A Secretaria de Saúde do Distrito Federal aplicou pouco mais de 100 mil doses da vacina contra a gripe até a última semana de abril, menos de 10% da meta de 1,1 milhão de pessoas nos grupos prioritários, segundo balanço da pasta divulgado nesta quinta (15/5).
A campanha de vacinação contra a influenza segue até 30 de maio de 2026, com aplicação gratuita pelo Sistema Único de Saúde em mais de 180 pontos espalhados pelas regiões administrativas. O Distrito Federal acompanha o cenário nacional, em que a adesão tem ficado abaixo do projetado pelo Ministério da Saúde.
A imunização deste ano usa a vacina trivalente, formulada com as cepas do vírus influenza com maior circulação prevista. A fórmula é atualizada todos os anos com base na vigilância do vírus no hemisfério sul, prática consagrada e que dá à vacina característica sazonal.
Onde se vacinar e quem deve procurar
A SES-DF mantém a oferta nas Unidades Básicas de Saúde de toda a rede pública. Para o público idoso, há ainda o Centro de Vacinação Viviane Rocha de Luiz, no PRO 60+, que concentra demanda de quem busca atendimento em local específico para 60 anos ou mais.
Os grupos prioritários definidos pela campanha são:
- Pessoas com 60 anos ou mais
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
- Gestantes e puérperas
- Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e cardiopatias
- Profissionais de saúde e da segurança pública
- Indígenas, ribeirinhos e quilombolas
- Professores da rede pública e privada
A rede orienta levar documento com foto e cartão de vacina. Pessoas com comorbidade devem apresentar prescrição médica, atestado ou exame que indique a condição. Em caso de febre alta ou sintomas agudos no dia, a SES-DF recomenda adiar a aplicação.
“A adesão segue abaixo da meta e a recomendação é que os grupos prioritários procurem o ponto de vacinação mais próximo o quanto antes. A vacina é segura, gratuita e protege contra as formas graves da doença”, informou a SES-DF, em nota.
Por que a cobertura está baixa
O cenário se repete em diferentes regiões do país. Após a pandemia de Covid-19, gestores apontam o efeito misto de fadiga vacinal, desinformação em redes sociais e queda na percepção de risco. A gripe, por ser sazonal e endêmica, tende a perder visibilidade quando outras doenças ocupam o noticiário.
O DF investiu, neste ano, em ações itinerantes para tentar elevar a cobertura. Equipes da SES-DF circulam por rodoviárias, mercados, terminais de ônibus e empresas. A pasta também articula com a rede privada protocolos para que estabelecimentos parceiros encaminhem clientes idosos ou crônicos para vacinação no SUS.
A vigilância epidemiológica acompanha a curva de Síndrome Respiratória Aguda Grave nas unidades de pronto-atendimento. O monitoramento, mesmo nesta fase de transição do outono para o inverno, é importante para antecipar pressão sobre o sistema hospitalar, sobretudo em pediatria e geriatria.
Recomendações da pasta
Além da vacina, a SES-DF reforça hábitos clássicos de prevenção. Higienizar as mãos, manter ambientes ventilados e cobrir a boca ao tossir são medidas que reduzem a transmissão de vírus respiratórios. O uso de máscara, embora não seja obrigatório, segue recomendado para pessoas com sintomas que precisam circular.
O sistema hospitalar do DF se prepara para a alta sazonal de internações por causas respiratórias. A rede pública e o IgesDF reorganizam plantões e priorizam o atendimento de crianças com bronquiolite, idosos com pneumonia e pacientes crônicos com agudização de quadros respiratórios.
Quem quiser acompanhar a agenda de pontos de vacinação e os boletins epidemiológicos pode acessar o SouBrasília, que reúne pautas recentes sobre saúde pública e ações da SES-DF.
Para gestores de saúde pública ouvidos com frequência por veículos do DF, a vacina contra a gripe não impede a infecção por completo, mas reduz de forma consistente a incidência de quadros graves, internações e mortes, sobretudo em idosos e crônicos. Esse é o argumento técnico mais usado pela rede para tentar reverter o cenário de baixa adesão. A SES-DF também pondera que o calendário, neste ano, coincide com surtos pontuais de outros vírus respiratórios, e que vacinar contra a influenza ajuda a aliviar pressão sobre prontos-socorros que vinham operando próximos da capacidade plena nas últimas semanas.
A meta segue de pé até o fim do mês. Caso a cobertura permaneça abaixo do esperado, a SES-DF avalia a possibilidade de prorrogar a campanha, prática adotada em anos anteriores quando a adesão ficou aquém do projetado.








