereços vai passar por perícia.

A recuperação dos valores depende do rastreamento das transferências. Quando o dinheiro já circulou por várias contas, a chance de devolução cai, o que reforça o peso da checagem antes do pagamento.

O que diz a lei

A fraude cometida com uso de dispositivo eletrônico está prevista no artigo 171 do Código Penal, com a redação dada pela Lei 14.155, de 2021. O estelionato praticado por meio de informação fornecida pela vítima em rede social, contato telefônico ou aplicativo de mensagens tem pena de quatro a oito anos de reclusão, mais multa, patamar superior ao do estelionato comum.

A pena sobe ainda mais quando o crime é cometido contra pessoa idosa ou vulnerável. Somada à imputação de lavagem de dinheiro e associação criminosa, a soma das penas em casos como o investigado pela 38ª DP pode ultrapassar duas décadas de prisão.

Por que os dados do processo são públicos

A publicidade dos atos processuais é regra no sistema de Justiça brasileiro e permite que qualquer cidadão acompanhe o andamento de uma ação. O acesso a nomes das partes, número do processo e movimentações é o que garante controle social sobre o Judiciário, e só é restrito nos casos que correm em segredo de justiça.

O criminoso se aproveita justamente dessa transparência. Ele não invade sistema nem quebra senha: apenas lê o que está aberto e usa a informação para simular intimidade com o caso. Por isso a checagem pelo canal já conhecido do escritório continua sendo a defesa mais eficiente, mesmo quando a mensagem cita detalhes corretos.

Perguntas frequentes

O que é a Operação Kitsune?

É a operação da 38ª Delegacia de Polícia do DF, deflagrada em 7 de agosto de 2026, contra um grupo especializado no golpe do falso advogado.

Como funciona o golpe do falso advogado?

Os criminosos consultam dados públicos de processos judiciais, entram em contato por WhatsApp se passando pelo advogado da causa e cobram taxas antecipadas por Pix para liberar um valor que não existe.

O que fazer ao receber uma cobrança assim?

Confirmar a informação diretamente com o advogado ou escritório do processo, por um telefone já conhecido, e registrar ocorrência na PCDF em caso de tentativa de golpe.

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