Trabalhador queimado na Asa Sul relata sequelas e cobra o processo

agosto 22, 2026
Sessão de fisioterapia com faixa elástica de resistência para reabilitação de braço

O trabalhador Gustavo Vitor Coimbra, de 31 anos, atacado com thinner e queimado em julho na Asa Sul, relatou nesta semana as sequelas que carrega desde o crime: orelha derretida, mão atrofiada, perda de força nas mãos e feridas nas costas ainda em cicatrização. O caso foi contado por ele em entrevista ao portal Metrópoles, publicada em 22 de agosto.

O ataque ocorreu em 14 de julho, no quiosque onde ele trabalhava. Segundo o relato, um homem em situação de rua tentou levar um produto do estabelecimento, foi questionado e permaneceu no local até o fim do expediente. Ao final do dia, jogou líquido inflamável sobre o trabalhador e ateou fogo. Gustavo afirma ter tido cerca de 40% do corpo queimado. Uma reportagem publicada logo após o crime pelo portal Acorda DF registrou percentual menor, acima de 20% da superfície corporal, divergência que os dois veículos não conciliaram.

As sequelas de um mês de recuperação

O quadro descrito pelo trabalhador é típico de queimadura extensa: além das lesões de pele, ele perdeu 14 quilos durante a internação e convive com perda de força nas mãos, com risco de atrofia. Queimaduras profundas em áreas de dobra e nas extremidades exigem acompanhamento prolongado, com fisioterapia e, em muitos casos, cirurgias de correção ao longo de meses.

A rede pública do Distrito Federal concentra o atendimento a grandes queimados na Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), o único centro credenciado na especialidade pelo Ministério da Saúde na rede pública de todo o Centro-Oeste, segundo a Secretaria de Saúde do DF. A unidade é referência também para o Entorno, o norte de Minas Gerais e o oeste da Bahia, e mantém pronto-socorro de queimados aberto 24 horas.

O volume dá a dimensão do problema. Em 2025, conforme a Secretaria de Saúde, a Unidade de Queimados do Hran registrou 339 internações, 1.588 banhos e curativos com anestesia e 574 cirurgias. O tratamento nesses casos costuma se estender por muito tempo depois da alta hospitalar, com curativos, enxertos e reabilitação motora acompanhada por equipe de fisioterapia, nutrição e psicologia.

“Eu perdi tudo, menos a vida”, disse Gustavo Vitor Coimbra ao relembrar o ataque, em entrevista ao Metrópoles.

Onde está o caso

O suspeito, um homem em situação de rua, foi localizado e preso preventivamente em 31 de julho, 17 dias após o crime, em ação da 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul. Ele responde na condição de suspeito e deve ser tratado como tal até eventual condenação transitada em julgado.

  • Data do ataque: 14 de julho de 2026, na Asa Sul
  • Vítima: Gustavo Vitor Coimbra, 31 anos, trabalhador de quiosque
  • Sequelas relatadas: orelha derretida, mão atrofiada, perda de força nas mãos, feridas em cicatrização, perda de 14 quilos
  • Prisão do suspeito: 31 de julho, prisão preventiva, pela 1ª DP
  • Fase processual: não divulgada pelos órgãos até a publicação desta reportagem

Nem a Polícia Civil do Distrito Federal nem o Ministério Público do DF e Territórios divulgaram, até a publicação, se o inquérito foi concluído ou se houve oferecimento de denúncia. A prisão preventiva não tem prazo fixo definido em lei, mas precisa ser reavaliada periodicamente pelo juízo responsável, conforme o Código de Processo Penal.

A tipificação de casos como esse costuma girar em torno da lesão corporal gravíssima, quando há deformidade permanente, ou da tentativa de homicídio, a depender da conclusão sobre a intenção do agressor. A definição cabe ao Ministério Público no momento da denúncia e, em caso de tentativa de homicídio, o julgamento vai a júri popular.

Casos de violência contra trabalhadores em atividade têm reflexo direto na discussão sobre segurança em áreas comerciais do Plano Piloto, onde quiosques e bancas funcionam até a noite. Outras ocorrências recentes no DF estão em Mulher é resgatada após cinco dias acorrentada em Águas Lindas.

O trabalhador cobra andamento do processo e apoio para o tratamento. Enquanto o caso não avança, a recuperação segue sendo o mais concreto: as sequelas relatadas por ele indicam que a reabilitação vai durar bem mais do que a repercussão do crime.

Quem sofre queimadura no Distrito Federal deve procurar o pronto-socorro do Hran, que funciona 24 horas para esse tipo de atendimento, ou acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193. Em queimadura por líquido inflamável, a orientação básica é resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente e não aplicar produtos caseiros sobre a lesão.

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