Revista britânica coloca “O Agente Secreto”, de Wagner Moura, em lista dos títulos mais enganosos do cinema

abril 14, 2026

O sucesso internacional de O Agente Secreto não impediu que o longa acumulasse uma crítica de natureza inusitada: a de que seu próprio nome engana o espectador. Na última segunda-feira (6), a revista britânica Far Out Magazine incluiu o filme brasileiro na quinta posição de um ranking dedicado às produções cinematográficas cujos títulos prometem uma coisa e entregam outra.

O autor do texto, Tim Bradley, foi direto na avaliação: o nome do filme evoca imediatamente o universo de espionagem e ação ao estilo James Bond, mas o que aparece na tela é algo radicalmente diferente — uma narrativa lenta, densa e de quase três horas ambientada no Recife de 1977, durante a ditadura militar. Na história, Wagner Moura interpreta Marcelo, um professor universitário que retorna à cidade natal perseguido por um industrial paulista em busca do filho pequeno, que vive com os avós.

Uma lista com nomes pesados

A companhia que o filme brasileiro faz no ranking não é de qualquer produções. Aparecem na lista Baby Driver (Em Ritmo de Fuga), de Edgar Wright; Trainspotting e Sem Limites, de Danny Boyle; Brazil, de Terry Gilliam; Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino; e O Comboio do Medo, de William Friedkin — todos clássicos reconhecidos pela crítica mundial cujos títulos, segundo a publicação, também jogam com as expectativas do público de forma equivocada ou deliberadamente ambígua.

70 prêmios e quatro indicações ao Oscar

A crítica ao título, no entanto, não apaga a trajetória extraordinária do longa fora do Brasil. Entre os festivais realizados ao longo de 2025 e início de 2026, o filme acumulou mais de 70 prêmios internacionais, incluindo melhor direção e melhor ator no Festival de Cannes para Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura, respectivamente.

No Oscar 2026, a produção chegou com quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Seleção de Elenco. A cerimônia, porém, não trouxe estatuetas — o longa saiu de mãos vazias das quatro disputas.

O paradoxo fica evidente: um filme que a crítica internacional coloca entre os títulos mais enganosos da história do cinema é, ao mesmo tempo, um dos projetos brasileiros com maior projeção global das últimas décadas. O nome pode não entregar o que promete — mas o que está dentro da história claramente convenceu os festivais mais importantes do mundo.