A produção industrial brasileira recuou 0,2% em maio na comparação com abril, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) divulgada nesta quinta-feira (3) pelo IBGE. O número interrompe uma sequência de quatro meses seguidos de resultados positivos e liga um alerta sobre o fôlego do setor no segundo semestre.
O tropeço vem depois de abril, quando a indústria havia avançado 0,7% e acumulado 4,4% de crescimento nos quatro meses anteriores. Nos primeiros meses de 2026, o setor ainda mantém saldo positivo frente ao mesmo período do ano passado, mas a leitura de maio mostra que o ritmo perdeu tração.
O que puxou o resultado para baixo
A desaceleração acompanha um quadro de juros altos e crédito mais caro, que pesam sobre a demanda por bens de maior valor. O Comitê de Política Monetária levou a Selic a 14,25% ao ano em junho, patamar que encarece financiamentos e segura compras parceladas, sobretudo de bens duráveis.
O recuo da indústria também dialoga com outros indicadores da semana. O PMI industrial calculado pela S&P Global ficou em 50,8 em junho, pouco acima da linha que separa expansão de retração, com produção e novas encomendas ainda em terreno negativo. A combinação dos dois números sugere uma indústria que anda de lado.
- Quarto mês seguido de alta foi interrompido em maio
- Selic em 14,25% ao ano encarece o crédito e freia bens duráveis
- PMI industrial de junho ficou em 50,8, quase na estabilidade
- Setor ainda acumula ganho nos primeiros meses do ano
“A indústria vinha se recuperando, mas o custo do dinheiro cobra seu preço. Maio mostra que essa retomada não é automática nem linear”, resume a leitura predominante entre analistas que acompanham a série do IBGE.
O resultado entra no radar do governo federal, que aposta na atividade industrial para sustentar a geração de emprego formal ao longo do ano. A próxima divulgação, com os dados de junho, dirá se o recuo de maio foi ponto fora da curva ou início de uma acomodação mais longa.
Para o consumidor e para o pequeno empresário, o dado importa porque a indústria costuma antecipar movimentos do restante da economia. Quando as fábricas desaceleram, a fila de efeitos chega ao comércio, ao transporte e à renda das famílias algumas semanas depois.
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