Projeto do GDF prevê multa de até R$ 100 mil por vandalismo no DF

agosto 6, 2026
Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal durante sessão ordinária

O governo do Distrito Federal enviou à Câmara Legislativa (CLDF), em 5 de agosto, um projeto de lei que prevê multa de até R$ 100 mil para quem for responsabilizado por atos de vandalismo contra o patrimônio público no DF. Assinado pela governadora Celina Leão (PP), o texto também permite suspender benefícios sociais distritais e retirar prioridade em programas habitacionais da Codhab por até dois anos.

A proposta trata de depredação de bens públicos, categoria que inclui equipamentos urbanos, prédios administrativos, escolas, unidades de saúde, mobiliário de praças e estruturas de transporte. O valor da multa não é fixo: o texto estabelece um teto, e a aplicação leva em conta as circunstâncias de cada caso.

O que o projeto prevê

As sanções previstas no texto encaminhado à CLDF são:

  • multa de até R$ 100 mil, com valor definido conforme as circunstâncias do caso;
  • suspensão de benefícios sociais distritais por até dois anos, entre eles o DF Social, o Cartão Gás, o Cartão Prato Cheio e o auxílio de material escolar;
  • perda de prioridade ou de pontuação nos programas habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab).

O alcance das sanções tem limite definido no próprio texto: elas atingem apenas programas distritais custeados pelo Tesouro do DF. Benefícios federais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada, ficam fora, porque a competência para suspendê-los não é do governo local.

A proteção prevista para dependentes

O projeto inclui uma cláusula que impede a aplicação automática da suspensão quando o corte comprometer quem depende do benefício.

“O benefício social não poderá ser suspenso se comprometer a subsistência de crianças, adolescentes, idosos ou pessoas com deficiência”, diz o texto encaminhado à Câmara Legislativa.

Na prática, a regra transfere ao órgão gestor do programa a análise da composição familiar antes de qualquer corte, o que tende a reduzir o número de casos em que a suspensão será efetivada.

Como fica a tramitação

Por se tratar de projeto de lei de iniciativa do Executivo, o texto passa agora pelas comissões da CLDF antes de ir a plenário. O caminho usual inclui a análise de constitucionalidade e de mérito, com possibilidade de emendas dos deputados distritais. Só depois da aprovação em plenário o texto volta ao Executivo para sanção.

Dois pontos devem concentrar a discussão no Legislativo. O primeiro é o critério de responsabilização: o projeto trata de sanções administrativas, aplicadas em paralelo à esfera criminal, o que exige definição clara sobre o momento em que a punição pode ser imposta. O segundo é a dosimetria da multa, já que o teto de R$ 100 mil é elevado em relação à capacidade de pagamento da maior parte das pessoas atingidas por esse tipo de autuação.

O custo da depredação

A reposição de patrimônio depredado sai do orçamento distrital e concorre com outras despesas de manutenção urbana. Vidros de paradas, luminárias, mobiliário de praça, câmeras e equipamentos de escolas e postos de saúde estão entre os itens com reposição mais frequente. Cada substituição significa um serviço que deixa de ser feito em outro lugar da cidade.

A proposta se soma a outras medidas de proteção ao patrimônio adotadas no DF nos últimos meses, entre elas a ampliação do videomonitoramento com integração de câmeras privadas à rede de segurança pública.

Leia também: Pesquisa Correio/Opinião aponta 51,9% de aprovação ao governo Celina Leão.

Perguntas frequentes

Quais benefícios podem ser suspensos pelo projeto?

Apenas programas distritais custeados pelo Tesouro do DF, como DF Social, Cartão Gás, Cartão Prato Cheio e material escolar. Benefícios federais não são atingidos.

A multa de R$ 100 mil é aplicada em todos os casos?

Não. O valor é um teto. A definição da quantia leva em conta as circunstâncias de cada caso.

O projeto já está em vigor?

Não. O texto foi enviado à Câmara Legislativa em 5 de agosto de 2026 e precisa passar pelas comissões e pelo plenário antes de seguir para sanção.

Faz parte da rede de portais NYX · Distrito News — noticias do Distrito Federal