Sobradinho lidera valorização de imóveis no DF em 2025; Cruzeiro registra maior alta nos aluguéis

março 10, 2026
Sobradinho lidera valorização de imóveis no DF em 2025; Cruzeiro registra maior alta nos aluguéis

Mercado imobiliário do Distrito Federal fechou 2025 com forte pressão na locação e valorização expressiva em regiões fora do eixo tradicional, segundo balanço do Secovi/DF

O mercado imobiliário do Distrito Federal encerrou 2025 com um movimento claro: mais brasilienses optaram pelo aluguel do que pela compra. A combinação de juros elevados, crédito imobiliário seletivo e Selic nas alturas desestimulou aquisições e empurrou a demanda para a locação — pressionando os preços em toda a capital federal.

Os dados são do balanço anual do Secovi/DF, sindicato que representa o setor imobiliário no DF, e revelam um mercado em transformação, com regiões administrativas historicamente periféricas assumindo protagonismo na valorização.


Imóveis usados: Sobradinho dispara com 26% de valorização

Entre os apartamentos de revenda, Sobradinho foi a grande surpresa do ano, registrando a maior valorização do DF em 2025: 26%. A região superou bairros nobres consolidados como Asa Sul (15%) e Sudoeste (10%), sinalizando que o mercado está mais atento à relação custo-benefício do que à tradição de endereço.

Ranking de valorização na revenda de apartamentos em 2025

Posição Região Valorização
Sobradinho 26%
Asa Sul 15%
Recanto das Emas 12%
Sudoeste 10%
Guará 10%
Santa Maria 10%
Asa Norte 9%
Ceilândia 8%
Samambaia 8%
10º Noroeste 7%

Fonte: Secovi/DF

Para Ovídio Maia, presidente do Secovi/DF, o desempenho de regiões fora do eixo central é sintomático de uma mudança estrutural no perfil do comprador. “O mercado está mais distribuído e atento à relação custo-benefício”, afirmou.


Noroeste e Park Sul lideram preço por metro quadrado no DF

Se a valorização relativa favoreceu regiões periféricas, o preço absoluto por metro quadrado ainda é domínio do Plano Piloto e suas extensões mais recentes. O Noroeste encabeça o ranking com R$ 16.407,31/m², seguido de perto pelo Park Sul (R$ 15.276,82/m²) e pelo Sudoeste (R$ 14.805,18/m²).

Regiões mais caras para comprar apartamento no DF (dez/2025)

Posição Região Preço mediano (R$/m²)
Noroeste R$ 16.407,31
Park Sul R$ 15.276,82
Sudoeste R$ 14.805,18
Asa Sul R$ 13.630,20
Asa Norte R$ 12.644,13
Lago Norte R$ 11.792,21
Cruzeiro R$ 9.239,14
Águas Claras R$ 8.756,71
Guará R$ 8.511,62
10º Gama R$ 6.361,54

Fonte: Secovi/DF

A liderança de Noroeste e Park Sul tem explicação direta: são as áreas mais novas do Plano Piloto, com empreendimentos de padrão construtivo recente e forte influência dos preços de lançamentos, que historicamente puxam o valor dos imóveis usados nas redondezas.


Locação em alta: Cruzeiro registra 21% de aumento nos aluguéis

O segmento de locação foi o mais pressionado de 2025. Com a compra fora do alcance para uma parcela crescente da população — e investidores preferindo a rentabilidade da renda fixa a adquirir imóveis — a demanda por aluguel cresceu de forma consistente ao longo do ano.

O Cruzeiro liderou o ranking de alta nos aluguéis com 21%, seguido por Asa Norte e Lago Norte, ambos com 19%. Regiões como Sudoeste (18%) e Noroeste (17%) também registraram aumentos expressivos.

Regiões onde os aluguéis mais subiram em 2025

Posição Região Alta no aluguel
Cruzeiro 21%
Asa Norte 19%
Lago Norte 19%
Sudoeste 18%
Noroeste 17%
Águas Claras 14%
Samambaia 14%
Guará 11%
Santa Maria 11%
10º Recanto das Emas 9%

Fonte: Secovi/DF

A alta nas regiões mais estruturadas reflete a migração de parte da demanda que adiou a compra para o mercado de locação. A valorização foi mais intensa justamente onde o estoque disponível é menor e a liquidez é maior.


Juros altos explicam o movimento

A taxa Selic elevada funcionou como um duplo vetor de pressão sobre o mercado imobiliário brasiliense. De um lado, encareceu o crédito imobiliário e retirou compradores do mercado. Do outro, tornou as aplicações financeiras mais atrativas do que a compra de imóveis para renda, fazendo com que mesmo investidores recuassem das aquisições.

O resultado foi um aumento estrutural na demanda por aluguel, que pressionou os preços especialmente nas regiões com melhor infraestrutura e menor oferta disponível.

Apesar do cenário desafiador, o Secovi/DF avalia o desempenho do setor de forma positiva. “Mesmo em um ambiente de juros elevados, o mercado imobiliário do Distrito Federal demonstrou estabilidade e capacidade de ajuste. Observamos valorização consistente na revenda e forte dinamismo na locação”, declarou Ovídio Maia.

O mercado imobiliário no Distrito Federal

O DF tem uma das maiores rendas per capita do Brasil, o que impulsiona um mercado imobiliário ativo e, frequentemente, com preços acima da média nacional. A escassez de terrenos no Plano Piloto e nas regiões centrais — somada à demanda crescente — mantém os preços elevados em áreas como Lago Sul, Lago Norte, Sudoeste e Noroeste.

Regiões administrativas como Sobradinho, Gama e Santa Maria têm apresentado crescimento acelerado, atraindo compradores em busca de imóveis mais acessíveis com boa infraestrutura. O metrô DF e as principais vias expressas influenciam diretamente a valorização por bairro.

Financiamento imobiliário para servidores do GDF

Servidores públicos do GDF têm acesso a linhas de financiamento habitacional com condições especiais pelo Banco de Brasília (BRB) e pela Caixa Econômica Federal. O programa federal Minha Casa Minha Vida também opera no DF com faixas de renda que cobrem desde servidores de menor renda até a classe média.