A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu na sexta-feira (31) um policial militar da Bahia e o homem apontado como agiota em uma investigação sobre extorsão contra um empresário, cuja família mora em Brazlândia. Os dois foram alvo de mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça.
A investigação começou depois que a vítima procurou a polícia e relatou uma dívida contraída em agosto de 2025. Segundo o relato, o empresário pegou R$ 80 mil emprestados com cobrança de juros de 10% ao mês e entregou um cartão bancário como garantia do pagamento. A taxa é muito superior ao teto praticado no mercado regulado e caracteriza o crime de usura, previsto na Lei da Usura.
A ameaça em Brazlândia
O episódio que motivou os mandados ocorreu em 4 de julho. De acordo com a apuração da PCDF, o suspeito foi até a residência da família da vítima, em Brazlândia, aparentando estar armado, e fez ameaças contra a vida do empresário e contra o negócio dele. Ainda segundo a investigação, o homem afirmou que o valor cobrado pertencia a um grupo de pessoas, e não apenas a ele.
Foi nesse ponto que a apuração identificou o vínculo funcional do suspeito: ele integra a Polícia Militar da Bahia (PMBA). A corporação baiana será oficiada pela PCDF para adotar as medidas administrativas cabíveis, o que abre a possibilidade de procedimento disciplinar em paralelo ao processo criminal.
Quem cumpriu a operação
A ação foi conduzida pela Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), ligada à Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), com apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE). As equipes localizaram e prenderam também o homem apontado como responsável por conceder o empréstimo e cobrar os juros considerados abusivos.
Os dois presos respondem por:
- extorsão
- usura, o crime popularmente chamado de agiotagem
- lavagem de dinheiro
- associação criminosa
A combinação desses quatro tipos penais indica que a polícia não trata o caso como um empréstimo isolado entre particulares, e sim como atividade organizada, com movimentação de valores que precisaria ser ocultada. A imputação de lavagem de dinheiro só se sustenta quando há indício de que os recursos passaram por operações destinadas a disfarçar a origem.
Por que a agiotagem chega à polícia como extorsão
O empréstimo informal costuma começar como acordo verbal e sem contrato. O credor cobra juros muito acima do permitido, exige garantias que não teriam validade em contrato bancário, como cartões e documentos, e passa a controlar a renda do devedor. Quando o pagamento atrasa, entra a cobrança por ameaça. É nesse momento que o caso deixa de ser uma dívida civil e passa a ser crime contra o patrimônio e contra a pessoa.
A entrega do cartão bancário, relatada pela vítima nesta investigação, é um dos sinais clássicos apontados pelas delegacias especializadas. O credor passa a ter acesso direto ao dinheiro que entra na conta e o devedor perde controle sobre o próprio salário ou faturamento.
Onde denunciar no DF
A PCDF orienta que vítimas de agiotagem e de cobrança com ameaça registrem ocorrência mesmo quando a dívida original é real. A existência do empréstimo não legaliza o juro abusivo nem a ameaça. Os canais são:
- Disque-Denúncia da PCDF, no número 197, com sigilo garantido
- delegacia mais próxima do endereço da vítima
- Delegacia Eletrônica da PCDF, para registros que não exigem atendimento presencial
Reunir provas ajuda a apuração: mensagens de cobrança, comprovantes de transferência, gravações de ligações e nomes de testemunhas. Nos casos em que há ameaça direta a familiares, a orientação é procurar a delegacia imediatamente, sem esperar a próxima cobrança.
Os presos ficam à disposição da Justiça. Não havia, até a publicação, manifestação pública das defesas dos dois investigados.
Leia também: Golpe de extorsão em grupo de aplicativo de mensagens: como denunciar no DF.
Perguntas frequentes
Quando foi a prisão?
Na sexta-feira, 31 de julho de 2026, em cumprimento a mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça.
Quantas pessoas foram presas?
Duas: o policial militar da Bahia apontado como responsável pelas ameaças e o homem que teria concedido o empréstimo e cobrado os juros.
Quais crimes estão sendo investigados?
Extorsão, usura, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Como denunciar agiotagem no Distrito Federal?
Pelo Disque-Denúncia da PCDF, no 197, com sigilo garantido, em qualquer delegacia ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF.








